| Fotos: Ana Beatriz Garcia |
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| Na tarde quente dessa segunda (5), Luciano Henriques aproveitou para comprar uma água do garçom João de Paula |
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| Gravata, camisa e calça sociais: para vender água no cruzamento da rua Treze de Maio com a avenida Rodrigues Alves, João fica ‘na estica’ |
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| João de Paula recebe ajuda de Maicon Domingos de Souza na reposição do estoque de garrafinhas |
"Com licença senhor, aceita uma água?". Questionamento comum em restaurantes pode, agora, ser ouvido ao parar o carro em alguns semáforos de Bauru. Vestidos com gravata, camisa e calça sociais, com garrafinhas de água em um balde de gelo em punho e munidos de gentileza e simpatia, os garçons do semáforo começaram a atender em Bauru.
Embora a prática de comercializar itens no sinaleiro já seja bastante conhecida - não só em Bauru, mas em várias cidades - o projeto, dessa forma, é uma novidade. Há duas semanas, quem passa pelo cruzamento da rua Treze de Maio com a avenida Rodrigues Alves ou na esquina da rua Aparecida com a avenida Nações Unidas já pôde perceber a movimentação.
"Achei diferente, nunca tinha visto. É muito bom contar com isso aqui", disse o vigilante Luciano Henriques, de 42 anos, enquanto comprava uma garrafinha de água no semáforo da Treze de Maio com a Rodrigues, quando a temperatura na cidade atingia os 33 graus, na tarde de ontem.
A ideia é gerida por Maicon Domingos de Souza, de 23 anos, que é maître há 3 anos e por seu cunhado (criador do projeto), que é gerente no estabelecimento onde ele trabalha. "Nosso intuito é ajudar quem está precisando de uma renda extra de uma forma diferenciada para a cidade", comenta Maicon explicando, ainda, que cada garçom pode receber de R$ 25 a R$ 70 por dia de trabalho. "Além disso, recebem auxílio-alimentação e transporte", diz.
OPORTUNIDADE
João de Paula, de 48 anos, era motorista em Maringá (PR) e estava a procura de emprego em Bauru. Por ter parentesco com Maicon, o caminho ficou um pouco mais fácil. "Ele me chamou para trabalhar com isso e eu logo aceitei a oportunidade. Estou gostando de ser garçom no semáforo porque as pessoas acham diferente e estão elogiando bastante o meu serviço", comenta.
Com uma bandeja e um balde com duas ou três garrafinhas, João espera o semáforo fechar para começar suas vendas. Ajeita a gravata - por enquanto, emprestada de Maicon - e vai de carro em carro dizendo: "Com licença senhor(a), aceita uma água?". O intuito é vender as 45 garrafinhas que são disponibilizadas todos os dias. "Quando necessário, eu faço a reposição. Depois de vender 25 unidades, o garçom ainda pode tirar R$ 1,00 a cada água vendida", explica Maicon.
Cada garrafinha é vendida a R$ 3,00, as opções são de água com e sem gás. Mas, em breve, o serviço contará mais opções e ampliação. "Ainda queremos oferecer suco e guloseimas. O nosso objetivo futuro é colocar um garçom em cada cruzamento da Rodrigues. Também pensamos em uniformizá-los para melhorar a identificação", conclui o maître.


