Política

Servidores rejeitam nova proposta de Gazzetta e greve é mantida

Luciana La Fortezza e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Bruno Freitas
Em assembleia realizada em frente à prefeitura, servidores deliberam por unanimidade

Por unanimidade, os servidores rejeitaram a nova proposta feita pela administração municipal, que previa reajuste do vale-compra. Se a oferta fosse aceita, o benefício passaria de R$ 410,00 para R$ 451,00. Mas, em assembleia realizada em frente ao Palácio das Cerejeiras, a categoria decidiu manter a greve, agora pela manhã. Nesta terça-feira, a mobilização reuniu cerca de mil trabalhadores.

Amanhã, a partir das 7h, eles voltam a se reunir em frente ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), na quadra 14 da rua Saint Martin, na região central de Bauru. De lá, trabalhadores de várias áreas como Saúde, Educação, Obras, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e Departamento de Água e Esgoto (DAE), saíram em passeata até a prefeitura, após aglomeração em frente ao sindicato.

Ao chegarem ao Palácio das Cerejeiras, foram recebidos pelo secretário da Administração, David Françoso, que entregou a eles uma proposta de reajuste do vale-compra, cujo acréscimo resultaria em um impacto de R$ 2 milhões nas despesas com pessoal, mas não incide no limite fiscal que a prefeitura tem de obedecer em relação a pessoal.

A proposta foi definida ontem, em reunião que se prolongou até o início da noite e reuniu o Sistema Integrado de Negociação Permanente (Sinp), que avaliou os impactos do aumento oferecido na semana passada.

Se a proposta fosse aceita, seria necessário que algumas secretarias reduzissem investimentos previstos neste ano para compensar o novo valor oferecido. Já em relação ao salário, o governo segue com a proposta de dividir o reajuste em duas vezes porque, se conceder tudo agora, passará o limite fiscal de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) de despesas com pessoal. Com a proposta atual, de 1,42% de aumento imediato, o município já gastará R$ 14,9 milhões a mais até o fim do ano e passará de 52,56% para 53,75%, perto de estourar o limite legal, o que impediria a prefeitura de receber repasses e convênios estaduais e federais.

ADESÃO

Bruno Freitas
Trabalhadores de várias áreas no início da concentração

Caso esta nova proposta não seja aceita, o Sinserm espera alta adesão da categoria à greve já neste primeiro dia. A paralisação foi deliberada em assembleia na última quinta, quando os trabalhadores rejeitaram a proposta do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), de reajuste de 2,84% no salário, dividido em duas vezes.

A expectativa de adesão alta é destacada pelo advogado do Sinserm, José Francisco Martins, segundo quem a contraproposta (apresentada na semana passada) da administração revoltou os servidores, não só em razão do índice de reajuste rebaixado. "Houve uma decepção muito grande, pelo fato de o prefeito não ter cumprido, em 2018, o que havia prometido na campanha salarial do ano passado, de que os servidores teriam a reposição integral da inflação, bem como ganho real", complementa.

EXEMPLO

O advogado exemplifica a perda salarial dos trabalhadores. "Para se ter uma ideia, o salário mínimo está estipulado em R$ 954,00. O piso do servidor municipal é de R$ 937,00. Aplicando 1,42%, que seria a primeira parcela do reajuste, o piso vai para R$ 950,00, ou seja, fica abaixo do salário mínimo até novembro, quando serão aplicados os outros 50%", reforça.

Além disso, a categoria rejeitou o reajuste do vale-compras, de apenas R$ 12,00 (que deve ser aumentado em nova proposta hoje), e do abono pecuniário, antigo vale-refeição, de R$ 10,00. "Os servidores estão indignados e a proposta foi recusada, por unanimidade, na assembleia do último dia 15", acrescenta.

A categoria reivindica, ainda, melhora nas condições de trabalho, através da contratação de mais servidores. Além disso, é contra a possibilidade de revisão dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e já anunciada majoração dos valores pagos a título de planos de saúde.

Serviços essenciais

O advogado do Sinserm, José Francisco Martins, e o diretor da entidade, Moisés Cristo, ressaltam que um percentual mínimo de servidores será mantido para atender aos serviços essenciais, como Pronto-Socorro, unidades de pronto atendimento, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e coleta de lixo.

Ambos informam que não há previsão legal de um percentual exato de trabalhadores nestas áreas durante a greve, mas a expectativa é que atendam com cerca de 30% do quadro. O número, porém, poderá ser negociado com a administração municipal.

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