Coração a mil por hora! Esperança e euforia estampadas no rosto de cada brasileiro! Todos unidos torcendo em prol do país. Patriotas? Eu acho que não. Preocupados em manter, a qualquer custo, o status de o 'país do futebol'? É claro que sim!
Sem hipocrisia, quem nunca se sentiu extremamente patriota durante a Copa? É lindo, não é? Bandeiras espalhadas pelas ruas, camisetas verde-amarelas, famílias reunidas durante o jogo e músicas exaltando o futebol. É quase impossível inibir a sensação nacional de contentamento, mas fica a questão: e quando tudo isso acabar? E o nosso país?
Não estou falando do Brasil pentacampeão mundial, estou falando de outro Brasil, o país de verdade, nosso lar, sabe?
Aquele mergulhado em dívidas e problemas, sem um governo decente, com seus setores decaindo, educação e saúde em último plano.
Trazer a taça da Copa para casa não vai resolver nossos problemas; ela vai encobri-los e mascará-los (coisas que já acontecem a partir das influências midiáticas). Afinal, é isso que o governo quer, não é? Um povo passivo com a pobreza e a corrupção. Como todos passaram a estar preocupados integralmente com os jogos, sobra pouco tempo para olhar ao seu redor - fora da telinha. Não podemos negar: a política do "Pão e circo" sempre funciona.
O futebol acontece como um espetáculo bem recebido pelos brasileiros. A partir disso, em situações como as que vivemos hoje, todos os cidadãos param, por escolha ou não, de trabalhar ou estudar para ficarem enquadrados na frente da TV assistindo, euforicamente, um grupo de jogadores milionários (que, ironicamente, viajando de jatinho, dizem representar o Brasil) correndo atrás de uma bola. Esse é um ótimo motivo para paralisar o Brasil, não é?
Trata-se de um país - pentacampeão no futebol, mas "multiderrotado" em questões sociais - que paralisa integralmente para um evento manipulador, mas que assiste, de camarote, à paralização de poucos (professores e caminhoneiros, por exemplo) quando o debate é sobre desigualdade e condições dignas de trabalho.
Por espetáculos como esses, esquecemos de dar atenção aos milhares de miseráveis do nosso país, dos pais de família desempregados, dos doentes morrendo na fila dos hospitais públicos e dos pobres caminhoneiros que travaram, há pouco tempo, uma luta solitária; afinal, somos o país do futebol e, independente do que aconteça, nos orgulhamos disso. O futebol é o que nos une; o social é o que nos diferencia.
Sinceramente, ganhar a Copa, em tempos atuais, não deve ser visto como nosso maior objetivo. Na situação alarmante em que o país se encontra, o povo precisa acordar. Não estou dizendo daquelas manifestações ridículas que são mais desculpa para baderna do que para propor melhorias, estou dizendo do levante real, de cada brasileiro, unido, por uma mesma meta que não seja apenas a Copa do Mundo.
Sabe aquela união presente nos jogos? Por que não a usar para um motivo verdadeiro? Apenas um povo unido, forte e ciente do que quer, pode tirar o Brasil dessa areia movediça.
A discussão que instauro não quer dizer que torcer para o Brasil na Copa seja errado; afinal, o espetáculo já está lá e o problema não é o evento, mas o que fazem dele (manipulação do povo). O que é inadmissível é deixar a mídia nos desviar dos reais problemas, logo num ano tão decisivo - ah, você lembrou? Neste ano, acontecem as eleições presidenciais, e aí? Já sabe em quem votar ou estava ocupado preocupado com as supostas lesões do Neymar, o salvador dos problemas do Brasil?
Por favor, acorde brasileiro! Faça a sua parte! Desligue um pouco a sua TV e ligue sua mente! Que Brasil você vai deixar para os seus netos? Como seu lar estará daqui a alguns anos? É de se refletir - e não assistir - não é mesmo?