Era choro, chegar de estranhos, um perfume cozido, que alcançava os ouvidos, com o chocar dos utensílios. Apetrechos disputados, pelos que se sustentavam no segurar de pernas, quase sempre despidas, no piso, transformavam em recreação infantil, o gargalo era o imaginar. Inseguro arranjo de propriedades, delimitadas nas calmarias das revoltas.
Às vezes recebia as mãos do estado, empunhavam lanternas na caça de infratores da lei, a rota linear criava atalho, nos labirintos da ocupação.
Desviada somente por minhas ramificadas, veias energizadas; a cata, garimpava pele, interrompia sono desconfortável, despertava do ilusório sonho em doce lar.
Contrastes germinavam, botões murchos, ausentes de cantigas e boas noites, aguardavam florescer na primavera das oportunidades. Porém a ignição do desastre, fruto de disputa, entre o calor e trecos dos meus tripulantes, alterou a rota da habitação, casou-me azia e preocupação, pois sei quem, e o que guardo.
Desejei vomitar toda mobília, para amparar as fugas e não alimentar combustão. No processo consegui divinas permutas, com o fogo, o retorcer da chupeta, pela criança, avental em troca da cozinheira, incinerou a cachaça, pelo sair ziguezagueado do bêbado. Me retorcia, disponibilizava a matéria, para o correr das vidas.
Febril e já trêmulo, suportava anunciado colapso, ainda haviam filhos, evacuavam nos meus pés. Dentre tantos, um anjo com a coragem e marcas, de quem já havia tomado a calçada o que não tranquilizou sua alma.
Regressou, socorreu próximo as chamas, foi instrumento e nesse desapego próprio, o proliferar ardente do caos, encurralou, decidiu subir, sem asas, atingiu meu cume de concreto, estendeu os braços e recebeu o arremesso da gorjeta, conectou ao resgate, mas o pagamento não seria aqui.
Sem estabilidade e forças, rompi laço da sobrevivência, dele e de todos que ainda permaneciam. Contra vontade, tornei escombro pesado, nos ombros de destinos, mas com fé edificante que haveria o resgate espiritual.
Que assim seja!