| Aceituno Jr. |
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| Laura Câmara orienta que o profissional não perca tempo com lamentação e aposte em requalificação em cursos de curta duração |
É claro que a nova vaga não "vai cair do céu". Você vai precisar seguir algumas orientações. Além disso, você terá de, digamos, pôr a 'cabeça no lugar'. O preparo psicológico para o enfrentamento da situação precisa ser realizado rapidamente. Todas as pessoas possuem mais de uma competência, mesmo que tenham passado anos, décadas, fazendo a mesma coisa.
Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos São Paulo (ABRH SP), Regional Centro Oeste, Laura Câmara, é preciso respirar fundo e olhar outros ângulos. "Primeiro, é necessário verificar que a economia dá sinais claros de recuperação. Postos de trabalho já estão sendo retomados. O que era recessão plena agora é otimismo de reação. Depois, é preciso que este trabalhador, sobretudo de funções mais operacionais, saiba que o que já conhece tem peso. Ele certamente poderá agregar isso a novas competências, desenvolver-se inclusive em outras áreas. A orientação é levantar cursos de curta duração e ver aqueles em que possa reciclar o que já sabe, a habilidade que já domina, com complemento", aborda.
De outro lado, Laura, que também é gerente de RH e comunicação do Grupo Lwart, aposta em novos caminhos. "É preciso apostar em aprendizado. Experimentar ou analisar quais competências podem ser desenvolvidas. Ver em que tipo de operação ou conteúdo esse profissional que dedicou uma longa trajetória de sua vida em um único ofício pode se desenvolver. Estar pronto para aprender é uma atitude fundamental nesta fase. Também é fundamental que esse trabalhador não caia na armadilha da culpa, do sofrimento. É preciso que ele tenha apoio da família, dos amigos e ter atitude para enfrentar a demissão e ir à luta", menciona.
A especialista sugere a atenção para cursos de rápida duração. "Há inúmeras oportunidades para carreiras ou habilidades que contam com empresas na região. É preciso que este trabalhador que dedicou anos de sua vida a um único ofício entenda que há oportunidades. O mundo do trabalho se atualiza. E essas oportunidades valem para todos. Em Lençóis Paulista, por exemplo, foi criada uma Escola Técnica Criativa, Etecri. São cursos de quatro meses de duração. São oportunidades de requalificação, aperfeiçoamento que abrem caminho para a economia criativa. Há oportunidades em áreas onde é possível aproveitar o que se sabe, em um segmento ou habilidade, com novas informações. Ou são cursos rápidos para um aprendizado novo mesmo, para desenvolver uma nova competência", explica Câmara.
Para Laura Câmara, desenvolver novas competências aliado a uma postura dinâmica, aberta para aprendizados, pode ser a chave para a virada de mesa. "Mobilizar conhecimento, agregar valor, informações novas, entender que se uma porta fechou outras poderão se abrir se este profissional estiver disposto a se qualificar ou partir para um novo caminho. Lidar com um mundo mais imprevisível, mas sem receio de aprender. A atitude faz a diferença", completa.
Novas competências, novo trabalho
| Divulgação |
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| Para Alexandra Fabri, trabalhador deve demonstrar estar aberto a novos desafios |
A ideia do "só sei fazer isso" precisa, de cara, ser eliminada da cabeça de quem perdeu o emprego após longos anos de dedicação. "É preciso estar aberto. Entender que o que essa pessoa fez por anos não é a única coisa que ela sabe fazer. O que aconteceu é que ela não desempenhou outras habilidades que possui durante muito tempo. É muito improvável que uma pessoa não tenha aptidão para outras habilidades. Então, esse trabalhador não pode ficar preso à ideia fixa de que não sabe fazer outra coisa", avalia Alexandra Fabri, especialista em RH e gestão de pessoas.
Além de pensar em novas competências, outras portas devem ser levadas em conta. "Desenvolver ou apostar em novas habilidades, competências é essencial. Mas pensar também em abrir negócio próprio. Analisar o mercado, procurar orientação de instituições com larga experiência para levantar oportunidades (como o Sebrae) e avaliar que aquela competência original que esse trabalhador sabe tão bem realizar pode ser a saída mais rápida, e segura, porque já sabe como se faz", opina.
Abrir o leque é outra orientação. "Buscar reciclagem e conhecimento. E não procurar atualização só naquilo que se sabe. Analisar outra função que gosta. E para outra parte desse público, a recolocação pode estar em agregar conhecimento. É o caso de alguém que sabe muito bem uma tarefa, mas falta a ele incluir conhecimento, ou uma ferramenta, como conteúdo tecnológico. Quando a lavoura da cana de açúcar mecanizou falou-se que era o fim. E esses trabalhadores migraram para outro segmento, onde a força do trabalho braçal continua sendo aproveitada ou se reciclaram", exemplifica.
Porém, para Alexandra Fabri, o erro mais comum que atrapalha o acesso a novo emprego está no comportamento diante das entrevistas. "Mesmo com reciclagem, qualificação, o que conta muito é o comportamento desse trabalhador, o mais operacional, na hora da entrevista. É preciso que esse trabalhador se prepare emocionalmente para a entrevista. Ela é fundamental. Não é hora de falar em lamentações, de frustração com o que aconteceu. É preciso mostrar otimismo, atitude, abertura para aprender, disposição para novos desafios. E o desempregado em funções mais operacionais tende a mostrar maior fragilidade no enfrentamento dessa postura. O fator psicológico é o que será mais determinante", adverte Fabri.
Alexandra reforça, ainda, a busca por alternativas. "Procurar cursos técnicos de curto prazo para agregar ao que já se sabe fazer. Ver que por vezes esse trabalhador opera muito bem uma máquina, mas agora a saída é montar uma empresa de serviços para consertos especializados nesse segmento, por exemplo. Agregar ou transformar algo a uma habilidade original", completa.
Mapeamento busca e qualifica vagas
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon) aposta na implementação de projetos, em parceria com a iniciativa privada, para qualificação de mão de obra em setores da área de serviços, como recuperadores de crédito e modelistas, em Bauru. Paralelamente a isso, a titular da pasta, Aline Fogolin, explica que a recolocação no mercado de trabalho tem maior potencial por aqui nas áreas de estética e beleza, além do varejo de vestuário, venda de varejo porta a porta e construção civil.
| Samantha Ciuffa |
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| Aline Fogolin aponta áreas com mais potencial de gerar novas vagas em Bauru |
Conforme a secretária, o levantamento de dados está sendo realizado ao mesmo tempo em que ações para inovação estão sendo preparadas. "As políticas públicas que podemos atuar para melhorar o cenário para a recolocação no mercado de trabalho são a identificação da necessidade dessa mão de obra em nossa cidade. No ano passado, fizemos trabalho junto com a Sebes (Secretaria do Bem-Estar Social), que será atualizado neste primeiro semestre. São contratadas entidades como Cáritas, Proati e Fundação Toledo. Eles conseguem nos ajudar com censo, levantamento, para atualizar esses dados", posiciona.
Fogolin diz que o Emprega Bauru começa a obter informações sobre o movimento pela procura e aceitação de vagas. "E isso não existia. Começamos essa ação no final do ano. Saber quem é este desempregado e quais competências eles tem ou pode desenvolver é primordial", defende.
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De outro lado, a secretária, que tem experiência junto ao Sebrae, aposta na capacidade de cada um empreender. "O trabalhador com experiência de muito tempo em uma atribuição inicial pode empreender. E Bauru cresce nessa modalidade, já com mais de 23 mil microempreendedores formalizados. E se ele não vai empreender, que ele seja encaminhado para recolocação ou vá para o setor de serviços", opina.
É o caso, segundo Aline, do trabalhador que passou boa parte de sua vida fazendo uma única coisa, mas tem capacidade produtiva para trabalhar em outra atividade. "É uma tendência mundial o segmento de serviços absorver essa mão de obra. É o faz tudo, o marido de aluguel, o trabalhador que concilia ser bom em madeira com um curso rápido para entrar no segmento agregando sua habilidade, o vendedor porta a porta, sobretudo de alimentos, como bolo, doces, salgados, e o número significativo de barbearias com opções para estética e beleza na cidade", menciona.
SEGMENTO
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Aliás, ela aponta estética e beleza, varejo do vestuário e construção civil como os setores que mais se desenvolveram por MEIS. "É a mulher, o pai de família, o filho, que passaram a ver na MEI uma oportunidade de empreender. Desenvolvimento de serviços é o que tem se fortalecido na cidade", comenta.
Aline Fogolin pontua sobre o segmento de recuperação de crédito. "Temos ouvido e avaliado junto às empresas do setor que elas investem na hora técnica, hora aula, na capacitação, e, às vezes, por uma pequena variação salarial, esse profissional vai para outra empresa. A prefeitura está finalizando um projeto para escola, com apoio da iniciativa privada, para o recuperador de crédito, ainda neste ano", conta.
A costura é outro segmento que terá projeto de formação local. "Temos perdido essa mão de obra. As modelistas estão desaparecendo e são muito disputadas no mercado. É uma confecção que não possui marca própria, estilistas, desenhistas. Recebemos a demanda de treinar essa mão de obra aqui na cidade, de costureiras e modelistas. Então, estamos também montando projeto, com iniciativa privada, para esta mão de obra. Estamos ouvindo o mercado e elaborando projetos para ajudar na construção dessa proposta de dar horizonte de empregabilidade para quem procura recolocação", informa.
Para o governo local, a nova visão da empregabilidade virá, em poucos meses, a partir da Comissão Municipal para Inovação, Ciência e Novas Tecnologias. "Porque é um trabalho que integra quase todas as universidades, onde está o conhecimento. Dividimos os trabalhos em Agenda Municipal de Inovação e o pessoal da Lei de Inovação. Nossa proposta é discutir o que Bauru quer ser quando crescer. Não sabemos para onde vai essa cidade. O investidor que vem aqui e aponta logística e mão de obra qualificada. Mas esse mercado quer Centro de Inovação. Então, vamos preparar outro tipo de mão de obra, como o polo de saúde que se fortalece ao redor dos cursos de medicina instalados", finaliza a secretária.
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| Oneir Caçador atuou 41 anos em concessionária de autos; agora, lida com adubo |
Da revenda ao adubo
Oneir Caçador vendeu milhares de veículos VW ao longo de 41 anos em uma concessionária em Bauru. Aposentou, deu ênfase a sua veia em comunicação e pescaria, mas foi no segmento de adubos, desconhecido para ele, que refez sua participação no mercado.
"Para mim foi tudo novo. Vendi mais de 13 mil carros e acho que fiz sempre bem como vendedor e gerente de grandes revendas. Fui muito feliz no que fiz. Acho que meu lema fez a diferença no segmento novo, de adubos, o comprometimento. Parei quatro anos, antes de entrar nessa nova jornada e está indo muito bem, conta. Caçador diz que não teve aflição com a mudança. "Já estava aposentado há 18 anos. Recebi inúmeras propostas nesse período, mas sempre dentro do que eu já sabia fazer. Trabalhei com carteira assinada desde os 12 anos. Sinto-me realizado nesta nova jornada também. As pessoas devem ir em busca de desafios", diz.
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| Oseas Pereira foi músico por 15 anos; depois montou um buffet |
Da música para o buffet
Oseas Pereira Silva foi músico por 22 anos. Viveu, durante todo esse tempo, o sonho do jovem que via na formação de uma banda, nos palcos, o ideal de vida futura. A música, conta, trouxe alegrias. "Mas chega um tempo em que as coisas não dão certo e você precisa tomar uma decisão. Quando o mercado ficou muito difícil, eu aproveitei o fato de minha esposa já trabalhar na área e decidimos nos unir para um negócio próprio. Deixei o contrabaixo para assumir a churrasqueira", revela.
Oseas diz que teve de aprender tudo. "Foi difícil a adaptação. Além de eu não saber nada do ramo, os horários, as rotinas são muito diferentes. Hoje já temos três anos de negócio e está indo muito bem", observa.
O pequeno empresário do ramo de serviços com alimentação sugere para quem está fora do mercado: "Não fique preso ao medo, que é muito natural ter. Se reinvente. Sempre dá certo se há perseverança".
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| Cristiano Guirado deixou anos de redação no jornalismo impresso para montar escritório de marketing e comunicação digital |
Mudança de hábito
O jornalista Cristiano Guirado frequentou uma redação por 17 anos. Ao deixar o meio impresso diário atuou como pessoa jurídica. A experiência não avançou e, com o ápice da crise, se viu pressionado a se virar. Atuou com assessoria de imprensa. Quando um contrato chegou ao fim, Guirado, enfim, decidiu pôr sua experiência com o meio digital em prática. "O meio digital é muito rápido. As ferramentas do marketing digital também. Ter percepção das mudanças em curso e para o futuro é essencial. O que fez a diferença foi eu já ter experiência com blog e ferramentas da área", menciona.
A certa altura, o retorno financeiro com os trabalhos do marketing digital "concorriam" com o ganho da assessoria. Neste momento, ele mergulhou nas plataformas. "Eu meio que dei sorte de ter a convivência no ambiente blogueiro na primeira década do século 21, o que me gerou esse apego com a comunicação digital", fala. Hoje, o jornalista está inteiramente ligado ao ambiente do marketing digital.







