Tribuna do Leitor

O apagão da CPFL!

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Este diário publicou, em 23.08, a segunda matéria com a investida da CPFL para cortar 174 árvores de grande porte apenas nos Altos da Cidade, situação que está sendo estudada pela Semma. Infelizmente, não há dúvida de que a Semma irá aprovar e, em pouco tempo, teremos os últimos remanescentes de sombra virando lenha. Gostaria de entender de onde vem esta visão tacanha, agressiva, egoísta e nada ecológica que, particularmente em Bauru, encontra tanto apoio e consideração.

Podemos apontar incontáveis cidades onde túneis de sombra, com muito verde, tornam a vida mais amena e o meio ambiente mais saudável. Mesmo em Bauru, onde o órgão municipal autoriza várias centenas de supressões anualmente, onde o munícipe tem a odiosa mania de transformar copas de árvores em "cotonetes de folhas" ou medíocres bonsais, onde o anelamento e o corte indiscriminado é a regra e, pior ainda, onde o plantio de novas árvores é mais raro que encontrar político honesto, ainda há uns poucos pontos que resistem bravamente à fúria doentia da motosserra.

Contrariando a tese da CPFL, é mais provável que os tais apagões decorram do subdimensionamento da rede do que de agressão das árvores. Ademais, ainda que um ou outro evento possa ser atribuído às árvores durante as raras tormentas anuais, o sistema elétrico é protegido e basta que a empresa mantenha seus serviços de reparo com pessoal suficiente para que qualquer inconveniente seja prontamente restabelecido. Mas daí a querer seguir essa regra patética de somente se plantar árvores que mal sombreiam e sequer atinjam a altura da fiação, há uma grande distância.

O incrível é que os órgãos técnicos parecem não perceber a importância da arborização urbana e, repito, não me refiro às mudinhas de 3 metros que se vê espalhadas. A radiação solar não aquece o ar por onde passa, mas, sim, a superfície que atinge e é refletida. A razão entre a absorção e devolução de calor à atmosfera é chamada de "albedo". O albedo do concreto/asfalto é de 90%, enquanto que das copas de árvores é de 5%, ou seja, uma cidade sem verde tende a devolver 90% da radiação solar em forma de calor, ao passo que absorve esse mesmo índice quando quem recebe o sol é uma superfície orgânica. Se o sol não aumentou sua temperatura nos últimos 13 bilhões de anos, quem poderia duvidar disso, vivendo numa Bauru cada vez com menos árvores e cada ano mais quente?

Mesmo assim, Semma, CPFL e, infelizmente, a expressiva maioria da população seguem firme em sua guerra contra as árvores, alegando que "não são adequadas", "provocam apagões" ou "sujam as ruas", respectivamente. Até quando jogaremos de forma tão irresponsável com o meio ambiente e a qualidade de vida, como se nossa existência e o futuro de nossos filhos não dependesse daquilo que fizemos e deixaremos para as próximas gerações?

 

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