Tribuna do Leitor

As ordens de Geisel e o radicalismo

Márcio M. Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

A notícia caiu como uma bomba, agitando as hostes de militontos, mortadelas à esquerda e Bolsominions à direita. Geisel não só sabia como ordenava as mortes de "inimigos do regime" e aí bradam os militontos da direita: "eles deveriam morrer e ser torturados por serem comunistas". E respondem os mortadelas: "eles (presidentes militares) sempre souberam, mas Lula e Dilma nunca souberam de nada sobre a corrupção e roubalheira em seus governos".

Será que algum governante pode ter o direito de matar só porque supostamente serão as pessoas certas? Por que não existir o processo legal com amplo direito de defesa e ao contraditório? Sempre lembrando que para crimes como terrorismo a lei de segurança nacional da época determinava fuzilamento e nem assim foi utilizada.

Para os militontos da esquerda sim, em Cuba e na Venezuela é necessária a tortura e as prisões e até execuções, mas no Brasil à direita nada feito, é "gorpe". Direitos humanos só pra bandidos daqui, "o que é isto", deputada Maria do Rosário?

Por que Geisel não processou os presos de acordo com a lei de segurança nacional que o próprio regime impusera à sociedade? Por que permitiu que facínoras de farda como Ulstra manchassem a farda honrada do Exército brasileiro, com tortura?

Por que os mesmos militontos de esquerda, que protestam aqui contra os militares, não fazem contra as masmorras e os paredões e milhares de presos inimigos do regime em Cuba, ou contra as mortes e paramilitares da Venezuela?

Radicalismo é tudo que o Brasil não precisa, nesta ou em qualquer hora. Precisamos de estadistas não insufladores e acusadores, justiça e não conchavo, que digam não à violência, ao crime, seja ele do bandido da favela ou do engravatado corrupto do asfalto.

Sabemos o que não fazer, é preciso estadistas que nos indiquem o que fazer, que indiquem caminhos e levem o país à unidade e não mais "nós contra eles", "ricos contra pobres", "nortistas contra sulistas", não à politicagem barata, não à corrupção e principalmente como alcançar estes objetivos, com a inclusão de todos, sem excluir ninguém.

Que façam de todos iguais sem privilégios, de políticos corruptos de terno ou de toga de todos os níveis até a mãe que rouba para dar comida a seus filhos, que todos paguem com justiça salomônica, inspirada no discernimento do altíssimo.

 

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