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Snoopy é resgatado e espera um novo lar

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Snoopy e Vanessa Araújo, presidente da ONG Arca da Fé, que o resgatou na madrugada de ontem

Depois de dois dias de muitas mudanças, o olhar do cão Snoopy ainda parece perdido. Em meio a tanta gente desconhecida, ele interage pouco, às vezes resiste para se alimentar e praticamente não brinca.

O momento de transição parece estar sendo difícil para o animalzinho, mas as expectativas, daqui em diante, são as melhores: resgatado, ele passará por exames, será castrado e, em breve, deverá estar em condições de ganhar um novo lar.

De idade estimada entre dois e seis anos, Snoopy perdeu sua dona, Samanta Fabiana Benedita, 40 anos, assassinada da madrugada de sábado sob o viaduto da avenida Rodrigues Alves com a rodovia Marechal Rondon. No local, ela vivia com o cãozinho e ao menos mais dois gatos, todos resgatados pela ONG Arca da Fé a pedido do delegado Fábio Mariotto.

Aceituno Jr.
A veterinária Fabiana Sargasso, acompanhada de Vanessa Araújo, constatou que as condições de saúde de Snoopy são boas

Os felinos, menos arredios, foram recolhidos no dia do crime. Na ocasião, Snoopy conseguiu fugir. "Quando chegamos, ele permaneceu por muito tempo ao lado do corpo da dona, mas, sempre que tentávamos nos aproximar, ele corria", conta a presidente da entidade, Vanessa Araújo.

Na madrugada de ontem, dez integrantes da ONG retornaram ao viaduto e reencontraram Snoopy. Com a ajuda de um cambão e com a retaguarda de uma rede esportiva para evitar que ele corresse o risco de ser atropelado em caso de nova fuga, a equipe conseguiu contê-lo em cerca de meia hora.

Ontem de manhã, o cão tomou banho e passou por exame clínico. Segundo a veterinária Fabiana Sargasso, as condições de saúde são boas, embora ele precise recuperar peso e se livrar de parasitas, como pulgas e carrapatos.

"Ele tem uma infecção no ouvido, que já está sendo tratada, e teve parte da orelha decepada, mas a lesão já está cicatrizada. Vamos fazer um hemograma e, se tudo estiver bem, será castrado ainda nesta semana", detalha.

CUIDADOS ESPECIAIS

As condições emocionais de Snoopy, no entanto, ainda preocupam. De acordo com Vanessa, devido à ausência da dona, com quem o cão convivia praticamente 24 horas por dia, a hipótese de ele desenvolver depressão não está descartada.

"Já atendemos casos assim, de animais que quase morreram depois de perderem o dono. Eles se apegam muito", aponta. Mas a expectativa é de que, aos poucos, Snoopy consiga se recuperar e se apegar a um novo dono.

Dois dias depois da morte de Samanta, ele já demonstra alguns sinais positivos, como aceitar carinho e colo dos membros da ONG. Porém, por seu histórico, o cãozinho demandará cuidados especiais quando ganhar um novo lar.

"O Snoopy ainda está optando por ficar mais isolado e quem for adotá-lo precisará ter tempo disponível para dedicar a ele. O perfil ideal não será de alguém que fica o dia todo fora de casa, até porque ele tinha a companhia da antiga dona durante quase todo o tempo", detalha.

Neste período de transição, o animal ficará no abrigo da Arca da Fé, localizado na zona rural de Bauru, próximo ao Distrito de Tibiriçá. Segundo Vanessa, nestes primeiros dias, ao menos uma pessoa já manifestou interesse em adotar o cãozinho e o perfil dela será analisado.

Quem tiver o desejo e condições de cuidar de Snoopy ou quiser contribuir com doações pode entrar em contato pela página da ONG no Facebook (https://www.facebook.com/ongarcadafe) ou pelo telefone (14) 99746-4057.

Você sabia?

A fidelidade dos cães aos seus donos foi retratada pelo filme "Sempre ao Seu Lado", de 2009, estrelado por Richard Gere. Adaptado para a realidade contemporânea dos EUA, o longa conta a história real, de quase 100 anos atrás, do akita Hachi e seu dono, um professor da universidade de Tóquio, no Japão. Em 1987, o filme japonês "O Conto de Hachiko" já havia se dedicado a narrar a mesma história, do cão que, todos os dias, acompanhava a ida do dono ao trabalho, desde a porta de casa até a estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia. A rotina foi interrompida em maio de 1925, quando o professor sofreu um AVC enquanto trabalhava e não voltou à estação, onde Hachi o esperava. O cão não se adaptou a uma nova família e acabou adotando a estação como novo lar. Em 1934, Hachi foi homenageado com uma estátua de bronze, erguida em frente ao portão da bilheteria da estação de Shibuya.

Veja vídeo:

 

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