Algumas notícias realmente alegram o dia. Não são engraçadas, são surpreendentes. Duas recentes. Vou por partes. Na Copa da Inglaterra, um tal Wigan Athletic, da terceirona britânica, despachou o rico Manchester City, líder da Premier League. Mas não foi só o improvável 1 a 0 que chamou a atenção.
O Manchester teve mais de 80% de posse de bola, não sei quantos escanteios, dezenas de tiros ao gol, mas o rival pequeno aproveitou uma única bola que sobrou, anotou e o campo (jogava em casa) foi invadido por uma multidão fora de si de tanto entusiasmo. Como pode? Pode.
Outra que fiquei de cara foi o (improvável) encontro entre uma policial e o garoto que ela salvou há anos em Presidente Venceslau e que, hoje, também é PM. Os dois, por capricho do destino e das escalas de serviço, foram trombar no litoral paulista durante reforço do patrulhamento para o qual homens e mulheres da corporação em todo o Estado são remetidos. Ela tem 47 anos e ele, 22. A coincidência ocorreu em Itanhaém.
Quantos de nós já fomos impactados por coincidências legais? É o maior barato. Quando prestei vestibular em Londrina, corri para pegar um ônibus em movimento (que, tudo indicava, iria perder) e, lá dentro, estava um cara em pé com quem comecei a conversar naqueles poucos minutos entre um ponto de parada e outro.
O bastante para saber que ele também prestara UEL e, assim, como eu, achava que não passaria. Quando eu disse que também tentaria Rádio e TV na Unesp Bauru, já na hora de descer, ele informou que tinha feito o mesmo.
Não deu outra: primeiro dia de aula em Bauru e o cara, Júlio Tunussi, há anos na Globo, estava lá na sala. "Não falei?", bradou, já careca pelo trote recebido, por isso não o reconheci na hora (eu preservei meus cabelos graças a uma lábia inventada por força da necessidade).
O improvável deveria rolar mais vezes para divertir nossos dias previsíveis. Ele arromba a rotina, nocauteia a mesmice, chacoalha o planejado. Certa vez, na calçada da 9 de Julho, em São Paulo, vinha vindo o André, que comigo trabalhou em Bauru.
De novo: como pode? Pode e não precisa pedir licença, improvável: você é o único "entrão" do cotidiano que é bem-vindo. Ainda mais porque sempre saberá surpreender. É provável que a gente quase sempre goste de você.