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Carro também pode ser uma arma

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 3 min

Entre numa oficina mecânica e peça para ver uma ponta de eixo e uma pastilha de freio. Talvez se assuste com o pequeno diâmetro dessa ponta de eixo e com o tamanho da pastilha que possibilitam o movimento e a parada do veículo. E lá vamos nós a 120km por hora, confiantes nessas e nos outros componentes que formam o automóvel. Uma bolha de ar no sistema de freios já causa consequências. Nas motos menores, com freios a tambor, são ainda menos seguras.

Um amigo saiu ileso d'um acidente, pois seu carro moderno equipado com 6 air-bags o protegeu. Já estão vendendo veículos com sensores capazes de detectar obstáculos antecipadamente e reduzir automaticamente a velocidade. Alguns possuem sensores que identificam se o veículo está saindo fora da estrada, se o tipo de tração é condizente com o piso molhado, seco, lama, gelo; espelhos retrovisores que identificam veículos passando pelos pontos cegos, muito eficientes no corredor utilizado pelos motociclistas e por aí vai. Ficamos encantados com o a performance de veículos sem motoristas, mas esquecemos a sofisticação da tecnologia que dirige os aviões sem a necessidade da intervenção do piloto, dos foguetes e satélites que levam ao local programados previamente; aos artefatos de guerra que bombardeiam alvos específicos.

Tudo isso ainda é insuficiente para o condutor dessa arma sofisticada, que imprime altas velocidades em locais não adequados, que ameaçam os pedestres, dirigem alcoolizados e que por dia atropelam e matam mais que as armas. Não tenho suporte estatístico para essa afirmação, mas pelas notícias diárias calculo que não estou longe dessa verdade.

O ser humano vai a gestos extremos como dedicar tanto o amor como o ódio. Não entendo como o mesmo motorista é suficientemente educado para parar na faixa de segurança em frente do Supermercado Confiança e daí 20 a 30 metros não obedecer a faixa que divide a ilha entre a continuação da rua Gustavo Maciel e avenida Getúlio Vargas. Quem não tem uma história de manter a devida distância do veículo da frente e um "apressadinho" entra nesse espaço como se a ele fosse reservado? As leis de trânsito são severas e punem, mas nada intimida alguns motoristas.

Sábado à noite, trafegando pela Rodovia Marechal Rondon, num trecho de aproximadamente 200 metros, um veículo costurava perigosamente, talvez seu motorista estivesse pensando estar disputando posições numa corrida de fórmula um. Quantas vezes, vendo um pedestre na faixa de segurança aguardando para atravessar, ao olhar pelo retrovisor, vemos um carro colado ou em alta velocidade que se frearmos, ele colidirá e poderá ser ainda mais fatal ao pedestre. Meu adorado e finado pai dizia "dirija como se todos fossem malucos e você o único são". Em outras palavras, dirigir defensivamente e com responsabilidade. Quem não viu algum motorista dentro de garagens de shoppings, supermercados, prédios, perto de escolas e espaços públicos dirigindo irresponsavelmente? Mais uma vez, temos a exata noção da falta de educação do nosso povo nos pequenos e grandes momentos.

O carro pode tanto nos trazer prazer, como a nos levar ao inferno, dependendo do uso que o fazemos dele. Um acidente, mesmo com o motorista estando certo, nunca sairá das amargas lembranças que o acompanharão por toda a vida.

O filhos e entes queridos são nossos passageiros e estão atentos ao nosso comportamento que servirá de base para construir seus patrimônios cultural, social, espiritual e legado a serem levados a diante e praticados. Até ao dirigir podemos praticar a misericórdia com nossos irmãos, quando não intencionalmente, ele pratica alguma infração. Tudo acontece numa fração de segundo.

O autor é professor da FOB-USP, membro Lions Clube Centro e M.E.C.E.

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