| Samantha Ciuffa |
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| Psicóloga Maria Ivone Marchi Costa fala sobre o romântico atual para reportagem do Dia dos Namorados |
Doze de junho, Dia dos Namorados. A data em que, historicamente, mais se usam palavras românticas e expressões como a "tampa da panela" ou a "metade da laranja". Embora o amor romântico permaneça nas relações, as formas como ele acontece se transformaram ao longo dos últimos séculos, até derrubando alguns dos conceitos presentes nestes bordões. Mudanças que se manifestam, hoje, na figura de um sentimento que evoluiu mais livre, sem "amarras" sociais e econômicas.
"No século 18, a forma de lidar com a conjugalidade era diferente, galgada na preservação do patrimônio. O amor surge entre o final do século 18 e início do 19, como uma construção social, após a Revolução Industrial. Mais independente, a mulher foi para o trabalho e o homem tinha que pensar em conquistá-la. É aí que tem início o amor de completude, aquele dos contos de fada, da metade da laranja", explica a psicóloga Maria Ivone de Marchi Costa, doutora nas áreas de psicologia familiar e casal.
NINGUÉM É METADE
Mas a principal mudança cultural e social das relações ocorreu mesmo no final do século 20, após a aprovação da Lei do Divórcio, segundo a especialista. "Ninguém é metade. Temos que ser inteiros, porque ninguém dá conta de fazer o outro feliz e de tapar os buracos que não são seus. Hoje, as pessoas estão mais livres, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Se você fica no relacionamento, é porque realmente gosta ou quer, não por dependência ou por causa dos ditames culturais e sociais. Até porque a mulher não é mais marginalizada por se divorciar", ressalta Maria Ivone.
E é a partir desta época também que outras formas de famílias e de conjugalidade passaram a ser reconhecidas. São as famílias monoparentais, as constituídas pelos chamados "namoridos", que são os que não se casam de fato, e as formadas pelos casais gays.
No último censo divulgado pelo IBGE, inclusive, 49% das famílias apareciam com configurações tradicionais, formadas por relacionamentos heterossexuais, conforme frisa Maria Ivone.
O SEGREDO
Mas, se as relações estão mais "livres", quais os segredos para manter firme um relacionamento hoje? Questionada, a psicóloga não hesita em responder. Para ela, as pessoas devem sempre pensar no amor como um ato de somar na vida do outro.
| Aceituno Jr. |
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| Namorados há 11 anos, Muriel Pinheiro e Maiara Esboldrin irão se casar no dia 4 de agosto |
"Cultivar um amor genuíno é buscar pela cumplicidade, é ter um projeto em comum com a outra pessoa, é ter respeito, é ter afeto e, claro, sexualidade, mas não sexo por sexo", ensina.
CASÓRIO À VISTA
Juntos há 11 anos, o casal Muriel Pinheiro, 36 anos, e Maiara Esboldrin, 29 anos, vive seus últimos dias como namorados. Mas não porque vão se separar, pelo contrário! Em 4 de agosto, eles irão finalmente se casar.
Com a experiência da relação, eles se arriscam e opinam sobre o que consideram o mais importante para manter um namoro saudável nos dias de hoje.
"Namoro não é só presente e afeto. É cuidar, é preservar o bem-estar. É acordá-lo numa noite para lembrar que ele precisa tomar remédio, é cozinhar o que ele gosta quando dá", comenta Maiara. "Eu gosto de cultivar coisas simples, como ir ao cinema com ela e viajar", completa Muriel.
| Aceituno Jr. |
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| Mônica Macedo e Gabriel Falcão durante passeio no shopping: mãos dadas e beijos para esquentar a relação |
PARA NÃO ESFRIAR
Já o casal de namorados Mônica Macedo, 21 anos, e Gabriel Falcão, 19 anos, que está há três anos junto, conta o que costuma fazer para buscar manter acesa a "chama da paixão".
"Acho que a confiança é a base do relacionamento, então, busco dar muita atenção a ela e a responder as mensagens na mesma hora", diz Gabriel. "Trato ele com carinho e atenção sempre que nos vemos. E nunca saímos sem pegar na mão um do outro e sem um beijo. São pequenos gestos que ajudam a não esfriar a relação", acrescenta Mônica.
Neusa e Anacleto: 'Amor ao primeiro tombo'
| Marcele Tonelli |
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| 54 anos entre namoro e casamento: Neusa Francisca Manso Facin e Anacleto Pedro Facin seguram quadro que mostra que a família que formaram cresceu |
Década de 40, Vila Santo Antônio, região do Higienópolis, Bauru. Adolescente na época, Anacleto Pedro Facin, hoje com 73 anos, acabava de chegar na cidade com sua família. Inspirado pelo tio, que construiu um carrinho de rolimã, ele foi brincar ladeira abaixo entre as ruas Hermínio Pinto e Constituição. Mas, no meio do caminho, havia um buraco. E Anacleto capotou.
Na frente do buraco, estava a mercearia do pai de Neusa Francisca Manso Facin, hoje com 72 anos, que se tornaria sua futura esposa. Foi naquele momento de dor e vários ralados pelo corpo que Anacleto conheceu, ali na porta da mercearia, o que ainda chama de seu maior amor.
Depois da cena do tombo, eles se conheceram melhor. E, quando Neusa completou 18 anos, iniciaram o namoro. Em julho de 1967, casaram e, posteriormente, dois filhos aumentaram a família.
Em 2018, eles completam 51 anos de casados e se consideram eternos namorados. "A gente só se olha e já sabe se tá feliz ou triste. O carinho ajuda a manter tudo, o beijinho de bom dia na cama, por exemplo, é sagrado", comenta Neusa.
Para Anacleto, um dos segredos da relação duradoura é fato de os dois terem respeitado a individualidade de cada um. "Eu tive que morar um tempo fora para trabalhar e vinha todos os finais de semana para Bauru ver a família. Foi um tempo difícil, mas a Neusa também tinha sua rotina, trabalhava, fazia as viagens com um grupo de coral. Mas, mesmo com a distância, sempre fomos muito parceiros", pontua Anacleto.
Concorrência no trabalho, carinho em casa
| Aceituno Jr. |
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| Há 13 anos casados, Vanessa e Alexandre Colim trabalham, hoje, em emissoras concorrentes |
Ele, jornalista na TV Record. Ela, executiva de contas na TV Tem. Adaptando o ditado: "Amor, amor, negócios à parte". Assim vivem, há 13 anos casados e "eternos namorados", Alexandre Colim, 44 anos, e Vanessa Fonseca Colim, 36 anos.
"Por respeito ao trabalho de cada um, algumas coisas não compartilhamos. Aqui em casa, eu sou o Lê. E ela, a Nê de sempre, e vivemos com nossas duas filhas", cita Colim.
De um romance que nasceu ainda na época da faculdade em Bauru, onde Vanessa estudava Relações Públicas e Alexandre Jornalismo, várias foram as superações. "Nós casamos em 2005, e, em 2008, ele foi trabalhar em São Paulo. Foi um momento difícil, nos víamos aos finais de semana", comenta Vanessa.
Em 2015, Alexandre voltou para Bauru. E, para eles, a distância, serviu como um combustível a mais para a relação, já que foi preciso conviver com a individualidade mais acentuada de cada um. "Foi difícil e quando voltei, fiquei com salário bem menor e ela segurou a onda. Hoje, dividimos as contas. E meu lar é tudo pra mim", dispara o jornalista.
"Eu não durmo sem falar boa noite para ele", comenta Vanessa.
Já ele diz que busca manter a chama acesa com elogios diários. "Sempre falo ou mando mensagens, digo que ela é gata, principalmente quando está sem maquiagem", finaliza.




