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Boneca Momo: desafio alerta pais e professores

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Ela tem nome, número de telefone e um rosto aterrorizante que vem preocupando pais e professores. Pálida, com cabelos pretos, olhos esbugalhados e um sorriso sinistro, os traços macabros da boneca Momo ficaram famosos pelo WhatsApp. Muito mais assustadores que sua feição horrenda, contudo, são os riscos do contato de crianças e adolescentes com o número de telefone que dissemina tal desafio viral.

Segundo relatos, um contato envia mensagens para o celular com desafios dos mais variados, que podem chegar ao pedido de sufocamento e até mesmo ao suicídio. Muitos comparam esta nova personagem à Baleia Azul, que já levou vários jovens à morte, em 2017. Vale destacar que, ontem, teve o início a campanha Setembro Amarelo, do CVV, exatamente contra os suicídios.

Segundo o professor da Unesp e especialista em Conteúdo para Web, Francisco Machado Filho, a orientação é a melhor arma para afastar as crianças e adolescentes de ações criminosas na Internet. "Por mais que tentemos alertar, o brasileiro não mostra preocupação com seus dados de navegação na Internet. É importante que haja conscientização da importância na troca de dados. A gente está expondo a nossa vida de uma maneira indiscriminada e pessoas mal-intencionadas acabam se aproveitando, principalmente de crianças", diz.

Ainda de acordo com o especialista, a velha premissa passada de geração em geração "não converse com estranhos" também serve muito bem quando o assunto é Internet. "Cabe muito a orientação dos pais no sentido de explicar que, nem só porque uma mensagem chegou em seu telefone, ela é para você ou de alguém que te conhece. Isso é feito por algoritmos de programas de computador que enviam milhões de mensagens e, a partir do momento em que se responde, há o contato com seus dados e a interação de uma outra pessoa", explica.

PAPO ABERTO

Assim como muitos adolescentes, o filho da professora do Ensino Infantil Elaine Carlota Rezende Andrade, de 43 anos, sabia antes dela sobre o desafio da Boneca Momo que vinha circulando pelas redes sociais. "Quando recebi o alerta sobre isso e fui conversar com o meu filho, ele já sabia. Disse que os amigos falaram sobre a personagem e que eles sabem que não é bom manter contato", diz.

A preparação do filho de 14 anos e da filha de 15, segundo ela, vem mesmo de muita conversa dentro de casa. "Nós conversamos bastante sobre os perigos da Internet. A minha filha é mais tranquila e nunca me deu trabalho em relação a isso, já o menino, às vezes, fica por muitas horas navegando. Eu oriento e puno quando passa dos limites, mas também tento dar privacidade até certo ponto", afirma.

DESDE PEQUENOS

Não só em casa, mas também no trabalho, Ela repara que as armadilhas da Internet estão chegando cada vez mais cedo à vida das crianças. Professora do Ensino Infantil em Bauru, ela destaca que, muitas vezes, teve de orientar os pais dos pequenos sobre os riscos da rede.

"Tanto como mãe quanto professora, crimes como estes assustam e preocupam bastante. Os meus aluninhos têm de 2 a 5 anos e, já nessa faixa etária, percebemos que fazem uso de vídeos e jogos em tablets e celulares por um longo tempo. Alguns tem WhatsApp mesmo com a pouca idade. Procuro conversar com os pais e orientar para que as crianças não passem muito tempo consumindo esse tipo de conteúdo sem monitoramento", finaliza.

ORIGEM

Reprodução
Escultura foi exposta, em 2016, em museu japonês

Não há a origem precisa dos primeiros contatos, uma vez que este tipo de caso está relacionado a milhares de boatos que circulam pela Internet. Golpistas e criminosos, com motivações variadas, se aproveitam da curiosidade ou até da brincadeira de alguns grupos online para chegar às vítimas e provocar danos concretos. Já a imagem assustadora é japonesa e pertence a uma escultura de uma mulher-pássaro. que foi exposta, em 2016, no museu Vanilla Gallery, em Ginza, Distrito de Tóquio, atribuída a Keisuke Aisawa. Os números de celulares que provocam as ameaças ou disseminam os convites mudam conforme o fenômeno circula entre os países e cidades, contudo, a maioria aparece com o código 81, do Japão.

Já há registros de mortes envolvendo a boneca

A família de duas adolescentes, de 13 e 14 anos, de Caruaru, em Pernambuco, descobriram mensagens e vídeos trocados pelas jovens que sinalizavam a participação no Desafio da Momo, depois de as meninas desmaiarem em sala de aula. De acordo com o Jornal do Commercio, as vítimas teriam ingerido grande quantidade do remédio diazepan e passaram por uma lavagem estomacal. A mãe de uma das garotas ainda informou que a filha estava com diversos cortes nos pulsos e ombros.

No dia 15 de agosto, um caso já havia chamado a atenção em relação ao desafio. Na Zona Oeste do Recife, um menino de 9 anos foi encontrado morto, no quintal de casa, amarrado a um fio de náilon enrolado no pescoço. Ele chegou a ser levado com vida para o hospital, mas não resistiu. Após a morte, a mãe do menino se lembrou que ele teve contato com o desafio que circulava pela Internet.

Na Argentina, um caso parecido deixou pais de crianças e adolescentes em alerta no final de julho.

A polícia começou a investigação sobre o suicídio de uma menina de 12 anos que recebia ameaças pelo WhatsApp de um contato identificado como Momo.

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