| Samantha Ciuffa |
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| O jornalista traz na bagagem episódios engraçados, surpreendentes, felizes e tristes |
Nos últimos anos, quando se fala em transmissão esportiva na rádio de Bauru, os ouvintes têm um nome certo para seguir. Ao completar 22 anos de carreira como narrador esportivo nesta semana, o jornalista e radialista Rafael Antônio acompanha as principais modalidades locais, como o Noroeste, Bauru Basket, Vôlei Bauru, FIB Futsal e o futebol amador. Formado em Jornalismo pela Unesp-Bauru em 2000, atualmente, ele está na Rádio Jovem Pan News Bauru - na 760 AM e, em breve, na 97,5 FM - e no site Jornada Esportiva, que é também uma webrádio, a primeira da cidade a promover a integração direta com o ouvinte no setor esportivo, há quase dez anos.
A paixão pelo rádio começou ainda na infância e a primeira oportunidade veio na adolescência, antes mesmo de entrar na faculdade. Com passagem por várias emissoras de rádio e também pela TV, Rafael conta um pouco de sua história e de outros assuntos. Confira os principais trechos da entrevista:
JC - Como surgiu essa paixão pelo rádio e pelo esporte?
Rafael - Foram duas situações. Na minha infância, eu jogava futebol de botão e ficava narrando os jogos. E também na escola, eu sempre gostei muito de praticar esportes, não só futebol. Quando eu estava no time "da espera", brincava de narrar os jogos. Na época, quem dava aula de educação física, em Agudos, era o professor José Otaviano Delazari, que sempre me estimulou muito no esporte. Eu pegava um tubo de PVC, simulando um microfone, e ficava narrando. Isso com 8 anos, 9 anos de idade. E, desde a infância, sempre gostei de ouvir jogo pelo rádio.
JC - E quais foram suas principais referências na rádio?
Rafael - Nacionalmente, tive duas grandes referências, que foram o Osmar Santos e o Fiori Gigliotti. E aqui em Bauru sempre gostei muito do Paulo Sérgio Simonetti, Luiz Carlos Silvestre, Carlute, José Carlos Gonçalves. Na minha infância e adolescência, cresci ouvindo muitas transmissões deles. Isso me estimulou a começar a participar de programas de rádio. Comecei participando do programa Samba e Bola da Rádio Auri-Verde, do Franco Júnior, em 1992. Além de dar palpites, sempre narrava alguma jogada de um jogo que aconteceu. Foi quando comecei a ter amizade com o pessoal da rádio e, em janeiro de 1994, ganhei um prêmio e fui lá receber. Aí, comecei a observar como era o trabalho deles. Não tinha Internet. Eu falei para o Franco Júnior se ele não queria um ajudante para o plantão esportivo, ele aceitou, só disse que não teria como me pagar (risos). Eu aceitei. Saía todo domingo de Agudos, pegava o ônibus circular e vinha para Bauru, passava o dia ajudando lá.
JC - O primeiro emprego foi na Auri-Verde?
Rafael - Isso, comecei lá. E sou muito grato a algumas pessoas. A primeira é o Franco Júnior, que me permitiu conhecer a rádio e aprender. A segunda pessoa é o Afonso Alves, já falecido, que me deu a chance de falar na rádio, no plantão esportivo, e ao Antônio Carlos de Jesus (já falecido), que me registrou como funcionário da rádio, e o Luiz Carlos Silvestre. No dia 8 de março de 1996, ele me deu a chance de narrar um jogo pela primeira vez. Foi um jogo entre Inter de Limeira e Noroeste, em Limeira. O Noroeste venceu por 3 a 1. Eu lembro que ele falou da possibilidade de fazer o jogo, porque ele passaria por uma cirurgia. Fiquei umas três noites sem dormir (risos). No começo, teve a ansiedade. Mas aí, quando começou, deu tudo certo e não parei mais.
JC - E você passou por outros veículos depois?
Rafael - A minha primeira passagem na Auri-Verde foi muito rica, fiz todas as funções, fui plantão esportivo, repórter, narrador, comentarista, produtor. Em 2004, quando completou dez anos, pedi para sair. Aí, fiz narrações para rádios de Maceió e Jundiaí. E também fiz televisão, na TV Preve e Band. Sou muito grato ao Samuel Ferro, que me deu oportunidade na TV Preve, fazendo não só esporte, mas jornalismo geral. E mais recentemente, o Jornada Esportiva.
| Reprodução/Facebook |
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| Para Rafael, é dinâmica a narração do jogo de basquete |
JC - No Jornada Esportiva você passou a empreender e a interagir mais, certo?
Rafael - Hoje o leitor, ouvinte e telespectador quer interagir. Foi um processo bacana, em que a gente podia inovar, com plataformas novas, experimentar sem aquela neura de ter uma audiência, que foi sendo conquistada aos poucos e abriu chance para outros profissionais começarem na rádio. E isso é gratificante. E depois acabou unindo o trabalho do Jornada Esportiva com a rádio. Atualmente, na Jovem Pan News, integrou tudo.
JC - Você fala quantas palavras por minuto em uma narração? E qual esporte é mais difícil narrar?
Rafael - Nunca medi quanto eu falo em uma transmissão, mesmo por minuto. Agora, tem diferença de um esporte para outro. O futebol é mais lento. O grande desafio é dosar a participação de todos na transmissão: repórter, comentarista, interação com ouvinte, publicidade. O basquete, vôlei e futsal são modalidades mais dinâmicas. Então, o raciocínio tem que ser mais rápido.
JC - E qual a narração que mais o marcou?
Rafael - A transmissão mais difícil foi a do dia 25 de fevereiro de 2006, no Alfredão. Na época, pela 710. Um jogo entre Noroeste e Palmeiras. Aos oito minutos do primeiro tempo, o Jota Júnior noticiou a morte do Celso Zinsly. Era uma pessoa próxima e durante dez minutos tive que segurar sozinho a transmissão. O Jota Júnior estava no hospital e o Walter Lisboa e o Jota Martins tiveram o choque da notícia. Então, foi um dos momentos mais difíceis da carreira. Agora no aspecto esportivo, teve aquele 4 a 0 do Noroeste sobre o Bandeirante, no acesso em 2005 e a vitória sobre o Corinthians na estreia do Paulistão de 2006. Já o rebaixamento em Paraguaçu Paulista em 1999, me marcou, porque foi a primeira vez que narrei uma queda. No basquete, o título da Liga das Américas em 2015 no Rio de Janeiro e o primeiro Brasileiro, em 2002, na Panela. No vôlei, aquela vitória em 2015 contra o Rio de Janeiro do Bernardinho. Então, várias marcaram.
JC - E nas viagens, alguma loucura pra conseguir chegar a um jogo?
Rafael - É comum dormir em rodoviária, aeroporto. Não tem nada glamouroso (risos). Em posto de combustível mais ainda. Já cheguei duas vezes com o jogo andamento no basquete, porque pegamos trânsito em São José dos Campos e em São Bernardo do Campo. Teve jogo que não vi e narrei. Cheguei a fazer jogo do orelhão. A linha deu problema. Em um deles, em Santo André, em 2008, o Guilherme Dias (na época repórter da equipe) ia fazendo gesto e eu narrando. Uma vez no sub-20 contra a Francana, fora, foi na base do gesto também. Outra história curiosa foi narrando para uma rádio de Maceió. Eu estava narrando o jogo do CRB em Criciúma e eles não podiam levar o gol. O prefeito de Maceió entrou no ar e pediu "pelo amor de Deus, acaba esse jogo, o CRB não pode cair" (risos). Felizmente, o CRB se manteve na Série B naquele ano. Foi curioso, um prefeito de uma capital importante sofrendo com a transmissão do jogo.
| Douglas Reis |
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| Rafael Antônio nos estúdios da Jovem Pan News Bauru, onde atualmente transmite os jogos e apresenta programa diário de esportes |
JC - Cobrir esporte está mais chato hoje?
Rafael - Infelizmente. As federações, ligas e clubes querem implantar um profissionalismo, mas eu vejo que a imprensa sempre foi profissional. E hoje tudo é muito tolhido pelas assessorias. Hoje, repórter que dá furo é mal visto, o que é algo perigoso para o jornalismo. Não sou contra as assessorias, acho que todos tem que fazer seu trabalho, mas deve haver um respeito com todos os profissionais.
JC - O momento atual do esporte bauruense é o melhor em muito tempo, isso ajuda também?
Rafael - Com certeza. Bauru hoje é a cidade do País mais privilegiada em esporte de alto rendimento. Fora São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, é a cidade que mais tem modalidades. Noroeste com um projeto sólido, desperta interesse. O Bauru Basket está consolidado e é respeitado onde vai, vejo isso nas viagens que faço. O Vôlei Bauru também se estruturando e crescendo, agora terá a parceria com o Sesi. A FIB no futsal, a ABDA que faz um trabalho fantástico no polo aquático, natação e atletismo. Então, as pessoas aqui muitas vezes não dão o devido valor, mas quando você vai fora de Bauru, percebe como a cidade é privilegiada. Isso se deve à iniciativa privada, acho que o poder público poderia ajudar um pouco mais, dentro das possibilidades.
JC - Algum projeto para o futuro?
Rafael - Gostaria de voltar a fazer um programa diário, como era o Bauru Agora na Auri-Verde. Era um programa em que as pessoas tinham espaço para cobrar as autoridades e a gente falava de forma direta com prefeito, secretário, vereadores. Se não for na rádio, pode ser algo na Internet, no YouTube. Vou amadurecer melhor, quem sabe para o ano que vem.


