| Aceituno Jr. |
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| Após missa campal presidida por dom Rubens Sevilha, procissão percorreu ruas do Centro decoradas de várias maneiras por fiéis católicos |
"A pessoa é aquilo que come e assim também ocorre espiritualmente. Como você tem alimentado sua vida? Que sentimentos você tem jogado dentro da sua alma e do seu coração?". Foi com estas reflexões que o bispo dom Rubens Sevilha iniciou seu sermão na cerimônia de Corpus Christi realizada, ontem, no final da tarde, na Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus. A missa campal reuniu milhares de fiéis, que aplaudiram a pregação do religioso.
Na sequência da cerimônia, responsável pelo feriado que muda a rotina inclusive hoje (leia nesta página), os cristãos seguiram em procissão por 12 quadras em meio aos tapetes ao centro das ruas decorados com imagens santas, símbolo do Corpus Christi. O percurso terminou na Catedral do Divino Espírito Santo, localizada na Praça Rui Barbosa, onde a solenidade foi encerrada. A missa campal na paróquia Santa Teresinha reuniu párocos de todas as igrejas da cidade, além dos fiéis que as frequentam.
TEMPO DE AGRADECER
| Aceituno Jr. |
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| Rosemeire de Andrade com Ângela Ariane de Andrade e Shirley Cristina Rodrigues |
Moradora do Parque Roosevelt, a cadeirante Rosemeire de Andrade, 44 anos, portadora de paralisia infantil, fez questão de pegar o ônibus com a filha, uma amiga e o neto para ir à missa. "É uma saga chegar até aqui, mas venho para agradecer a vida. Passei por tantas situações, estar aqui e com saúde são as únicas coisas que me importam hoje", conta a fiel, relembrando um acidente de carro há três anos que a deixou cega de um dos olhos.
A família de Cintia Nogueira, de 34 anos, também foi à cerimônia com intuito de agradecer e de aproveitar o momento de reflexão. "Pessoas de todas as igrejas estão aqui hoje e a oração fica mais forte com a união. Quando vejo famílias inteiras rezando, sinto que o mundo ainda tem esperança", cita a fiel, acompanhada da filha Laura, de 1 anos e 8 meses e do marido Adriano Nogueira, 34 anos.
Encontro de gerações também integrava o cerimonial. A católica Nadir Marques, de 76 anos, por exemplo, era uma das pessoas que caminhava pelos tapetes mostrando para a bisneta, Júlia Marques, de 9 anos, o significado dos desenhos religiosos.
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| Tantas pessoas em oração renovam a esperança de Cintia Nogueira, que foi à cerimônia acompanhada da filha Laura e do marido Adriano Nogueira |
| Aceituno Jr. |
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| Procissão de Corpus Christi Nadir Marques e sua bisneta Julia Marques. Caption |
Milagre de Bolsena
Data de celebração da Eucaristia, um dos sacramentos da Igreja Católica que representa a transmutação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Jesus, o Corpus Christi é o único momento do ano litúrgico em que o Santíssimo (a hóstia magna, que simboliza o corpo de Cristo), é levado para fora dos limites da igreja dentro do ostensório, explica o padre Gustavo Natividade.
A procissão de Corpus Christi foi instituída em junho de 1264, depois do chamado Milagre de Bolsena, em que, durante o momento da eucaristia em uma missa na Itália, a hóstia teria sangrado. Na época, uma grande procissão recebeu os objetos milagrosos em uma catedral, a pedido do papa. E, assim, a tradição da solenidade se manteve.
"A procissão relembra que Cristo está conosco em todos os lugares e que caminhamos juntos para um só lugar, a Casa de Deus", ressalta o bispo dom Rubens Sevilha. "E quem não alimenta sua fé, vive com anemia espiritual. Para essa pessoa tudo se torna difícil, a família é uma prisão, o trabalho escravidão...", completa.



