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Entrevista da semana: Caetano dos Santos Neto

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis
Professor de Educação Física Caetano dos Santos

Nascido em Bauru, no ano de 1945, quando terminava a Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945), Caetano dos Santos Neto, de 73 anos, dedicou a vida ao basquete. Desde que completou 14 anos, o técnico não mais abandonou o esporte e já conquistou diversos títulos com os times que treinou.

Formado em Educação Física e mestre em basquete, Caetano é professor aposentado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru. Atualmente, o bauruense leciona nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e coordena a Associação de Promoção à Inclusão Social (Apis).

A entidade atua nas Emefs e em diversos projetos sociais, como o Girassol, o Caná, a Casa do Garoto e a Fundação Amigos do João Bidu. O intuito é ensinar, gratuitamente, o basquete lúdico a crianças entre 8 e 10 anos, em situação de vulnerabilidade social.

O projeto já formou diversos nomes do cenário esportivo nacional, como o ala/pivô do Paulistano, Lucas Dias Silva, de 22 anos, que também é titular da Seleção Brasileira de Basquete.

Abaixo, o treinador conta sobre a sua vida, que tem total influência do basquete.

Jornal da Cidade - Antes de ser técnico, o senhor jogou basquete. Quais títulos conquistou nesta época?

Caetano dos Santos Neto - O primeiro campeonato que disputei enquanto jogador foi em 1959. Eu tinha 14 anos quando participei do Campeonato Municipal, na Panela de Pressão. O meu técnico era o Raduan Trabulsi. Ainda como atleta, fui campeão dos Jogos Regionais Noroestinos por diversas vezes; obtive bons resultados nos Jogos Abertos - conquistei o 3.º lugar em Tupã, na década de 80, e o 4.º em Bauru, em 1970 -; fui campeão do Interior, em Araraquara, e do Estado, em Bauru, no ano de 1964 - no Campeonato Estadual, vencemos a equipe do Floresta, da Capital, por dois pontos, fato que marcou bastante, porque não estávamos tão preparados. Ainda naquela época, as equipes de Bauru eram divididas por escolas e eu participei de várias disputas entre os colégios, principalmente, entre o Guedes de Azevedo e o antigo Instituto de Educação, hoje Escola Estadual Ernesto Monte.

JC - Mas a carreira de jogador foi curta, não?

Caetano - Sim. Em 1966, eu já estava dirigindo a equipe que participou do Torneio da Luso, a do Guedes de Azevedo, que venceu a disputa. O basquete sempre foi tradicional em Bauru e, lá, fiquei por quase duas décadas. Na ocasião, organizávamos diversos campeonatos e a Luso se destacava na categoria de base da Federação Paulista de Basquete (FPB), afinal, era fácil tirar 12 destaques entre os cerca de 100 alunos que participavam da escolinha. 

JC - Além do basquete, o senhor praticava outro esporte?

Caetano - Quase troquei o tênis pela chuteira. Na década de 60, joguei no Noroeste e no Internacional, em Bauru; em Pederneiras; e em Agudos. O Zoca, irmão do Pelé, acompanhava o futebol bauruense e resolveu me convidar para fazer um teste no Santos. Fui aprovado, porém, como eu tinha apenas 16 anos, o meu pai se recusou a assinar o contrato. Acabei voltando a usar o tênis. 

JC - E os seus resultados enquanto técnico da Luso?

Caetano - Uma importante conquista enquanto técnico da Luso foi o tricampeonato "mini" do Interior, bem como o do Estado de São Paulo. Inclusive, treinei o técnico do Sendi/Bauru, Demétrius Ferracciú, e o seu atual assessor, Hudson Previdelo. Os dois participaram de um jogo realizado no dia 20 de maio de 1984, no qual o time da Luso venceu o Liceu por 151 a 2. Guardo a súmula da disputa até hoje. Além disso, eu costumava participar de amistosos fora de casa. Em março de 1971, consegui autorização da Sociedade Esportiva Palmeiras para jogar com o time da Luso no local, em São Paulo. Era uma boa forma de prepará-lo para os jogos. Eu também fui campeão infantil brasileiro, na década de 70.

JC - O senhor não trabalhou só na Luso, não é?

Caetano - Em 1976, dirigi a equipe feminina de basquete, em Bauru, durante os Jogos Abertos, em Franca. Fora isso, trabalhei como técnico de basquete feminino e masculino em Garça, bem como treinador da equipe masculina em Barra Bonita. Em 1985, saí da Luso e passei a treinar o time da Lwart/Lwarcel, em Lençóis Paulista. No mesmo ano, fomos campeões da Divisão A1. Em 1988, vencemos a A2 e, no ano seguinte, obtivemos vitória no Campeonato Paulista da Divisão A1, além de conquistarmos o 2.º lugar na 1.ª Liga Nacional de Basquete, hoje Novo Basquete Brasil (NBB). Em 1997, voltei à Luso e fui campeão da Divisão A2, em Jacareí. 

JC - Paralelamente ao trabalho de técnico, o senhor também estudou?

Caetano - Sim. Em 1971, me formei em Educação Física pela Instituição Toledo de Ensino (ITE). Em seguida, fiz mestrado na área de basquete pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já lecionei na Unesp, em Bauru, por onde me aposentei; na Universidade Paulista (Unip), também em Bauru; na Universidade de Marília (Unimar); na Faculdade Orígenes Lessa, em Lençóis Paulista; e, atualmente, dou aula na FIB. Além disso, coordeno a Apis, que completará uma década neste ano.

JC - Por fim, o senhor pode falar um pouco mais sobre a Apis?

Caetano - A associação atua nas Emefs e em diversos projetos sociais, como o Girassol, o Caná, a Casa do Garoto e a Fundação Amigos do João Bidu. O intuito é ensinar o basquete lúdico a crianças entre 8 e 10 anos. O esporte dá noção de educação e respeito, mudando até a performance dos alunos em sala de aula. Hoje, a Apis atua gratuitamente em oito Emefs e quatro projetos sociais, além de contar com a ajuda de cinco professores, que atendem, em média, 900 alunos.

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