Polícia

Encontro amoroso é isca a homicídio com executor no porta-mala

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, esclareceu nesta semana a execução de Gabriel Ferreira Serrano da Silva, 19 anos. Trata-se do primeiro assassinato de Bauru neste ano e que, conforme o JC noticiou, quebrou uma marca de 98 dias sem homicídios na cidade. Enganada por um amigo, a vítima foi atraída para a armadilha achando que ia para um encontro amoroso.

O crime ocorreu no dia 24 de fevereiro, no prolongamento de uma estrada de terra na rua Licurgo Vieira, na Quinta da Bela Olinda. Gabriel, que tinha passagens por tráfico, foi encontrado com quatros tiros, sendo dois nas costas, um no abdômen e um na cabeça, este à queima roupa, com características de execução.

De acordo com o delegado Cledson do Nascimento, titular da DIG, a polícia apurou que, pouco antes de ser morto, Gabriel teria saído de um salão de cabeleireiro na companhia de seu amigo Lucas Antonelli, conhecido como Lucão, 22 anos, e de um adolescente de 17 anos (o nome não será divulgado em respeito ao ECA). Na ocasião, Lucão conduzia um VW Golf branco, de sua propriedade.

"Intimados na DIG, ambos disseram que Gabriel havia pedido uma carona para um encontro amoroso e o haviam deixado no Mary Dota, onde ele adentrou em um veículo dirigido por uma mulher", narra o delegado.

Quatro dias após o homicídio, entretanto, o adolescente foi apreendido em flagrante por tráfico de drogas na companhia de Guilherme Gomes do Nascimento, vulgo Celebridade, 21 anos, indivíduo que seria ligado a uma facção criminosa.

"Como a Equipe de Investigações de Homicídios da DIG tinha informações de que Guilherme também estaria envolvido no crime e com a suspeita do envolvimento também do adolescente, foi solicitada a realização de exame residuográfico em ambos", explica o delegado.

DE TOCAIA

Através das investigações, a Polícia Civil apurou que, na data do crime, Lucas e Guilherme mantiveram vários contatos via SMS, provavelmente no planejamento da execução do assassinado.

"Na sequência, Guilherme acabou confessando, em uma ligação telefônica feita de dentro do CDP para um traficante, que ele havia sido o autor dos disparos que vitimaram Gabriel", revela Cledson do Nascimento.

Ainda nesta ligação, Guilherme contou que foi escondido no porta-malas do carro de Lucas e que a história do encontro com as mulheres era uma "tocaia" armada pelo trio - ele, Lucas e o adolescente - para atrair e matar a vítima.

MOTIVAÇÃO

Como motivação para o crime, a DIG apurou que Lucas havia mostrado a Guilherme um áudio enviado pela vítima. Nele, o jovem assassinado jurava de morte Guilherme e uma familiar dele, uma vez que essa parente teria delatado a localização do ponto de vendas de Gabriel, no Jardim Marambá, o que levou à prisão de um vendedor no local.

Com o plano de morte já em execução, no dia 24 de fevereiro, Lucas disse que não achava a chácara onde ocorreria o falso encontro amoroso. Com o telefone de Gabriel, ele desceu do carro sob o pretexto de fazer uma ligação. Nisso, Guilherme saiu do porta-malas e matou a vítima.

"Quanto ao capacete, chaves da moto e telefone celular de Gabriel, Lucas teria levado para uma pessoa queimar", complementa o delegado Cledson do Nascimento.

Guilherme e Lucas foram indiciados por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, mediante emboscada e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e foi representada pela prisão preventiva de ambos. Guilherme está preso no CDP e Lucas cumpre prisão temporária na Cadeia Pública de Avaí. Já o adolescente está recolhido na Fundação Casa, em São Paulo.

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