Tribuna do Leitor

'Sehr Gute!'

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

"Muito bom', aproveito também no alemão para dizer que ler algo que te faz pensar, ler, reler e continuar pensando, mesmo que ainda não tenha absorvido de pronto, pode nos fazer muito bem.

Foi o que aconteceu ao ler o Jabbour de domingo/segunda (25 de março) aqui no JC sob o título "Schadenfreude", palavra de origem alemã para denominar o desejo "quase" humano de ver o outro (próximo ou distante) se dar mal naquilo que faz, seja essa coisa boa ou má.

Isso é visto em todo lugar, em qual esfera social se dê o fenômeno em questão, mas fica mais evidente talvez quando se está se dando bem. Eu diria que faz parte do egoísmo exacerbado que acomete muitos (não sei porcentagem) dos humanos. Onde se você conseguiu alguma coisa de bom (seja em matéria ou em sentimento), faz com que você não queira isso para o outrem, pois apenas eu poderia, apenas eu mereceria e se isso acontecesse seria como se tivessem me roubado, tirado o que é de direito apenas meu.

Isso tudo quase sem ser percebido, irracional mesmo, pois se os que nos rodeiam estão abaixo, se estão infelizes, logo isso nos contaminará de alguma forma, e passaremos a ter a mesma infelicidade, mas essa é uma ideia muito difícil de ser absorvida por quem é tomado pela "doença" da mesquinhez.

Dentre alguns pensadores citados por Jabbour no seu texto, vejo com atenção especial (esperando que ele esteja errado) Thomas Hobbes, filosofo inglês morto que disse "O homem é mau por natureza". A esperança no texto fica a cargo do físico Stephen Hawking, que diz: "apesar de sermos um pouco mais que os macacos em um planetinha sem grande importância do sistema solar e o que faria a diferença estaria em nós termos o privilégio de poder entender o universo".

Recentemente (apesar da não assiduidade), fui à igreja Sto Antonio, no Domingo de Ramos, com a igreja toda enfeitada, Pedro Norberto, participando, brindou-nos com sua interpretação e voz no evangelho (sem fazer menor ao nosso belo frei Ademir) "a entrada do rei Jesus em Jerusalém montado em burrico não pela porta principal da cidade por onde era costume dos homens 'importantes' (os mesmos que por inveja e temendo também que alguém feito Jesus viesse a ameaçá-los no poder) de sua época, mas uma entrada secundária - "porta dos humildes". Para na sexta "seguinte" seguir a via crucis onde o filho de Deus foi torturado, açoitado, humilhado e finalmente crucificado e morto.

Ficando uma questão que talvez já não possa mais ser respondida por Stephen Hawking, mas por nós mesmos: qual o universo que Hawking, o físico, se refere, ao dizer que poderemos vir a entender o universo, em que tempo e se isso realmente se fará?

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