Ciências

Epa! O sangue do país é a sua gente!

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todos os sábados no JC.
| Tempo de leitura: 3 min

Inconformado, escrevi mais sobre o que significa avaliar depois que apurei que em algumas escolas brasileiras os estudantes são:

1). Submetidos a "provas" com perguntas que requerem apenas capacidade de memorização no trinômio "estudei-respondi-esqueci",

2). Trancafiados tal como em cárceres privados isolados de qualquer comunicação e sem possibilidade de acessar fontes de conhecimentos, para "provarem" que memorizaram,

3). Submetidos a exemplos de egoísmo para que se virem sozinho sem solidariedade entre si, perdendo-se a oportunidade de ações coletivas para achar soluções,

4). Impedidos de ver a correção feita pelos seus professores,

5). Avaliados sem saber, antecipadamente, quais foram os critérios de avaliação aplicados.

Nos países mais desenvolvidos, em todos os sentidos, como a Finlândia, Nova Zelândia, Dinamarca, Noruega, Suécia e Coréia do Sul, cada vez mais diminui-se o tempo do aluno na escola, pois descobriram que a escola tem limite! Educação com ética, amor, solidariedade, bondade e honestidade são ensinados com exemplos de coerência e diálogo em suas famílias. A escola reforça estes valores primários e complementa com conhecimentos técnicos.

Famílias com filhos devem receber atenção especial com estímulos para ficar mais tempo em casa, ter períodos menores de trabalho e férias programadas. As crianças em poucos anos serão os futuros cidadãos. Quem educa e repassa os valores são os pais! A escola participa da educação, mas a essência primária vem da família.

Escutei: - Graças, as férias acabaram, não aguentava mais as crianças em casa! Como assim? São seus filhos, quem optou por tê-los? Crianças requerem paciência, tolerância, compreensão e muito exemplo e coerência, 24 horas por dia! Se não for assim, por que tê-los? Hoje muitas pessoas optam por não ter filhos, por requererem trocar de objetivos de vida!

SANGUE E VIDA

No avião cheio de gente ouvi: - o sangue que faz um país pulsar e avançar são suas empresas! Meu ímpeto consigo controlar, mas não tenho sangue de barata e disse: - Alto lá, pare com esta falácia e discurso pronto de almanaque! O sangue que faz pulsar um país é sua gente, as pessoas, as famílias e, em especial, suas crianças e jovens! Daqui a 15 anos, serão eles que tocarão o país. Adultos, cuidemos das crianças e jovens, viveremos muitos anos sob a batuta de suas condutas e de sua capacidade de decidir certo.

A avaliação na escola representa para o jovem como a sociedade o encara e "julga". Representa como será tratado e como deve tratar o próximo! Em uma avaliação convencional, analógica ou retrógada, os estudantes só com notas muito altas podem estar se refugiando nos estudos, esquecendo de se desenvolver como cidadão e ser humano completo. Isto envolve o aprender a se emocionar, se relacionar, a errar e acertar, bem como envolve o treinamento da sensibilidade e da criatividade. Nada há no intelecto que não tenha passado antes pelos órgãos dos sentidos, como disse Aristóteles. Estudantes devem participar de atividades culturais, acadêmicas e político-sociais para aprender a viver em ambientes coletivos. Os com notas muito baixas repetidamente podem estar com vários tipos de problema, inclusive rebeldia!

O aluno de nota mediana está participando de tudo e desenvolvendo uma forma de viver mais abrangente e talvez seja e será mais feliz. Os de nota muito alta ou baixa devem ser chamados a conversar, ter uma atenção maior para que professor e a escola possam ajudá-los. O processo "analógico" de avaliação não indica que o estudante esteja melhor ou pior de quando se iniciou na escola, indica apenas capacidade de memorização!

Nos países realmente desenvolvidos, os professores são valorizados como agentes formadores dos cidadãos junto com a famílias e não como cuidadores de filhos. A valorização passa por salários, mas muito mais pela reverência e distinção. São os únicos profissionais que não devem se curvar frente ao imperador do Japão, pois sua realeza afirma com frequência: sem professores não haveria governantes competentes!

Comparemos o aqui e o acolá!

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