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A eleição da imitação

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Uma eleição paralela está em curso: quem imita melhor os candidatos? Marcelo Adnet já tem seu próprio horário eleitoral. Em cada vídeo seu na internet haverá um postulante à Presidência. Começou na sexta-feira com Bolsonaro.

"A minha proposta é clara: vou mudar isso daí, tá ok?", repete o candidato-personagem. "Porque esses gayzistas querem transformar nossas crianças em quilombolas-indígenas-homossexuais", grita o Jair Messias Bolsonaro de Adnet (Messias é sobrenome real do polêmico deputado).

Não faltam trejeitos, colas na mão e uma confissão: "Eu falo as coisas como se estivesse lendo ou decorado". Os internautas se dividiram. Uns gostaram muito, outros acharam fraca a personificação. E lembraram de outro imitador: Márvio Lúcio, o Carioca.

Carioca faz o "Bolsonabo". "Com filho é o seguinte: quanto é três vezes cinco? Se não falar quinze, vai apanhar. Dou logo uma sapatada". Carioca, assim como Adnet, também imita Lula (o não-candidato mais candidato do mundo) e Alckmin. Tucano, aliás, que certamente estará no próximo tutorial de Adnet, já que nenhum dos favoritos a ir para o segundo turno escapará de sua interpretação.

Nesse sentido, Alexandre Porpetone largou na frente. Já está no YouTube, desde o dia 16, o debate dos presidenciáveis no qual o humorista imita não só os candidatos (inclusive um tal Gula, da cadeia, com um japonês ao lado) como também o mediador (craque Neto!).

"Antes de mais nada quero dizer que prefiro álcool em mim do que Alckmin, viu ô picolé de chuchu pouca telha", diz o Gula de Porpetone.

Marina virou "Magrina", Ciro é "Cirola Gomes", Bolsonaro é "Bolsomagro" (que vai criar o "Bomba Família" e chamar Chuck Norris e Van Damme para seu ministério).

De fato, Bolsonaro é o nome que forneceu volumoso arsenal para as paródias e, assim, ocupa o maior tempo no horário dos imitadores - ao contrário da propaganda verdadeira da TV.

Sem esquecer de Tom Cavalcante que, aqui e ali, também faz suas encarnações de políticos, assim como Ceará, Gustavo Mendes e outros tantos.

Se na campanha real a vontade do eleitor é de chorar, fica a compensação das imitações que fazem rir. Ainda que de constrangimento.

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