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O que são os 'rastros' no céu?

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Silvia Morbi Garcia
Céu de Bauru ficou repleto de trilhas de condensação, geradas pela queima do combustível das aeronaves; imagem registrada no Jardim Planalto

Parece fumaça de foguetes, mas não é! Os rastros brancos deixados no céu de Bauru e região nos últimos dias têm intrigado moradores e gerado comentários. Alguns até alimentam antigas teorias conspiratórias. Mas o que realmente são aqueles riscos em altitude? Você sabe?

Professor e coordenador do curso  de Ciências Aeronáuticas da ITE, Edson Mitsuya explica o fenômeno, chamado de trilhas de condensação. Segundo ele, o fato é causado pelo frio, aliás, pelo contato das aeronaves comerciais que sobrevoam a cidade com as temperaturas negativas extremas registradas na altitude.

"Na aviação, fazemos a seguinte conta: a cada 1 mil pés (300 metros de altura), a temperatura reduz 12 graus. Ou seja, se, para nós, aqui estava cerca de 10 graus nesta manhã (terça-23), lá no céu, onde há tráfego aéreo, teríamos uma temperatura de 40 a 60 graus negativos", comenta Mitsuya.

A queima do combustível dos aviões (querosene) solta substâncias que, em contato com as gotículas de água do ar congelam e formam rastros. "A gente até brinca que é como se a fumaça do avião congelasse, para explicar de um modo mais fácil", reforça o professor.

MOVIMENTADO

E, como o céu de Bauru é rota para os mais diversos destinos, dezenas de aeronaves comerciais cruzam a aerovia na cidade todos os dias, o que gera vários tipos de riscos e nos mais diversos sentidos.

Em 2016, confirme o JC noticiou, o Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea) da TMA Bauru apontava que cerca de 140 aeronaves cruzavam o céu do município diariamente. "Em virtude da crise e da redução de voos pelas empresas, acredito que este número seja de 120 aeronaves em média, hoje", diz o professor.

ILUSÃO

Ao olhar para o céu, a impressão que temos é que as aeronaves irão colidir, ou que estão caindo, mas tudo não passa de ilusão de ótica, provocada pelo ângulo da observação.

"Todas as aeronaves voam em altitudes diferentes e seguras, a pelo menos 300 metros de altura uma da outra", frisa Mitsuya.

A parte triste disso tudo é que o rastro, de certa forma, torna visível um pouco da poluição que é gerada pelas aeronaves.

VOCÊ SABIA?

Há uma teoria da conspiração que especula o fenômeno como sendo uma chemtrail (do inglês, trilha química), que seria pulverizada por alguns aviões com propósitos desconhecidos, causando danos à saúde da população. As agências governamentais e cientistas de todo o mundo, contudo, negam a situação, que nunca foi comprovada.

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