| Renan Casal |
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| É membro provecto da Loja Maçônica Primeiro de Agosto |
Organizado e com uma memória invejável, o tesoureiro aposentado Gilberto De Marco Santos Casal, de 88 anos, acompanhou boa parte da história de Bauru, a sua cidade natal. Inclusive, montou uma espécie de museu no quarto dos fundos da sua casa, situada na rua Joaquim da Silva Martha, no Altos da Cidade.
Gilberto já impediu Pelé de jogar bola, porque o craque, quando criança, era o menor do seu grupo de amigos, que poderia machucá-lo. Ele falou sobre o assunto para dois jornais de circulação nacional, o Estadão e o Diário de S. Paulo, cujos recortes estão guardados até hoje.
O aposentado também conserva uma foto em que Pelé está com ele e alguns amigos, em um campo de futebol de Bauru. A imagem já foi utilizada por diversos veículos de comunicação, incluindo o Jornal da Cidade, do qual Gilberto é um dos primeiros assinantes.
Extremamente ativo, coleciona selos e moedas antigas, além de fazer artesanato. Ele namora a aposentada Vilma Antônia de Souza, por quem confessa sentir bastante apreço. Abaixo, Gilberto fala sobre a sua vida e, claro, a história da sua cidade natal.
Jornal da Cidade - O senhor é bauruense nato. Como foi a sua infância?
Gilberto De Marco Santos Casal - Eu nasci em 28 de maio de 1930, no Bela Vista, em Bauru. Em seguida, nós nos mudados para a quadra 11 da rua Sete de Setembro, na região central. A casa, inclusive, existe até hoje. Depois, fomos morar em outra residência, na rua Quinze de Novembro, também no Centro. Em 1952, eu me casei e mudei para a Joaquim da Silva Martha, onde vivo atualmente, com o meu filho mais velho, o Herlan. A minha infância foi agitada, afinal, eu era moleque de rua. Meu pai era escriturário da Noroeste do Brasil e saía às 17h em ponto. Eu chegava do colégio, almoçava e ia brincar no meio do mato - na época, tudo era mato - ou nadar no Rio Bauru. Quando o sinal da Noroeste tocava, às 16h30, eu corria para casa, porque o meu pai era rigoroso. Depois do jantar, íamos passear pela linha do trem.
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| Em 2010, Gilberto Casal concedeu entrevista para o jornal Diário de S. Paulo, quando Pelé foi outra vez homenageado |
JC - O senhor chegou a jogar bola com o Pelé?
Gilberto - Eu joguei duas vezes contra o Pelé, sendo uma no campo do Sambra e outra em uma quadra de futebol de salão, na região do Bela Vista. Na ocasião, eu tinha 17 ou 18 anos. Antes disso, Pelé era menor do que as outras crianças do meu grupo de amigos, com os quais eu jogava na Praça Itália, à beira do rio. Ele queria jogar com a gente e eu não deixava, com medo que se machucasse. Virou o Pelé.
JC - Tem alguma amizade de infância que preserva até hoje?
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| Gilberto tem um álbum de fotos só da época em que jogava futebol; o apelido do aposentado é Bilosca |
Gilberto - Sim, o Alcides Franciscato, que tem a mesma idade que a minha. Nós estudávamos juntos na antiga Escola Ativa. O Expresso de Prata, que pertencia aos pais dele, ficava perto do colégio, na rua Alfredo Ruiz. Quando saíamos da aula, íamos brincar na garagem da empresa. O Alcides tinha um projetor e ficávamos vendo filmes. Ele me deu o apelido de Bilosca, mas nunca descobri o motivo. Com este nome, eu joguei futebol a vida inteira. Depois que terminamos o grupo escolar, eu fui estudar no Guedes de Azevedo, por onde me formei.
JC - Quando o senhor começou a trabalhar?
Gilberto - Aos 13 anos, eu era office boy de uma loja de produtos religiosos, no Calçadão da Batista. Como fui registrado desde então, consegui me aposentar aos 47 anos, mas só parei de trabalhar depois dos 80. Da loja da Batista, eu passei para a Fábrica de Espelhos Paulista, onde fiquei até os 18 anos. Em 1949, comecei a trabalhar na cooperativa da Noroeste do Brasil como arquivista e, em seguida, fui promovido a tesoureiro. Lá, eu fiquei por 25 anos, mas decidi sair, porque o estabelecimento entrou em decadência. Saindo da cooperativa, fui secretário da Luso, na época em que não havia a sede de campo e o salão de festas - também fui membro da diretoria do clube, por onde me aposentei. Mesmo assim, continuei trabalhando e, em 1980, assumi o cargo de tesoureiro da Têxtil Everest, que pertencia ao Moussa Tobias e seus irmãos, até 1992. Eu tive de sair para ajudar a minha mulher, que tratava um câncer de mama. Em 1996, eu e meu cunhado montamos uma financeira, a Mercocred. Em 2002, eu parei de trabalhar de vez.
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| Gilberto e a esposa Hilda Aparecida Ventrilho Casal, já falecida |
JC - A esposa do senhor era bastante caridosa, não?
Gilberto - Sim. Tanto que, na década de 90, nós abrimos a Creche Madre Maria Teodora Voiron, que existe até hoje. Ela ganhou vários diplomas de honra ao mérito, por sua atuação junto à Associação Bauruense de Combate ao Câncer e à Igreja Católica. A maçonaria também reconheceu as suas ações. Falando nisso, eu fui o primeiro membro da Loja Maçônica da Primeiro de Agosto. Atualmente, sou membro provecto e continuo participando das reuniões.
JC - O senhor se considera um memorialista?
Gilberto - Olha, eu sempre gostei de pesquisar sobre a história de Bauru, cidade que amo e nunca pensei em deixar. Eu acompanhei a construção da Estação da Noroeste do Brasil, a visita do então presidente Ernesto Geisel e a explosão da Nações Unidas. Também sou filatelista, coleciono selos e moedas antigas. Tenho selos de 1900 até os dias atuais. Inclusive, fui fundador do Clube Filatélico de Bauru, mas os membros foram morrendo e a instituição está parada. Como tenho vários selos repetidos, faço artesanato - eu compro vasos de barro e colo os itens neles. Quem disse que gente de idade não faz nada depois que se aposenta?
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| Gilberto coleciona selos de 1900 até os dias atuais; na década de 90, participou de uma exposição filatélica |
Perfil
Nome: Gilberto De Marco Santos Casal
Idade: 88 anos
Esposa: Hilda Aparecida Ventrilho Casal (já falecida)
Filhos: Herlan Ventrilho Casal, de 63 anos, Gilberto Ventrilho Casal, de 59, e Heliane Casal de Aguiar, de 54
Netos: Renan Ferrato Casal, de 32, Rafael Casal de Aguiar, de 30, Natan Ferrato Casal, de 28, e Amanda Casal de Aguiar, de 26
Bisneta: Valentina Catto Aguiar, de 2 meses
Time: Corinthians
Filmes: E o vento levou
Livro: Gosto de ler os livros que trazem a história de Bauru, como os do Ozires Silva
Signo: Gêmeos




