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Consumidor reclama, mas é permissivo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Fernanda Pegoraro, do Procon: "O poder de escolha é uma ferramenta valiosa e o consumidor tem de começar a se movimentar"

São poucos os bauruenses que não reclamaram, ao menos uma vez na vida, de produtos com defeito ou de falhas em serviços prestados. Mas, apesar das queixas, que podem se restringir ao círculo familiar e de amigos ou até mesmo chegar à ouvidoria das empresas, os consumidores não costumam adotar posturas drásticas para evitar que o problema se repita.

Esta é a constatação da coordenadora do Procon Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro, na data em que se comemora o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. Segundo ela, não é incomum uma pessoa registrar mais de uma reclamação junto ao órgão contra uma mesma empresa.

"Ela vai ao Procon, o problema é resolvido e, um tempo depois, aparece de novo com uma nova queixa. Quando não, ela relata, durante o atendimento, que não é a primeira vez que está sendo lesada, o que demonstra que, mesmo insatisfeita e indignada, acaba continuando a investir seu dinheiro naquela mesma empresa", frisa.

Neste dia especial para o consumidor, Fernanda reforça a importância da conscientização sobre o poder que cada um tem para forçar as empresas a melhorarem a qualidade dos serviços prestados. "O poder de escolha é uma ferramenta valiosa e o consumidor tem de começar a se movimentar, porque a empresa, quando é preterida por outra e começa a perder espaço no mercado, se vê obrigada a rever suas políticas internas para reconquistar clientes", pontua.

Mas é claro que, em algumas situações, a busca por alternativas tende a ficar mais limitada. Mudar de instituição bancária ou parar de comprar em uma determinada loja parece uma tarefa bem mais simples, por exemplo, do que descobrir a melhor relação custo-benefício dentro do setor de telecomunicações, em que poucas empresas controlam o mercado, restringindo a concorrência e as opções à população.

RANKING

Não por acaso, as empresas que oferecem Internet, TV por assinatura e serviços de telefonia são, historicamente, as campeãs de reclamações no Procon. "Mas, entre elas, sempre tem uma que registra menos reclamações ou que alcança um melhor índice de solução dos problemas", aponta.

Segundo ranking do Procon Bauru, seis das dez empresas com maior número de queixas não resolvidas com a mediação do órgão são nomes do setor de telecomunicações. São elas que concentraram, inclusive, mais da metade das 421 reclamações registradas contra os 20 fornecedores de produtos ou serviços mais denunciados no ano passado.

"E estas são apenas as queixas que geraram agendamento de audiência, quando há indícios de violação do direito do consumidor, porque a empresa não solucionou a demanda por meio de acordo, não apresentou documentos que comprovassem a inconsistência do argumento do cliente ou sequer se manifestou para defesa", detalha.

 

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