'Houve uma professora ...'

Por Alan Azevedo Nogueira |
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Há tempos, uma revista de circulação mundial publicou que um professor da Universidade Johns Hopkins deu aos seus alunos a tarefa de escolher, em um bairro pobre e dominado pela criminalidade, 200 (duzentos) jovens, entre 12 (doze) e 16 (dezesseis) anos, com o objetivo de determinar a sorte que eles teriam no futuro, considerando os antecedentes familiares e o meio que os rodeava. Os estudantes, após a análise de numerosas estatísticas sociais e longas entrevistas com aludidos jovens chegaram a conclusão que 50 (cinquenta) deles passariam algum tempo na prisão.

Após 25 (vinte e cinco) anos do primeiro estudo, outro grupo de estudantes recebeu a tarefa de averiguar se a previsão apontada havia se concretizado. Para tanto, visitaram o bairro e obtiveram a informação de que alguns jovens tinham morrido e, outros, deixado o local. Assim, conseguiram entrevistar 180 (cento e oitenta) jovens de um total de 200 (duzentos). Prosseguindo com a averiguação, constataram que somente 4 (quatro) deles estiveram na prisão. Como explicar que esses jovens, nascidos e criados em um local propício ao crime, não seguiram para o mau caminho?

Os estudantes ouviram dos jovens sempre a mesma resposta: "Houve uma professora..." Prosseguindo com o estudo, os pesquisadores descobriram que em 75% (setenta e cinco por cento) dos casos a professora era a mesma. Foram até ela, que vivia em uma casa de professores aposentados e fizeram a seguinte pergunta: Como pôde exercer tamanho nível de influência sobre esse grupo de jovens? Poderia dar alguma razão para que aqueles jovens ainda se recordassem dela? "Não", respondeu ela. "Realmente não poderia". Logo repassando na memória àqueles anos, disse pensativa, mais para si mesma do que para àqueles que a interrogavam: "Amei tanto a esses moços". Essa reportagem é lembrada pela minha mãe, Telma Azevedo Nogueira, toda vez que o assunto "professor" é trazido à discussão, sempre, com o nítido propósito, de que se tenha a real percepção de sua importância na sociedade.

Graças a uma mudança de casa, que nos levou a organizar alguns livros, localizamos no interior de um deles, um pequeno papel, dobrado e todo amarelado, com essa reportagem reproduzida à mão pela minha mãe, provavelmente, no ano de 1958. Infelizmente não há qualquer referência para que fossem dados os devidos créditos. Essa reportagem, publicada há mais de 100 (cem) anos, nos dá a verdadeira dimensão da importância que os professores têm em nossas vidas, pois, ao desempenharem seu trabalho com o fervor de um apóstolo, movidos, acima de tudo, pelo amor, são capazes de mudar existências. Aos professores, eterna gratidão, por todos os ensinamentos.

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