Tribuna do Leitor

O museu da realidade brasileira

Ivan Garcia Goffi - advogado
| Tempo de leitura: 2 min

Contrariando os bombeiros da esperança, acho que o Museu Nacional sequer deveria ser limpo, mas mantido como está por ser o mais perfeito museu a céu aberto da história brasileira. Um acervo da incompetência, da ineficiência, da podridão do jogo político que deteriora a nação e nossas riquezas. Um monumento ao escombro e terra arrasada do que viramos. Deveria se tornar um memorial às gerações futuras para, talvez, aprenderem como foi fácil transformar um país em cinzas.

O reitor da UFRJ, mantenedora do Museu Nacional, é um indicado do PCdoB desde a era Lula, apenas mais um dos 30.000 ocupantes políticos descompromissados com a importância do cargo público que ocupam. Retrato fiel das mazelas nacionais. Sem nenhum pudor, quer jogar a culpa numa hipotética verba que "não foi liberada pelo governo Temer" em 2016, como se a história de descaso tivesse começado naquele ano.

Sua fala tardia sobre segurança seria digna de maior desprezo, se não devesse ser enquadrada em caso de polícia ao anunciar que "aquele cenário já era esperado porque não havia um quadro anti-incêndio". Já era esperado?! Com que paz de espírito alguém diria isso, sendo ele o responsável pelo acervo de dois séculos de história brasileira e internacional, pesquisas científicas da mais alta relevância para a evolução humana e um patrimônio histórico incomparável e irrecuperável?

Para esse tipo de investimento em "educação e cultura", sempre falta interesse e dinheiro. Fosse uma exposição de um artista qualquer que coloca desenho de genitais pregados num crucifixo, certamente o dinheiro sairia, tudo em nome da cultura. Em contrapartida, quatro obras do governo federal para a Copa do Mundo, na mesma cidade, apenas recursos superfaturados (desviados!) seriam suficientes para manter o Museu Nacional durante 8.132 anos. Para a Odebrecht e OAS, financiadoras do PT, nunca faltaram recursos.

Somos o retrato da incompetência. Sempre fomos. Nossos parques nacionais estão relegados, as riquezas naturais abandonadas ao descaso, os raros prédios históricos (ainda de pé) em deterioração e largados às traças e qualquer projeto de tentativa de melhoria esbarra no jogo de interesses político do atraso e da ineficiência. Mas, o que mais impressiona é a frequência com que tragédias se sucedem e, passada a comoção dos primeiros dias, caem no ostracismo e inapetência político-administrativa. Que venha o próximo João Hélio, barragem de Mariana e incêndios (de favelas, museus, matas, frotas de ônibus, etc). Isso é Brasil.

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