Américo Gonçalves dos Santos, meu sogro, durante décadas foi inveterado aficionado na arte de caçar aves e animais selvagens.
Anualmente, juntamente com companheiros, cada um guiando seu próprio veículo, eles se deslocavam até Mato Grosso e por lá ficavam muitos dias embrenhados na mata. Meu sogro nunca cozinhou em sua residência, mas era o cozinheiro no acampamento.
Um dia, já com a espingarda na mão, ele deparou-se de chofre com uma macaquinha. A distância entre os dois era o suficiente para ele abatê-la impiedosamente. Mas eis que inesperadamente ela arrancou o filhote grudado ao seu cangote e mostrou em gestos desesperados ao algoz que não desejaria ter um filhote ainda novinho sendo órfão de mãe.
Aquilo foi um balde de água fria na vontade do caçador em matar a macaquinha. Meu sogro entendeu instantaneamente a emblemática mensagem gestual. Baixou o cano da espingarda, deu meia-volta, distanciando-se paulatinamente do local. Nunca mais meu sogro caçou em sua vida. Deu os cães de caça e as espingardas.