Tribuna do Leitor

Pista de skate é de quem?

Vinicius Bomfim Costa - Estudante de jornalismo
| Tempo de leitura: 2 min

Onde o cidadão bauruense não entendeu que "uma pista de skate é uma pista de skate!"? Nesta semana, alguns episódios de descaso incomodaram os skatistas. Acontece que apontar o próprio skatista como também participantes da sujeira e descuido por ali é uma ofensa com este grupo.

A luta sempre foi por ter uma pista na cidade. Isso é um marco histórico. Frequentar o espaço é um direito de qualquer cidadão de bem, mas existe um limite entre frequentar e esquecer realmente dos princípios básicos de educação social. Garrafas de bebidas alcoólicas espalhadas pela pista (muitas vezes, quebradas), sujeira por todos os cantos e uma bagunça inexplicável no banheiro.

O fluxo de pessoas pela madrugada é grande e, como em qualquer aglomerado, há também quem não se preocupe com o espaço, mas não deve apontá-los como "baderneiros" de modo geral.

Como zelo, os skatistas, sim, são os principais responsáveis pela limpeza e organização do local. Tampouco se sabe, mas todos os finais de semana, pela manhã, são feitas limpezas gerais de lixos e troca de sacos plásticos, na mão, com a intenção de cuidar e zelar "pelo o que é nosso". A cada dois meses ou conforme a necessidade, os próprios skatistas pintam, tapam buraco, arrumam chão, rampa, soldam, montam e etc. Por uma questão de constituição federal, isso é dever municipal. Afinal, o imposto pago por cada um (inclusive por skatista) deve ser revertido também nos direitos deste grupo, assim como os outros setores de funcionamento municipal, como saúde, educação e cultura.

Em resposta à Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), referente a uma carta publicada nesta terça-feira (24), existem alguns pontos que precisam ser analisados detalhadamente. De acordo com fontes que frequentam diariamente, o entorno da pista recebe a limpeza quinzenal proposta pelo órgão, mas banheiros e bebedouros passam batidos. O art. 8º da Constituição Federal, precisamente no §8, diz que a lei assegura que os municípios podem constituir guardas municipais para zelo do bem público, ou seja, ação que deveria ser aplicada antes mesmo da aprovação do projeto, uma vez que já contava com a instalação de banheiros.

O zelo e cuidado estão paralelamente ligados com os frequentadores, onde já fazem a sua contribuição. Porém, a situação alcançou um nível que a pista se demonstra um espaço particular, já que o órgão público não interfere suas mínimas ações no local, seja na limpeza quanto nos reparos de desgaste. Todas as manutenções feitas no local são financiadas pelos skatistas.

Cabe agora unicamente à prefeitura criar ações de "segurança e ordem" para que atuem diretamente no problema. Em primeira instância, façam diagnóstico, entendam o problema e desenvolvam tarefas direcionadas. Não se pode solucionar casos sem participação, muito menos questionar pontos quando a própria intervenção pública é mínima.

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