Estamos assistindo ao torneio mais importante do mundo quando se fala em futebol. Com novidades tecnológicas, atitudes machistas e surpresas futebolísticas, essa última sim a grande expectativa de quem anseia por um momento em que as 32 melhores seleção do mundo se enfrentam em busca de um lugar na história.
A seleção canarinho chegou mais uma vez com força e vem pavimentando sua candidatura a cada gol que faz, e a cada gol que não toma. Não é só a rede que não balança. O sistema defensivo do Brasil é sólido como um todo.
Desde a zaga até o ataque, todos "atacam marcando", segundo expressão do nosso treinador, aquele que criticou Felipão por falar muito, mas que também exagera um pouco nas palavras durante a entrevista, dando a ideia de que está fundando uma nova religião, de tão messiânico que aparenta ser.
Nosso maior craque, sendo avaliado por alguns, como o mais promissor desde Pelé, é realmente uma preciosidade quando vira o rosto para o gol adversário. Mas, envolto em redes sociais e coberto por polêmicas com suas quedas, vem sofrendo várias enxovalhadas.
Às vezes coerentes e às vezes desnecessárias. Depois do lance com o México, em que o jogador rolou, à lá Projac, todos criticaram. Mas, o mundo se torna um pouco mais duvidoso, quando criticam mais o ator, do que o malfeitor. Pisar ainda é mais danoso do que teatralizar.
De forma geral, a seleção é aquela que tem a camisa que mais pesa, o drible mais inesperado, o sorriso mais fácil. Com todas as dificuldades econômicas e sociais, e a falta de credibilidade na política, a seleção ainda é motivo de orgulho e alegria.
Se o símbolo da CBF não goza de tanta credibilidade e se a referência de ídolos precisa ser revista, não significa defender a repugnância da nossa escola futebolística. Precisamos, não odiar o futebol, mas aprender a ganhar dinheiro com ele; não podemos perder jovens talentos de forma precoce, como ocorreu com Vinícius Junior e Rodrygo, ambos saindo do Brasil rumo à Espanha. Precisamos de um banho de civilidade e decência no país, e nutrir ódio quando o Brasil joga não nos faz crescer como povo.
E, nessa saga, de construir um Brasil melhor, vamos lutando, driblando e ganhando as nossas partidas do dia a dia. Temos quedas por salvadores da pátria. Não é só no cargo de treinador do Brasil que aparece gente disposta a escrever um novo evangelho. Na nossa política tem gente com vontade sair da tumba para poder se eleger e fundar uma nova época de paz, amor e salvação.
Se esses salvadores são ou serão bons para a história do país, os livros de história dirão. Cabe a cada um avaliar de forma macro o que acontece não só com si próprio, mas com o Brasil. Se cada empresa tem o rosto do dono, a seleção não poderia ser diferente.
Cada um enxerga nos 23 convocados por Tite, o que lhe apetece. E, convenhamos, fica muito incoerente criticar as artimanhas do Neymar para que o mexicano levasse vermelho, e depois usar de uma artimanha para vencer na vida, não pagar imposto, furar fila e não devolver o troco que veio a mais.
Como diria Vandré, vem, vamos embora, porque esperar não é saber. As malandragens e o jeitinho brasileiro de Neymar, bem como a obediência tática do time e a divindade de Tite, nada mais são do que reflexo do Brasil. Depois de 15 de Julho a vida volta ao normal.
No campo da vida vamos sofrer bolada nas costas, carrinhos por trás e cotoveladas. E não teremos VAR para socorrer. Vai depender de nós para que, com nossos próprios dribles, levantemos nossos próprios troféus.
O autor é graduado em jornalismo com MBA em Marketing pela FGV/Ohio University.