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Leitores do JC têm de 6 a 101 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 7 min

Douglas Reis                                                                                                                        Samantha Ciuffa
Ana Clara Ramalho, 10 anos, dá recado: “Gosto de assistir a vídeos, mas prefiro mais o papel” e Jurandyr Empke, 101 anos completados hoje, é assinante do JC desde a fase inicial de circulação

Ensina o ditado que a única coisa que ninguém pode tirar do homem é o seu conhecimento. Em meio ao bombardeio diário de dados e imagens, dedicar tempo à leitura de informações produzidas por fontes confiáveis é exercício uma defesa de cidadania. E saber mais sobre o mundo, pelas vias palavra escrita, também pode ser fonte de prazer.

O Jornal da Cidade, por exemplo, tem leitores que vão dos 6 aos 101 anos. São pessoas que, em cada momento da vida, reconhecem a importância de reservar parte do seu tempo para digerir cada frase. Para refletir sobre elas enquanto as lê. E, ao final, saborear a experiência adquirida.

Assinante há 50 anos, desde que o jornal começou a circular em Bauru, Jurandyr Empke, 101 anos completados hoje, é um dos admiradores da boa leitura. Salvo da malária na adolescência por um pajé de Araribá, quando já estava desenganado, é daqueles exemplos de longevidade e vitalidade.

Toda manhã, com a ajuda de "óculos para descanso", ele lê o JC para se informar  e até mesmo para saber qual será o seu "look" do dia. "Depois que fiz cirurgia nos olhos, eu consigo ler até sem óculos. A primeira coisa que vou olhar é a previsão do tempo, na capa do JC. Se for fazer calor, eu coloco camisa sem manga, bermuda curta e deixo o tênis de lado", revela.

BOA MEMÓRIA

Aposentado da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), Jurandyr conta, hoje, com a ajuda de um andador para se locomover e de um aparelho auditivo, mas garante que todos os seus exames de saúde estão em dia, assim como a cabeça, que abriga uma invejável memória.

Assim, ele cita, sem titubear, desde datas de fatos importantes de sua vida a partir da década de 1920, até o número do andar do prédio onde uma das netas trabalha, na região metropolitana de São Paulo.

O segredo, o centenário diz, é sempre exercitar a mente. Em um único dia, Jurandyr chega a preencher um livro inteiro de caça-palavras e, toda manhã, se dirige ao cantinho da casa reservado para a leitura das páginas do JC.

"Eu costumava ler muito esporte, quando era fanático pelo São Paulo. Acompanho ainda e leio o primeiro caderno do começo ao fim", diz ele, que aprendeu a ler e a escrever com professores particulares, quando criança, na fazenda que o pai administrava. "Meu pai mandava estudar e a professora vinha todo dia a cavalo. Aprendi até a fazer bilhetinho em latim para as moças nas quermesses", brinca, aos risos.

É DE PEQUENINO...

Douglas Reis
Aluno Gerrard Cintra André, 6 anos, e professora Cássia Castilho: alfabetização incentivada

Nascidos em uma realidade completamente diferente e "só com um pouquinho" mais novos, os estudantes Gerrard Cintra André, 6 anos, e Ana Clara Ramalho, 10 anos, estão dando os primeiros passos para desenvolver o gosto pela leitura. Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Geraldo Arone, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, eles já são estimulados a ler notícias por meio das atividades propostas por professores a partir do Caderno JC Criança e do Programa Educativo JC na Escola.

"O caderno, por exemplo, traz uma linguagem mais fácil para o público da idade deles. Lemos juntos as histórias e as reportagens que têm a ver com a realidade das crianças e essa familiaridade ajuda muito no processo de alfabetização", considera a professora Cássia Aparecida Vieira de Souza Castilho.

Além destas duas ferramentas, a oferta de uma variedade de livros e gibis na escola já surtiu efeitos positivos: integrante de uma geração nascida após o advento da Internet, Ana Clara é certeira ao afirmar sua predileção pela palavra escrita.

"Gosto de assistir a vídeos no YouTube, mas prefiro mais o papel. Já até saí em uma reportagem do JC sobre uma apresentação que o grupo de capoeira do bairro fez em uma escola de Bauru. Também gosto bastante dos gibis da Turma da Mônica Jovem e dos cinco livros da Saga Crepúsculo. Já li todos", completa.

‘Cria experiência sensorial’

Facebook/Divulgação
Maria Luiza Canedo considera arte o trabalho com as palavras e indica que é preciso ler fontes confiáveis para escrever bem

Aos 30 anos, a arquiteta Maria Luiza Canedo divide a rotina profissional com a paixão pela leitura e a escrita. Colunista do JC há pouco mais de um ano, ela lembra das tardes que passava, ainda na infância, dedicando à leitura de livros e jornais. "Sempre foram minhas fontes confiáveis de informação. A leitura física, principalmente, cria uma experiência sensorial que muito me agrada", pontua. "E, ler, diariamente, é um hábito saudável. Traz uma noção e um conhecimento da realidade, além do contato com outras culturas, sem a necessidade de vivenciar aquilo de fato", complementa.

Fã da escrita, ela caracteriza como "arte" o ofício de lidar com as palavras. "Com elas, você cria poesia, história, conta um fato, mexe com sentimentos e pode até gerar atrito. Por isso, é preciso muito conhecimento e leitura para escrever bem", cita. (Marcele Tonelli)

Ler é ser: ato que orienta gerações

Pelas páginas do jornal ‘desfilam’ vários cadernos que ajudam o dia a dia a ficar mais informativo e atrativo desde as primeiras horas da manhã

Tisa Moraes
Alyne Dias, 14 anos: “Gosto de ler as matérias sobre Bauru Basket, novelas e filmes em cartaz”

Foi com o pai que a cabeleireira Alexsandra Castilho Gama, 45 anos, adquiriu, ainda no início da adolescência, o hábito de ler o Jornal da Cidade diariamente. E, assim como o pai já falecido, ela se tornou assinante do JC.

"O que mais gosto são os cadernos Ser e Cultura. Sempre olho as dicas do jornal sobre as opções de entretenimento em Bauru quando quero fazer alguma coisa. Mas leio o jornal inteiro para me manter atualizada sobre o que está acontecendo na cidade. Só tenho evitado um pouco os assuntos políticos", conta ela, que tem como ritual a leitura do JC em todas as manhãs.

"Às 6h30, junto com o café da manhã, estou sempre folheando as páginas. Mesmo tendo a versão disponível na Internet, não abro mão. É um hábito que me distrai e ajuda a me sentir melhor", salienta.

PREFERÊNCIA

Moradora do Jardim Ouro Verde, a estudante Alyne Damacena Dias, 14 anos, também desenvolveu o gosto pela leitura por incentivo dos pais. Quando começou a fazer balé no Centro Cultural "Carlos Fernandes de Paiva", aos 6, descobriu os livros da biblioteca e não parou mais.

Apaixonada por obras de terror e romance, ela também é leitora do JC, em especial dos cadernos de Esportes e Cultura.

"Gosto de ler as matérias sobre o Bauru Basket, ver o que tem sobre as novelas e os filmes em cartaz. Consulto para ao cinema quando quero assistir a filmes de ação, que é meu gênero preferido", acrescenta, recomendando às novas gerações que adquiram o hábito de ler. "É sempre oportunidade de conhecimento".

Alfabetização = satisfação

Samantha Ciuffa
Alfabetizada há três anos, Maria Antônia Cândido: habilidade

O JC desempenha funções bastante específicas e importantes aos leitores, dependendo da realidade de cada um deles. Há quem utilize o jornal como ferramenta para treinar a leitura com base em informações relevantes e há quem use estas informações para a tomada de decisões do dia a dia.

Faz quase quatro décadas que o policial militar da reserva Sebastião Augusto Magalhães, 70 anos, assina o JC. Além de se inteirar sobre todos os acontecimentos da cidade, do Brasil e do mundo, ele aproveita até mesmo as dicas gastronômicas.

"Tem dia em que eu pego para ler às 5h da manhã. Vejo tudo, do começo ao fim. E, quando tem umas receitas mineiras ou baianas, que gosto muito, eu faço", revela. Já Maria Antonia de Souza Cândido, 65 anos, ex-trabalhadora rural, ex-empregada doméstica, ex-manicure e, agora, estudante do Polo de Alfabetização de Jovens e Adultos do Núcleo Fortunato Rocha Lima, tem no Jornal da Cidade um instrumento para exercitar, em sala de aula, sua habilidade para ler.

'AGORA CONSIGO'

Há três anos frequentando o curso - decisão tomada depois de criar e encaminhar os três filhos, ela já acumula pequenos, mas significativos ganhos para alguém que dependeu, quase toda a vida, de ajuda para executar tarefas simples do cotidiano.

"Eu não conhecia letra nenhuma, mal sabia ler o meu nome. Agora, já consigo tomar ônibus sozinha, encontrar endereços nas ruas. E passei a sair e a conversar mais por ter aprendido muitas palavras novas. Ainda não sei tudo e não vou parar de estudar, mas a sensação já é de orgulho e liberdade", completa.

Confira o vídeo:

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