Tribuna do Leitor

Geni e o Zepelim

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 1 min

Agora que o Lula foi condenado e está preso, talvez possamos analisar alguns fatos civilizadamente e com maior racionalidade, longe da discussão ridícula de extremistas de direita e de esquerda, que só enxergam o que querem ver. Assim, abstraindo as paixões ideológicas e as manifestações de gente que nem sabe do que está falando, pretendo analisar um aspecto dos fatos me concentrando na matemática e sua exatidão.

Lula se elegeu, se reelegeu e saiu do governo com uma popularidade de 86%. Depois disso, conseguiu eleger a desconhecida Dilma. Curiosamente, hoje não consigo encontrar ninguém que achava o governo do Lula bom. Muito menos quem tenha votado nele. Assim, a matemática das urnas e das ruas de outrora não bate com a da hipocrisia vigente.

Ou estamos vivendo uma ópera bufa, com trilha sonora de Geni e o Zepelim, onde o mesmo povo que ia beijar sua mão hoje se reúne para atirar pedra e estrume (como na letra da música) ou então não temos matematicamente gente decente o suficiente para assumir o que pensava e em quem votava, como dizia Fernando Pessoa em 'Linha Reta': "...Toda gente que fala comigo nunca teve um ato ridículo... nunca foi senão Príncipe - todos eles Príncipes... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana que confessasse não um pecado, mas uma infâmia. Ó Príncipes meus irmãos... estou farto de semideuses! Onde é que há gente neste mundo?"

É hora de cada um engolir a soberba, assumir seus equívocos ideológicos ou de avaliação, para chegarmos às próximas eleições um pouco mais unidos e conscientes, afinal nossa negação e divisão, só servem a oportunistas "destros" e "canhotos" que vicejam na política nacional.

 

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