A Polícia Federal (PF) apreendeu na sede da Rodrimar, em Santos, folhas de papel com citação ao presidente Michel Temer e à Argeplan, controlada pelo coronel reformado da PM José Baptista Lima Filho. A Rodrimar foi um dos alvos das buscas da Operação Skala, deflagrada na quinta-feira, 28, pela PF por ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). O dono da empresa, Antônio Celso Grecco, e o coronel Lima foram presos.
A Skala investiga supostos benefícios à Rodrimar na edição do Decreto dos Portos. O presidente é um dos alvos do inquérito. Na tarde de ontem, Temer se encontrou no Palácio da Alvorada, em Brasília, com seu advogado, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.
Os papéis com as citações sobre a Argeplan e Temer foram apreendidos no 4.º e no 5º andar do prédio da empresa, no centro de Santos. O nome do presidente é citado no item 20 da lista de material apreendido. "Uma folha de papel o nome de várias empresas e pessoas físicas, incluindo Michel Temer (encontrada na sala do gerente Willy Maxell, quinto andar)." A mesma lista mostra que o item 7 é "uma folha de papel contendo relação de empresas, entre elas Argeplan Arquitetura e Engenharia Ltda".
Temer e Lima se conheceram nos anos 1980, quando o presidente ocupou pela primeira vez o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo (1984-1986). Ao autorizar a Operação Skala, Barroso registrou que, para a PF, a Argeplan "tem se capitalizado" com recursos de empresas interessadas na edição do Decreto dos Portos.
CONCLUSÃO
Segundo Barroso, a PF chegou a essa conclusão por meio da análise dos documentos colhidos tanto no inquérito dos Portos, do qual o ministro é o relator, quanto nos autos de um inquérito que já tramitou no Supremo sobre o setor portuário e hoje se encontra arquivado - Temer havia sido investigado nesse caso.
Grecco foi ouvido anteontem pela PF e disse que ouviu do então vice-presidente Temer uma promessa em relação ao embargo de uma obra no porto de Santos de interesse do grupo Rodrimar. "Vou ver o que posso fazer", teria dito o presidente. Grecco afirmou, no entanto, que até agora "nada foi feito". O empresário negou, porém, ter tratado com Temer ou qualquer pessoal relacionada a ele, da venda de parte de uma área no porto á empresa Eldorado celulose, de propriedade do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista.
Depois de Mariz deixar a residência oficial, Temer permaneceu reunido com parte da equipe de ministros. Auxiliares avaliam que ele poderá ser alvo de uma terceira denúncia criminal no cargo.
A ordem no Planalto é que Temer mantenha a postura de pré-candidato à reeleição.