Tribuna do Leitor

O crescimento e o (des)cuidado com a Cidade Sem Limites

Profª. Leila Arruda - bauruense de coração
| Tempo de leitura: 2 min

Moro na zona sul de Bauru e meu "caminho da roça" é passar diariamente pela rua Elisiário Franco. Se vou à academia, ou à cidade, ou ainda na casa de minha filha, sempre é o mesmo caminho, não importa onde eu vá. Não sabia o nome dessa rua até hoje. Procurava placas indicativas mas não as via. Fui buscar no google o endereço do curso do Dr. Damásio que se localiza lá.

Há muito pretendo alertar as autoridades sobre o que vejo em meu caminho. A princípio me incomodaram os lixos que via à margem da rua, entre as árvores, pois as duas laterais eram permeadas por árvores nativas de nossa mata. Aos poucos, fui encontrando árvores incendiadas. Era num lote aqui, noutro ali e quando passo hoje vejo muitas incendiadas, pois é isso que acontece. Primeiro incendeiam, colocam fogo para que elas morram. Depois, as cortam e por fim passam o trator, limpando tudo e eis que então surge a construção de um edifício ou algo semelhante.

É muito triste a realidade de Bauru neste universo onde moro. Quando mudei para cá, eram poucos os imóveis e condomínios.

A av. Afonso José Aiello era uma estrada vicinal. Daí em diante surgiu a Escola Four C; os demais condomínios se encheram de casas, as três torres foram terminadas, mais prédios e prédios e condomínios... e a estrada, agora chamada avenida, continuou a mesma, estreita.

Hoje, com a construção de mais condomínios verticais e mais uma escola, resolveram aumentar a via, mas não completamente, o que imagino não resolverá em nada o problema que temos enfrentado.

Será que a Seplan acompanha a devastação que acontece nesta área da cidade? Será que a Secretaria do Meio Ambiente tem acesso a esta realidade? E a Emdurb? Será que estou exagerando ao sentir meu coração apertado cada vez que saio por esta avenida e passo pela Rua Elisiário Franco? Será que pensaram em fazer ciclovias nestas ruas que estão mexendo, reformando?

Enfim, esta Bauru que tanto amamos precisa ser melhor cuidada por todos nós. Ela cresce como "cidade sem limites", mas cabe à nossa gestão a responsabilidade de limitar e a nós cidadãos de cuidar e aos empresários e construtoras, não pensar somente em lucrar com novas e altas construções. Caso contrário, ficará impossível de se viver em Bauru.

Fala-se tanto em Meio Ambiente e Ecologia, mas não vemos quase nada ser feito em favor do cuidado com o meio em que vivemos.

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