Articulistas

Quaresma

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 2 min

Esse tempo quaresmal serve para revisar nossa caminhada neste planeta. Há cerca de 6 semanas fui operado pelo dr. Antonio Aurelio da fratura da rótula, por escorregar numa calçada limbosa e malcuidada da cidade.

Um tratamento repleto de dedicação e amor ao próximo foi-me dispensado no Hospital da Unimed. Ao ficar em repouso em casa, sob total dependência da dedicada esposa Celia, para todas as necessidades, mesmos as mais primárias, saí do piloto automático diário e comecei a valorizar cada copo de água, cada mensagem recebida de amigos e parentes nos incentivando e tornando a caminhada e recuperação mais amenas.

Companheiros da faculdade me substituindo para que cumprisse o repouso e as sessões de fisioterapia, tão carinhosamente exercida pela competente Valeria e dedicada equipe. Fiquei mais atento às necessidades daqueles que estão em situações de vulnerabilidade de locomoção, principalmente pela sede de poder de governantes que, ao serem eleitos pelo povo, depois os escravizam obrigando-os a abandonar tudo e até a sairem de seus próprios países.

Qual é o nível mínimo de humanidade desses políticos? Recebi imagens chocantes de assassinatos, na sua maioria jovens mortos defensores de criminosos que levam outros à morte pelo consumo de drogas. Vendo e lendo diariamente o comportamento dos nossos representantes, fico a duvidar que mentes com novos propósitos possam redirecionar o país para um futuro melhor. A massa de pessoas desempregadas soma populações de muitos países e mesmo que as pesquisas apontem para a recuperação, quanto tempo esses desempregados aguentarão ate que explodam em fúria?

O Papa Francisco sugere paciência e misericórdia nesse tempo quaresmal, mas como suportar essa crise moral que vivemos? A leitura do livro 'Uma breve história da humanidade', Sapiens, do autor Yuval Noah Harari, nos dá uma ideia do comportamento destruidor da espécie humana. Comparando os avanços espetaculares feitos pela humanidade e como dirigentes, principalmente de países mais pobres, se comportam, me assusta.

Próximo dos 70 anos, com muitos dias já vividos e poucos a viver, preocupa-me o futuro da humanidade, mesmo sabendo que não assistirei, mas que pelo que já vivi, faz-se uma ideia.

E realmente difícil conquistar pessoas para exercer trabalhos voluntários. Olhemos mais para o nosso interior e o que nos propomos a mudar para melhor.

O autor é professor da FOB/USP, membro do Lions Clube de Bauru Centro e MECE da Paróquia Universitária.

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