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Distribuidoras de combustíveis são bloqueadas e gás também 'some'

Marcus Liborio e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Bloqueio realizado ontem em distribuidora de combustíveis na região da avenida Rodrigues Alves

Única cidade da região ainda com estoques de postos abastecidos com combustíveis até o momento, Bauru teve três distribuidoras interditadas por grupos de apoiadores à greve dos caminhoneiros, que chega nesta terça-feira (29) ao 9.º dia com reflexos em vários segmentos. Alguns estabelecimentos já registraram desabastecimento das bombas e a previsão é que a situação se agrave ainda mais caso a paralisação persista.

O movimento tem gerado outros impactos. Os botijões de gás, por exemplo, sumiram desde ontem da maioria dos estabelecimentos. Vários condomínios, inclusive, emitiram comunicado aos moradores pedindo economia do produto.

Já há falta de combustível no Aeroporto Bauru-Arealva e a cidade teve novo protesto com carreata. Entre os reflexos da paralisação, houve ainda suspensão de aulas em universidades locais nesta segunda. 

INTERDIÇÃO

Grevistas interditaram as três distribuidoras de combustíveis instaladas em Bauru, na região da avenida Rodrigues Alves e do Horto Florestal. Eles impediram os condutores de entrarem e saírem com caminhões-tanques, liberando a passagem somente aos motoristas munidos de liminar comprovando que a carga é destinada para suprir serviços essenciais.

O combustível chega até o local por meio da ferrovia, mas são os caminhões que entregam etanol, gasolina e o diesel aos estabelecimentos locais. "Estamos aqui para continuar o impedimento que o Brasil começou por uma causa justa. Iremos manter o ato enquanto houver negociações em Brasília", disse o pastor Éder Santos, um dos representantes do movimento.

A reportagem esteve no local na noite de ontem e o bloqueio ainda era mantido.

CORRIDA AOS POSTOS

As interdições geraram novas corridas aos postos de combustíveis com registro de filas de veículos. O estoque de alguns estabelecimentos já havia zerado ontem. Presidente do Sincopetro, José Antônio Reghine alerta que a escassez total dos produtos pode ocorrer a qualquer momento. "Vai depender do da quantidade de combustíveis que cada posto tem estocado", comenta.

CADÊ O GÁS?

"O telefone toca mais quando não tem gás do que quando tem". A frase do proprietário de uma distribuidora de gás em Bauru dá dimensão do drama da população com o "sumiço" do produto na cidade. O JC apurou que vários estabelecimentos estavam sem estoque nessa segunda-feira (28).

"Estou sem nada desde sábado à tarde. Hoje (ontem), abri só para justificar aos clientes. O prejuízo já soma cerca de R$ 3 mil", lamenta Márcio de Campos Severino, dono de uma distribuidora de gás. Ele conta que recebeu ligações de moradores de vários bairros de Bauru e até de outras cidades da região.

Alguns condomínios residenciais emitiram comunicado para informar o racionamento de gás. Em um deles, o registro seria aberto em horários estratégicos: das 6h às 8h, das 11h às 14h e das 18h às 21h.

Em nota, o SindiGás disse que grevistas e forças policiais estão permitindo apenas a passagem de caminhões com GLP granel para abastecer serviços essenciais, como hospitais, escolas e presídios.

Diversas faculdades do município decidem por suspensão das aulas

Estudantes universitários tiveram as aulas suspensas ontem em Bauru por conta da greve dos caminhoneiros. A FOB/USP suspendeu nos dias 28, 29 e 30 de maio as atividades de seus cursos (aulas práticas e teóricas) de graduação nas áreas de Medicina, Odontologia e Fonoaudiologia.

Com a suspensão, também estão interrompidos os atendimentos nas clínicas de Fonoaudiologia e Odontologia que contam com a atuação dos alunos de graduação. "No tocante às demais atividades didáticas (pós-graduação e extensão), caberá a cada unidade/órgão decidir quanto à sua realização no período, diante da avaliação das circunstâncias presentes em cada município".

Outras instituições, como ITE, Unip, Anhanguera e Iesb também cancelaram as aulas nesta segunda. Todas elas ainda irão avaliar como ficam as atividades para hoje.

Já a FIB suspendeu apenas as avaliações e não marcará falta aos alunos. A USC foi a única a manter normalmente as atividades ontem, o que gerou muitas reclamações de alunos que procuraram o JC e até protestos dentro do câmpus em apoio aos estudantes de fora de Bauru.

Em nota, a universidade disse que os alunos que precisem faltar poderão protocolar, na Central de Atendimento, uma solicitação de compensação de ausência, com comprovação documental, que será analisada e, posteriormente, respondida.

"A USC solicita que os seus estudantes consultem o Portal do Aluno, uma vez que cada professor irá abastecer a plataforma com informações pertinentes às provas para que todos os alunos, de Bauru e de outras cidades, possam realizar a avaliação e não sejam prejudicados".

Ceagesp: queda de 80%

Gerente da Ceagesp em Bauru, José Antônio Marise revela que a movimentação do local, na cidade, caiu 80% de domingo para segunda. Quando a greve dos caminhoneiros foi deflagrada, no último dia 21, a instituição já sentiu uma queda de 50%.

De acordo com Marise, os dias mais movimentados costumam ser de domingo para segunda e de quarta para quinta. Ontem, a reportagem encontrou o local quase vazio. "Agora, os comerciantes trabalham apenas com os produtos do estoque e aqueles que são entregues pelos produtores da região", revela.

Com isso, os preços de alguns produtos aumentaram, sendo que a maior elevação foi o da batata. O saco de 30 quilos, que, antes, custava R$ 70,00, passou a valer R$ 300,00. Já o saco de 20 quilos da cebola passou de R$ 70,00 para R$ 140,00. O tomate também subiu, uma vez que a caixa de 22 quilos, que custava R$ 65,00, foi para R$ 120,00.

Já o comerciante de laranja Hélio Lira afirma que o preço da fruta ainda não sofreu aumento, mas o estoque está esvaziando. "Sou favorável à greve, mas também tenho contas para pagar".

Fórum, coleta seletiva e demais impactos...

Samantha Ciuffa
Ato essa segunda-feira (28) na quadra 3 da rua Julio de Mesquita Filho

Em nota, o Daesp informa que não há mais o combustível necessário para abastecer as aeronaves que pousam e decolam no aeroporto Bauru-Arealva. O Fórum local reduziu o horário de atendimento: das 9h às 17h.

A coleta seletiva na cidade foi suspensa. Contudo, a Emdurb informou que, a partir de hoje, o sistema de transporte coletivo voltará a operar com a tabela normal desde o seu primeiro horário, suspendendo, portanto, o plano emergencial divulgado na semana passada.

Os três cartórios eleitorais de Bauru fecharam nessa segunda-feira (28) e, nesta terça, funcionam até as 17h. Alguns supermercados emitiram nota alertando para falta de alguns produtos, enquanto a prefeitura restringiu ainda mais os serviços para carros pequenos e veículos pesados.

Já o transporte escolar municipal não sofreu prejuízos até o momento. 

No início da noite de ontem, manifestantes seguiram em carreata buzinando com bandeirinhas do Brasil pelas principais avenidas da cidade, a exemplo do que ocorreu em ato de apoio aos caminhoneiros na última sexta, conforme o JC divulgou.

 

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