Tribuna do Leitor

O Brasil hoje e amanhã

Wellington Anselmo Martins, mestre em Comunicação (Unesp), graduado em Filosofia (USC)
| Tempo de leitura: 3 min

Foi o eleitor petista que elegeu Dilma junto de Temer. Só que esse eleitor progressista queria a implantação daquele programa petista prometido na campanha. Ele queria uma "pátria educadora". Porém, essa pátria não era possível agora.

Dilma mentiu na campanha? Dilma represou o desemprego para vencer a eleição de 2014? Dilma segurou a inflação e o dólar, mas iria liberar tudo logo após se reeleger? Parece que sim. O PT enganou o povo.

Logo depois da reeleição, o PT garantiu a continuidade do alto lucro dos bancos! Ao mesmo tempo em que colocava um banqueiro do FMI, como Joaquim Levy, à frente da economia. Lula queria até Henrique Meirelles! No fim, caíram todos: caiu o povo, desempregado; caiu Lula, preso; caiu Dilma, por impeachment; caiu aquele programa de governo petista, a "pátria educadora", antes mesmo de subir...

Daí foi a vez do eleitor do Aécio. Foi o eleitor tucano do derrotado Aécio que sustentou a ascensão de Temer. Que quis que Temer cometesse o crime, o estelionato eleitoral de implantar um novo programa de governo, sem a legitimidade do voto.

Os patos amarelos são antipetistas. Acreditavam fortemente que qualquer coisa que não fosse o PT decerto seria melhor para o país. Ledo engano. Apoiaram o giro político. Sustentaram um golpe contra o Brasil. Enfim, o tiro foi no próprio pé! Temer vai de mal a pior. O PMDB é tão corrupto quanto o PT. E o programa derrotado de Aécio, hoje implantado por Temer, não beneficia a classe média como ela achou que seria. O dólar continua altíssimo. O desemprego, aterrorizante.

O PMDB congelou investimento na saúde e educação dos pobres enquanto tenta vender grandes empresas brasileiras para qualquer estrangeiros que possa pagar. O Brasil está fraco. E todos os brasileiros estão sentindo. Os patos amarelos estão murchos agora. Nem acreditam, hoje, na continuidade de um Alckmin... 

Estão desconfiados do PSDB, de uma corrupção de Aécio, do elitismo que enriquece banqueiros e deixa o povo pobre sempre pobre. Boa parte desse eleitorado está no ponto, quase pronta para apelar, para radicalizar, para tentar o absurdo: eleger um Bolsonaro presidente! Apostar agora na extrema-direita, já que a direita não fez milagre.

Alguns já desistiram da política. Já aceitam até militares. Não importa. "O Brasil não é um país sério", pensam cômodos e acovardados. O tiro, de novo, sairá pela culatra! Assim como Temer, Bolsonaro não fará milagres na economia. Bolsonaro nem entende disso.

Bolsonaro é apenas um personagem inventado, um mito brasileiro, é só a máscara de mais uma mentira fascista. Não terá nem um ano de mandato e, então, o mesmo povo desesperado de hoje já terá percebido que a economia continua fraca, que o Congresso continua corrupto. As falas absurdas de Bolsonaro, inclusive, depois de um ano na presidência, já começarão a cansar mesmo os seus antigos eleitores. São vazias. São mentiras.

A única verdade é que não há milagre em política. Não há intervenção militar que salve. O PCC, por isso, continuará poderoso no Brasil. O desemprego, alto. Os escândalos, todo dia, no Jornal Nacional. Mas, enfim, depois de alguns anos (ou uma década, caso o Exército assumisse a presidência), daí o povo voltará a reavaliar o PT de sempre, o PSDB de sempre... Procurará soluções pelo centro. De longo prazo mesmo.

Alguém até dirá que a melhor estratégia de um país é investir em educação, para o futuro ser melhor... Como ninguém pensou nisso antes? O golpe de hoje, assim, não terá sido em vão: os eleitores brasileiros amadurecerão com tudo isso! Aprenderemos com nossos próprios erros. O PT poderá até se firmar mais na centro-esquerda, sem tantas mentiras "revolucionárias". O PSDB, na direita, sem falsidade ideológica "popular".

Depois da ditadura, do fascismo, de Bolsonaros, daí quem sabe até o nosso povo se afaste por um tempo desse golpismo, dessa covardia, dos mitos, falsos heróis e salvadores da pátria.

 

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