Regional

Mapa nacional do Turismo avalia região

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 11 min

Fotos: Divulgação
Município de Brotas, que se caracteriza pelo turismo de aventura, conseguiu subir da categoria C para a B na avaliação do Mapa do Turismo Brasileiro

O investimento em turismo tem sido alternativa para os municípios conseguirem viabilizar mais renda. No Brasil esse setor da economia responde por 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e é responsável por 7,3 milhões de empregos diretos e indiretos, de acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Na última terça-feira foi comemorado o Dia Nacional do Turismo. Na região, pelo menos cinco municípios estão na categoria C no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo (MTur): Botucatu, Jaú, Ibitinga, Barra Bonita e Lins numa avaliação de A a E. Dois têm a melhor pontuação, na B: Bauru e

Botucatu tem programados 42 eventos neste ano relacionados a esporte de aventura

Brotas. 

Os dados são atualizados periodicamente nas 328 regiões turísticas do país e traduzem o desempenho do setor no turismo. A maior parte das cidades da região estão na categoria D e E, conforme levantamento feito pelo JC com base no banco de dados do governo federal numa avaliação de desempenho das cidades integrantes dos Circuitos Turísticos Coração Paulista, Coração do Tietê, Polo Cuesta e desempenhos individuais de algumas cidades próximas a Bauru inseridas no Alto Cafezal e Serra do Itaqueri.

A categorização do MTur é para identificar o desempenho da economia no setor turístico nos municípios que constam desse mapa nacional. É um recurso matemático que avalia potencial turístico, atividade, potencialidade e qualidade. No levantamento são levados em conta quantidade de estabelecimentos de hospedagem com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quantidade de empregos em estabelecimentos de hospedagem com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, quantidade estimada de visitantes domésticos com base em estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas e quantidade estimada de visitantes internacionais com número da Fipe/Mtur. Bauru e Brotas fazem parte de um seleto grupo composto de 179 municípios no país classificados na categoria B e na C estão 539 municípios. Na categoria D são 1961 e na E são 549, que representam cidades que não possuem fluxo turístico. Brotas, por exemplo, conseguiu subir da C para B. A mudança de categoria proporcionará para o município nova faixa financeira de liberação de recursos do governo federal, de acordo com informação, por meio de nota da assessora de imprensa, do secretário de Turismo, Fabio Pontes. No ano passado, Brotas fechou com 280 mil turistas contra 250 mil no ano anterior. Outra cidade que investe no turismo é Botucatu. Neste ano estão programados 42 eventos, dos quais corrida de montanha, rali, mountain bike. O secretário-adjunto de Turismo botucatuense, Augusto Cesar Tecchio, destaca que isso ajuda a atrair visitantes e movimenta comércio e rede hoteleira. Jaú também experimenta uma expansão no chamado turismo médico hospitalar. Leia mais nas págs. 18 e 19.

Aventura 'impulsiona' mais visitas

Botucatu intensifica investimento e 'concorre' em segmento semelhante a Brotas, que subiu da categoria C para B no Mapa do Turismo Brasileiro

Prefeitura de Botucatu
Secretário-adjunto de Turismo Augusto Tecchio

Divulgação
Brotas investe no turismo de aventura e tem aumentado o fluxo turístico; destaque ao lado, rali movimentou Botucatu e atraiu uma equipe de mais de 1.300 pessoas na organização

O aumento no número de cidades envolvidas na atividade turística é resultado de um amplo trabalho de mobilização. Botucatu e Brotas são dois endereços do chamado turismo de aventura. Não são concorrentes, mas já usam a palavra "aventura" no marketing para "vender" a imagem e atrair eventos. Brotas conseguiu subir da categoria C para a B. E Botucatu está na C.

Ambos pertencem a circuitos turísticos diferentes. Os botucatuenses estão inseridos no Polo Cuesta, composto de 11 cidades, do qual só dois têm a conceituação C: a própria Botucatu e Avaré. Oito estão na faixa D e um é E (Pratânia, com pouco fluxo turístico).

Brotas pertence ao Circuito Serra do Itaqueri, que é composto de 12 cidades mais direcionadas para Piracicaba, Rio Claro e Limeira, porém a sua localização geográfica próxima a Jaú, Bauru, Araraquara e demais cidades da Serra do Itaqueri ajuda a atrair turistas de várias regiões. Mas esse Circuito tem concorrentes: São Pedro e Piracicaba são B e está perto de Brotas. As outras cidades Águas de São Pedro, Analândia, Limeira e Rio Claro são C. O município de Torrinha é D. De acordo com a Prefeitura de Brotas, o banco de dados do voucher (taxa de visitação e ambiental) implantado no final de 2015, mostra, por exemplo, que a atividade mais realizada pelo turista de Brotas em 2017 foi a visitação - 60.211, 5% mais do que no ano anterior. "Brotas fechou 2017 com 280 mil turistas, contra 250 mil no ano anterior. Esses números comprovam a elevação do patamar turístico de Brotas, agora reconhecido nacionalmente, através do Ministério do Turismo", informa o secretário de Turismo Fábio Pontes, por intermédio de sua assessoria de imprensa.

Essa mudança de categoria vai proporcionar para Brotas nova faixa financeira de liberação de recursos do Governo Federal. De acordo com o Ministério do Turismo, a categorização é um instrumento para identificar o desempenho da economia do setor nos municípios. A análise leva em conta variáveis econômicas, como geração de empregos, maior número de estabelecimentos formais em hospedagem, aumento do fluxo de turistas, entre outros. Brotas está entre os 5,45% municípios brasileiros que estão enquadrados na B. A cidade de Bauru também é bem avaliada, principalmente o turismo de negócio com grande quantidade de estabelecimentos de hospedagens, quantidade de empregos na rede hoteleira e estimativa de visitantes domésticos e internacionais.

O município de Lins pertence ao Circuito Coração do Tietê e obteve a categoria C. Outros municípios dessa região são Guaiaçara D, Promissão D, Pongaí D e Sabino e Uru E.

Divulgação/Photo Action
Rali movimentou Botucatu e atraiu uma equipe de mais de 1.300 pessoas na organização

Botucatu tem 42 eventos programados

O secretário-adjunto de Turismo de Botucatu, Augusto Cesar Tecchio, afirma que o município está em uma ascendência no setor. No mapa nacional é categoria C. "Estamos consolidados como cidade de evento esportivo, fechamos o ano com 42 modalidades esportivas entre mountain bike, corridas de aventura, de montanha, entre outras.  Difícil é uma cidade como a nossa ter um calendário tão extenso como Botucatu", declara.

Tecchio ressalta que na elaboração do Plano de Turismo descobriu que a vocação do município é o esporte de aventura. Nesse segmento, no entanto, a cidade de Brotas com 23 mil habitantes já ostenta a denominação por reunir a maior oferta de atividades de ecoturismo no Brasil. Atualmente, o turismo responde por cerca de 25% dos empregos diretos naquele município, com carteira assinada, além dos temporários e indiretos.

O secretário-adjunto de Turismo botucatuense admite que por estar perto de Brotas e o relevo da Cuesta são bem parecidos com o da Serra do Itaqueri. "Brotas começou com esse trabalho muito antes que a gente, mas acredito que o potencial geográfico nosso não perde nada para a Capital do Esporte de Aventura. Botucatu tem mais de 80 cachoeiras catalogadas, mas a maior parte em propriedades particulares e os donos dessas áreas rurais estão começando a despertar o interesse pela área de turismo como fonte de renda consolidada. Com o tempo devemos chegar ao nível de turismo de Brotas", declara Tecchio.

Para ele, o acesso fácil a Botucatu deve ajudar a potencializar devido a existência de duas boas rodovias (Castelo Branco e Marechal Rondon). "É uma questão de tempo de Botucatu despontar na área no turismo nacional".

No último final de semana foi promovido do 12º Rally Cuesta Off Road, prova válida para os Campeonatos Brasileiros de Rally Cross Country e Baja. A prova é uma das principais competições nacionais fora de estrada para as categorias carros, motos, quadriciclos e UTVs.

Estiveram presentes 108 equipes disputando o certame e trouxeram consigo em torno de 1,3 mil pessoas envolvidas diretamente. A organização do evento estimou que passaram pela área de box durante os três dias do evento aproximadamente 25 mil pessoas. "No caso do rali é um visitante formador de opinião que acaba levando para uma rede de amigos a opinião sobre as belezas naturais. A mídia espontânea gerada por esse evento divulgando a cidade no país. Para se ter uma ideia, o evento foi considerado pelo quinto ano a melhor prova do Brasil e teve envolvimento direto de 1.600 pessoas".

Na manhã de quarta-feira (9), a região do Polo Cuesta recebeu em sua reunião mensal a visita do coordenador de Turismo do Estado de São Paulo, Vanílson Fickert. O encontro foi no Museu Histórico e Pedagógico "Padre Manoel da Nóbrega", em São Manuel. 

Mapa se baseia em dados oficiais

A categorização permite ao Ministério do Turismo identificar o desempenho da economia do setor nos municípios que constam no Mapa do Turismo Brasileiro. Os dados são com base na quantidade de estabelecimentos de hospedagem, quantidade de empregos em estabelecimentos de hospedagem e quantidade estimada de visitantes domésticos.

A categorização é um processo dinâmico e perene, aperfeiçoada periodicamente. De acordo com o Ministério do Turismo, se um município teve fluxo turístico e seus estabelecimentos formais de hospedagens ampliados, provavelmente, na próxima edição da categorização, quando os dados serem novamente considerados, poderá mudar de categoria. Os últimos dados são de fevereiro, referente a 2017 e válidos para 2018. O levantamento pesquisou 5.570 municípios do país. Todas as capitais, como São Paulo, estão na categoria A. E municípios que estão na categoria E possuem zero em quatro variáveis e tem que trabalhar para formalizar seus meios de hospedagem e incrementar o fluxo turístico.

Venda online reduz fluxo em Ibitinga

Turismo de negócio é o forte, mas concorrência com venda pela Internet diminuiu número de pessoas que viaja para comprar na cidade

Eder Azevedo/JC Imagens
Feira do Bordado ainda é o evento que mais atrai fluxo de turistas e vendas para Ibitinga

O turismo de negócio ainda é o forte de Ibitinga e nunca deixou de ser, mas as novas tecnologias também provocam mudanças, como por exemplo as vendas via Internet. A Estância Turística conhecida como a Capital do Bordado tem novos desafios para continuar mantendo o movimento no município. No último levantamento do Ministério do Turismo a cidade está enquadrada na categoria C no Circuito

Divulgação
Ibitinga é conhecida como a Capital do Bordado e aguarda aprovação de lei nacional que oficializa o slogan

Turístico Caminhos do Tietê

A pesquisa leva muito em conta o número de estabelecimentos formais de hospedagem, aumento de fluxo de turistas, entre outros.

A secretária de Turismo, de Comércio e Indústria de Ibitinga, Erica Banuth, admite que a dificuldade de subir o índice não depende só do Poder Público, teria que haver mais investimento da rede hoteleira e isso significa mais investimentos privados. "Teria que abrir mais restaurantes e mais investimento privado no turismo para aumentar o fluxo turístico e atrair esses investimentos privados. Já somos consolidados como turismo de compras e eventos, agora buscamos ampliar a novos segmentos para ter um fluxo maior e para que venha mais pessoas em busca de outras alternativas, além do turismo de compras", explica a secretária.

A prefeitura iniciou neste ano um mapeamento mais detalhado para saber quantas pessoas visitam Ibitinga nos finais e demais dias da semana. Atualmente não há detalhamento disso. A secretária ressalta que com a chegada da Internet houve uma migração para o sistema de compra online.

Erica Bantuh relembra que na década de 90 o município recebia aos sábados cerca de 300 ônibus com visitantes que vinham comprar os produtos industrializados na cidade, mas esse fluxo caiu para cerca de 100, quando o movimento é bom. Ela cita que um dos indicativos disso é o movimento grande nos Correios, usado para despachar as encomendas e da existência de muitas lojas virtuais, sem manter o espaço físico. "A pessoa que compra em grande quantidade não precisa mais se deslocar, por exemplo, lá de Brasília tendo que passar muitas horas dentro de um ônibus, fazer a compra e levar dezenas de pacotes. Hoje ela já conhece a loja e se contata pela Internet e nem precisa vir à cidade", comenta a secretária.

Apesar disso, as fábricas não perderam consumidores, pelo contrário, agora vendem para cidades muito mais distantes, porém a estratégia de turismo da administração é diversificar as opções para trazer mais pessoas a Ibitinga.

Os dois eventos mais tradicionais são a Feira do Bordado em sua 45ª edição, sempre realizada em julho, e a procissão de Corpus Christi que reúne o turismo religioso com o diferencial de as ruas serem enfeitas com bordado e também serve para alavancar as vendas das lojas no feriado.

Erica Banuthu ressalta que, de imediato, não tem com subir da categoria C para B no Mapa de Turismo Brasileiro, mas é objetivo a longo prazo, porque a prefeitura busca novos investimentos no turismo náutico e no ecoturismo, devido a existência da área do Pantaninho, ainda não explorado para passeios.

Um dos projetos já está bem avançado é o cruzeiro fluvial, em conjunto com o Circuito Caminhos do Tietê. Atualmente, os passeios de barcos são de Barra Bonita até Jaú. Se não houver atraso, no ano que vem o barco deve chegar até Ibitinga. Para isso dar certo, a prefeitura investe na construção de um atracadouro para receber embarcações maiores. "Estamos investindo na infraestrutura para desenvolver esse segmento, consequentemente acreditamos no aumento do fluxo turístico e poderemos subir de categoria no Mapa do Turismo Brasileiro", finaliza.

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