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Por que os grosseiros existem? Por Alberto Consolaro


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Grosseria decorre da falta de cultura e é sinal de falha na formação humanística!

Se faz tanta confusão conceitual em época de discursos e promessas fáceis que é bom esclarecer. Educação difere de cultura, não são sinônimos. Educação também é diferente de ensino. Do pré-escolar até a universidade, deve-se considerar estas diferenças como critério de escolha!

Educação é um processo para desenvolver a personalidade e obter qualidades físicas, mentais, morais e estéticas em sua relação com o meio social. A educação induz uma concepção em relação ao mundo quanto aos ideais, valores, ideologia, ação, política e moral. Educar significa se preparar para a vida.

O professor educa, a escola oferece o ensino! Ensino é o conjunto de ações, métodos, meios e a criação de um ambiente e condições para passar conhecimentos, estimular habilidades, gerar e mudar atitudes propostas pelo educador. O ensino oferece estruturas e condições para se educar. Sem professores em número e com formação adequada, não se forma uma pessoa adaptada e feliz no mundo real!

Às vezes: 1) a escola não oferece as melhores condições de ensino, mas seus professores conseguem passar aos alunos tudo que planejaram, superando adversidades, 2) a escola tem estrutura maravilhosa, mas os professores são malformados ou desmotivados e até repassam conhecimentos, mas educação não é repassar conhecimento, é muito mais que isto, é formar indivíduos cultos e críticos!

Quem educa é o professor junto com a família, que é o menor espaço social onde se vive as relações humanas. A família e o professor, em consonância e sinergia, vão impregnando na personalidade do indivíduo a cultura de seu povo! Pode-se definir cultura como o conjunto de todo o conhecimento, artes, crenças, leis, princípios de moral, costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridas pelo ser humano para fazer parte plena de uma sociedade.

De vendedor a médico, passando por arquiteto e técnico em informática, qualquer profissional que seja grosseiro, estúpido, irritadiço, soberbo, orgulhoso e mal-amado assim se comporta porque é malformado, inseguro, não tem cultura, sabedoria e competência! Faltou uma educação adequada: a escola e a família falharam!

Investir em educação implica em ter: 1) professores que sejam verdadeiros educadores, 2) famílias organizadas e estruturadas econômica e socialmente, e 3) escolas estruturadas com bom sistema de ensino. Ser somente uma escola bem estruturada não gera uma educação eficiente!

VOCÊ EXISTE?

Sartre disse: só existimos como seres humanos quando temos consciência do que somos, qual é o nosso papel e nossa condição no espaço e tempo que vivemos! Este tipo de profissional grosseiro, de acordo com o existencialismo de Sartre, não existe como ser, ainda não chegou ao grau conhecido como humanidade!

Sem professores cultos e felizes e sem escolas estruturadas fica difícil educar e formar indivíduos socialmente integrados, respeitadores das pessoas e leis, com bons costumes em seguir normas e não roubar, e ter gentilezas nas relações e no trânsito, por exemplo!

Sem um mínimo de cultura impregnada em cada um de nós, continuaremos a viver a selvageria no mundo real e virtual, ambos igualmente selvagens! Esses parceiros: estupidez e grosserias, desonestidade e assédios, preconceitos e violência, são irmãos gêmeos siameses fusionados pela falta de cultura.

EXEMPLO

Quando Zeferino Vaz fundou a Unicamp, disse à sociedade e ao governador da época: uma escola se faz com seres humanos, apenas depois é que devemos preocuparmos com equipamentos e prédios. Ele visitava as outras escolas e convidava e contratava os professores indicados como os melhores pelos alunos e professores, sem se preocupar com suas titulações e sem "fake-rankings". Em poucos anos, a Unicamp figurava entre as melhores do país e do mundo, em várias áreas do conhecimento!

Na educação, cultura, ciência e tecnologia, as máquinas sofisticadas nada resolvem se as ideias e questionamentos de quem as utilizam não forem criativas e buscarem soluções e respostas interessantes para o conhecimento novo e a formação humana e a vida. O lado humano deve prevalecer sobre o profissional: sempre!

Tenha pena de grosseiros!

Alberto Consolaro é professor titular da USP Bauru. Escreve todas as terças-feiras no JC.

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