Quem fala a verdade? Quem pos(t)a de verdadeiro só para falar? Que era vivemos ou fingimos acontecer? Nunca se disse e se escreveu tanto (em bárbaras quantidades e... quantas barbaridades!).
As redes sociais possibilitaram algo inédito na trajetória humana: ler pensamentos. A pessoa que tecla lá um comentário raivoso, em outros tempos, guardaria só para si. No máximo, resmungando com mãos no bolso pela rua escura. Hoje, pensou (ou quase), postou.
Paralelamente, temos agora a pródiga e sazonal profusão dessa categoria de gente que adora postar e falar: os (rufem os tambores) senhores can-di-da-tos. Que graça são.
Simulam, acreditam e seguem firme em sua rotina de distorções até a resposta das urnas. Muitos dos derrotados adotarão mais quatro anos de distância e silêncio até a retomada da verborragia na caça aos votos.
Sinceros e fingidos nunca formaram tão fortemente a mesma persona - na vida real/irreal dos postulantes a cargos - e na ponta dos dedos dos desvairados da internet.
Deixando claro: a internet é uma maravilha sem precedentes. A humanidade faz coisas incríveis, mas uma pessoa pode ser bem horrível.
Como separar gente fina, elegante e sincera dos aproveitadores nesses tempos ultramodernos? Não sei. Até porque, na maioria das fake knews, por exemplo, nem dá para olhar nos olhos do mentiroso (esse ser difuso, diluído, escondido nos guetos virtuais). Do candidato, dá.
Vamos apostar na boa e velha prática física, orgânica, direta e ancestral: olhar nos olhos (e torcer para que nosso candidato de estimação não tenha olhos de vidro). O que não podemos nas relações atuais, ainda mais numa véspera de tão importante eleição, é fingir que não é com a gente.