| Divulgação |
![]() |
| Acima, a terapeuta de família Renata Machado: maior troca; Lúcia Zane (abaixo) é avó "coração mole", mas última palavra é sempre da sua filha, mãe da neta de 11 anos |
Aquela figura da senhora sentada na cadeira de balanço, fazendo crochê ou do senhor fumando seu charuto na varanda ou varrendo a frente da casa já não faz mais parte da realidade da maioria dos avós dos tempos atuais. Com a terceira idade cada vez mais ativa, os idosos - que, muitas vezes, se transformam em "segundos pais" dos filhos dos seus filhos - desenvolvem, hoje em dia, uma relação cada vez mais dinâmica com seus netos.
| Arquivo Pessoal |
![]() |
| Lúcia Zane |
Hoje é o Dia Nacional dos Avós. É claro que o afeto entre eles e os netos esteve presente desde sempre. Mas, como boa parte dos vovôs passaram a ter agenda própria, que inclui atividades físicas, culturais e sociais, a disponibilidade de tempo para dedicar à família já não é mais a mesma.
Por outro lado, sempre que o convívio se torna possível, o preparo das tradicionais guloseimas no fim da tarde, a contação de histórias e as cantigas se somam a novas atividades, incluindo as ligadas à tecnologia, que os mais novos ensinam aos mais velhos, como usar os recursos do celular, dos aplicativos de mensagens e das redes sociais.
"É claro que estamos falando de uma tendência e de uma realidade mais próxima de nós, do Estado de São Paulo. Mas as pessoas estão envelhecendo mais tarde e de maneira diferente. Os idosos se tornaram menos rígidos, com a cabeça mais aberta ao mundo e passaram a ter uma vida mais interessante, de constante aprendizado. Com isso, a configuração da troca que eles estabelecem com as novas gerações mudou", comenta a terapeuta de família Renata Machado.
RESPEITO
A aposentada Lúcia Zane, 68 anos, é um exemplo desta nova "modalidade" de avó. Ela, a filha Vanessa, 44 anos, e a neta Isabela, 11 anos, sempre moraram juntas. Como Vanessa trabalha como enfermeira, Lúcia assumiu alguns cuidados com Isabela e chegou a levá-la aos encontros que realiza semanalmente com suas amigas em um clube da cidade.
"Nossa relação é ótima. No ano passado, a Vanessa trabalhava das 13h às 19h e eu levava a Isabela no clube para jogar tênis. Hoje, minha filha trabalha das 7h às 13h e eu busco minha neta na escola. Depois que a mãe dela chega, vou fazer as minhas coisas", revela.
Um dos segredos para manter esta boa relação, Lúcia diz, é respeitar Vanessa em seu papel de mãe. Apesar de confessar ter "coração mole" e ceder a algumas pequenas vontades da neta, a aposentada garante que, em qualquer decisão mais importante, a mãe sempre entra em ação.
A terapeuta Renata Machado considera este o melhor modelo para as relações entre avós e netos, principalmente quando eles passam muito tempo juntos e distantes dos pais. "Avô pode cuidar, mas não é seu papel educar. É preciso haver uma negociação, com regras impostas pelos pais que os avós devem respeitar e limites à individualidade e aos anseios destes avós, que os pais precisam considerar", observa.

