| Uati/Divulgação |
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| Grupo da Uati tira selfie durante excursão internacional, no ano passado, para a Itália: (atrás) Conceição Souza, Mariza Pereira, Ana Maria Alves, (frente) Irma Regina de Souza, Rosana Negri e Vânia Moreto; em Porto Recanati, Mar Adriatico |
Projeções apontam que o contingente de pessoas acima dos 60 anos após 2030 será maior do que o de crianças e adolescentes. No último censo demográfico, Bauru possuía 44.941 nessa faixa etária, sendo 26.022 mulheres e 18.919 homens, segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, em 2010). E a expectativa é que este número tenha aumentado. Como reflexo desta realidade, já é possível observar o crescimento de serviços e ofertas de atividades de lazer e diversão voltadas à terceira idade, com a missão de proporcionar melhor qualidade de vida. Afinal, sempre é tempo de viver e se divertir.
Alguns exemplos de entidades e locais em Bauru que oferecem opções entretenimento, especialmente para pessoas acima dos 60 anos, são o Sesc, o Sesi, o projeto Suavidade da Associação Luso Brasileira, o Clube da Vovó, a Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos de Bauru e Região (AAPIBR), a Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), vinculada à Universidade do Sagrado Coração (USC), Associação da Terceira Idade de Bauru (Atiba) e a Turma da Tosse de futebol do Bauru Tênis Clube (BTC).
Entre os mais cotados estão bailes, jantares, excursões, intercâmbios e até grupos esportivos que tem como personagens principais a figura da pessoa idosa.
| Sesc/ Divulgação |
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| Grupo da terceira idade de Bauru participa de atividade em piscina, durante excursão para o Sesc de Bertioga |
Nesta e nas próximas páginas, o JC nos Bairros de hoje traz exemplos e relatos dessas experiências. E aborda o benefício que a prática da diversão e do lazer trazem para a vida de quem, literalmente, coloca as rodinhas nos pés e sai de casa para rir e fazer amizades.
INTERCÂMBIO DA 3.ª IDADE
Foi em busca de utilizar o ensino de uma língua diferente para ampliar o repertório cultural de pessoas da terceira idade, que professores da UATI/USC têm organizado, há pelo menos um ano, viagens internacionais com grupos de alunos. Nos dias em que passam fora do Brasil, eles aprendem a língua e aproveitam para passear e conhecer o País escolhido à tarde.
No ano passado, um grupo viajou para a Itália. O sucesso do intercâmbio foi tanto que, neste ano, a viagem, desta vez coordenada pela professora de inglês da Uati/USC Karina Veronese Scarabel, 20 anos, lotou e não foi possível abrir para participantes de fora da Uati.
Em 29 de junho, ela e mais 10 senhoras alunas do curso partem para um intercâmbio em Toronto, no Canadá. "Isso faz com elas saiam da zona de conforto. Além de aprimorar outra língua, conhecer outro País abre a cabeça e mostra que a idade não é limite para nada", comenta Karina. "Percebi que o nosso relacionamento transcendeu a sala de aula, nos tornamos um grupo de amigas depois disso, elas (alunas senhoras) são bem animadas e topam tudo", acrescenta.
As experiências de lazer e diversão por lá têm sido tão positivas que a coordenadora da Uati Verônica Carneiro já planeja outras atividades, porém locais. "Em datas pontuais, a ideia é realizar passeios, momentos de convivência. O Zoológico de Bauru é uma opção", cita.
Você Sabia?
Terceira idade é a fase da vida que começa aos 60 anos nos países em desenvolvimento, como o Brasil, conforme prevê o Estatuto do Idoso. Nos países desenvolvidos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa fase começa aos 65 anos.
Bailes são 'point' de sexta a domingo
Valsa, rancheira, bolero, samba e tcha tcha tcha. Os ritmos são variados, tudo para agradar o gosto da clientela, formada em sua maioria por pessoas na chamada melhor idade. Os bailes voltados às pessoas acima dos 60 anos ocorrem de sexta a domingo em Bauru. Dois dos "points" mais badalados chegam a reunir público de mais de 200 pessoas.
Na Associação dos Aposentados e Pensionistas Idosos de Bauru e Região (AAPIBR), localizada no Centro, o baile acontece às sextas-feiras, das 20h às 0h, e aos domingos, das 19h às 23h. Já no Clube da Vovó, na região do Bela Vista, ocorre aos sábados, das 19h30 às 0h.
Seo Mário da Paz pereira, 83 anos, ex-presidente e atual diretor do AAPIBR conta que os bailes ocorrem há mais de 20 anos e que chega a reunir pessoas de outras cidades como Lençóis Paulista, Dois Córregos, Botucatu, Duartina, Piratininga, Agudos, Bonita. "Os bailes são em prol ao associado, mas recebemos não sócios também para ajudar a manter os custos, que não são poucos", comenta Mário. Nos dia de baile sócios pagam R$ 5 pela entrada e não sócios R$ 10.
Aposentados há três décadas, ele diz ser, inclusive, um dos participantes que mais dançam na noite. "Isso aqui é a minha alegria. O dia em que eu não aguentar dançar eu vou chorar muito. A gente vive melhor quando dança, a musculatura é outra. Quanto mais em casa, mais a gente adoece, por isso é preciso se divertir", observa seo Mário.
Além dos bailes, a entidade, que cobra mensalidades entre 14 e 17 reais também promove excursões uma ou duas vezes por ano. A próxima, inclusive, já está com o ônibus fretado lotado e deve ocorrer de 4 a 10 abril.
EM FESTA
Aos 81 anos Clarice Priolo Ribeiro é uma das mais assíduas do Clube da Vovó. Não à toa, hoje à frente da direção social da entidade, presidida por Ada Maria Tupy de Aguiar, ela participou da fundação do clube, que completará quatro décadas de existência no dia 23 de março. No baile do dia 24 haverá bolo com direito ao "Parabéns".
Antigamente, a entidade fazia mais bailes, festas temáticas e concursos. Agora, o espaço é alugado para outros eventos nos dias de desuso. "Bauru está fraca de público, a crise pegou a gente em cheio. Devia haver uma parceria com prefeituras para trazer ônibus de cidades vizinhas para cá. Mas não temos dinheiro para propaganda", afirma dona Clarice.
A mensalidade por lá é de R$ 15. E, nas festas, o preço da portaria aos associados é R$ 5, e não associados R$10.
"Gostaríamos de fazer mais, porque Bauru não tem opção para a gente. Mas o custo de tudo é muito oneroso", avalia Clarice.
Suavidade da Luso tem festas temáticas, jantares e excursões
| Marcele Tonelli |
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| Maria Rosa Gomes dos Santos mostra fotos da excursão ao Rio com o grupo Suavidade |
Neste ano, o Projeto Suavidade da Luso completa 18 anos. Coordenada por Norma de Cordeiro, 66 anos, a ação possui um calendário diverso com festas, temáticas, jantares e baile. A próxima deve ocorrer no dia 31 de março, sábado de Aleluia. Para abril está programado o jantar dançante “Macarronight” e a festa temática Baile Viva Brasil. "Até o final do ano, todo mês tem festa voltada à terceira idade", cita Neusa.
Ela conta que o projeto surgiu de uma percepção da diretoria do clube, que verificou a necessidade de implantar atividades de lazer focadas para este público. Os jantares possuem um custo e há possibilidade de participação de não associados do clube.
Além disso, a entidade também promove excursões para associados. "Na verdade, é muito mais do que apenas festa e viagem. Em grupo, todos se sentem acolhidos. Viramos uma espécie de grande família. Compartilhamos diversão e também amparamos a pessoa na tristeza", comenta Norma.
Amizade que transcendeu até os muros do clube. Membro ativa, Maria Rosa Santos, 74, conta que joga baralho toda semana com amigas do grupo Suavidade. "Dá mais alegria e vontade de viver, fazer amizades e passear rejuvenesce a gente", cita.
Neusa Tavares, 75, diz que os bailes trouxeram vigor até para a relação com o marido. “A gente se arruma para sair e isso eleva a autoestima, é ótimo para os dois", pontua.
Excursões e até vôlei de praia
É inegável que os ossos e músculos sofrem com o avanço natural do tempo, mas um corpo e uma mente que não se exercitam podem adoecer ainda mais rápido. Em Bauru, dezenas de pessoas acima dos 60 anos dão exemplo de enfrentamento das limitações para exercitar corpo e mente, seja viajando ou até praticando esportes.
No Sesi Centro, por exemplo, uma parceria com a Associação da terceira idade de Bauru (Atiba) e a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) tornou realidade um projeto de times de vôlei na terceira idade. Juntos há pouco mais de cinco anos, o grupo já viaja para disputar campeonatos estaduais e regionais.
"Temos cerca de 70 pessoas entre os times feminino e masculino e treinamos duas vezes por semana, de terça a sexta. São pessoas que um dia na vida praticaram um esporte e, agora, estão revivendo", detalha Bernadete Machuca, 67 anos, presidente da Atiba.
Ainda no Sesi, há grupos de idosos que praticam bocha e sinuca ao longo da semana e outras atividades lúdicas como o “Bingo de Frutas”. Além disso, também são realizados passeios ao Rio Tietê e Baile de Carnaval ao longo do ano.
SESC
Já no Sesc Bauru, a atividade mais cotada para idosos é uma excursão anual que parte de Bauru para Bertioga, no chamado Festival da Integração. A deste ano já está com inscrições encerradas.
A entidade também oferece programação gratuita especial voltada à terceira idade, como oficinas sobre o manuseio do smartphone, que ocorrerá no dia 28 de março, das 14h às 16h, e tardes de esporte para idosos, de terça e quinta, das 16h30 às 17h50.
'Opções gratuitas são escassas'
"Faltam opções gratuitas de lazer em Bauru. Por mais baratas que sejam, as atrações custam e não condiz com baixa a aposentadoria ou pensão da maioria dos idosos." A crítica é feita por Ana Maria Benjamin, 74 anos, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa. Segundo ela, a cidade não contempla o lazer para idosos, que hoje estão em situação de vulnerabilidade. "Tem gente que pega (circular) intermunicipal, que é de graça, e vai para cidadezinhas próximas para não ter que ficar em casa. Alguns, também costumam passear no Vitória Régia, no Centro", observa.
Lazer fortalece autoestima e motiva, diz psicóloga
Para a psicóloga especialista em atenção ao idoso Gislaine Aude Fantini o lazer é um dos pilares para o envelhecimento bem-sucedido. "Porque ele fortalece a autoestima, motiva e ajuda na tomada de decisões no dia a dia. O mundo mudou drasticamente e o contato com o lazer ajuda o idoso a manter-se conectado, além de melhorar sua percepção e aceitação sobre muita coisa", cita a Gislaine.
A independência familiar também é algo exercitado quando o assunto é lazer e diversão. "A convivência em grupo e a amizade abrem um mundo de experiências e até rejuvenescem. A vida pode ser melhor se a pessoa não estacionar", finaliza a psicóloga.
Prefeitura: Miss e Mister melhor idade
É inegável que os ossos e músculos sofrem com o avanço natural do tempo, mas um corpo e uma mente que não se exercitam podem adoecer ainda mais rápido. Em Bauru, dezenas de pessoas acima dos 60 anos dão exemplo de enfrentamento das limitações para exercitar corpo e mente, seja viajando ou até praticando esportes.
No Sesi Centro, por exemplo, uma parceria com a Associação da terceira idade de Bauru (Atiba) e a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) tornou realidade um projeto de times de vôlei na terceira idade. Juntos há pouco mais de cinco anos, o grupo já viaja para disputar campeonatos estaduais e regionais.
"Temos cerca de 70 pessoas entre os times feminino e masculino e treinamos duas vezes por semana, de terça a sexta. São pessoas que um dia na vida praticaram um esporte e, agora, estão revivendo", detalha Bernadete Machuca, 67 anos, presidente da Atiba.
Ainda no Sesi, há grupos de idosos que praticam bocha e sinuca ao longo da semana e outras atividades lúdicas como o "Bingo de Frutas". Além disso, também são realizados passeios ao Rio Tietê e Baile de Carnaval ao longo do ano.
SERVIÇO
Sesi Centro: (14)3104-3911.
Sesc: (14) 3235-1770.
Mais informações sobre intercâmbios da Uati com a professora Karina: (14) 99115-9632.
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