Regional

Tecnologia ajuda roteiro caipira

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 8 min

Fotos: Miriam Jacob/Gastronomia da Estrada de Terra
Venda do Ribeirão Bonito em Arealva faz parte do roteiro da Gastronomia da Estrada de Terra que foi maepado

Estrada que dá acesso ao Bar da Lagoa, localizado na zona rural de Pederneiras: local bucólico que também faz parte do roteiro da Gastronomia da Estrada de Chão

O fogão a lenha, a comida caseira e belas paisagens são a marca registrada na região que vai de um pequeno restaurante em estrada de chão batido a uma pousada com casarão colonial. Tudo isso existe e está espalhado em mais de 50 municípios no entorno de Bauru. A tecnologia do GPS ajudou a facilitar esse roteiro gastronômico que gera renda, turismo rural e oportunidade de lazer nos finais de semana. Nos últimos meses, pelo menos três roteiros estão disponíveis em rede social, mapa de papel e em site na Internet, todos hierarquizados com informações sobre funcionamento dos estabelecimentos comerciais.

O que mais chama atenção é que desde uma pequena venda na área rural de Pederneiras até um restaurante localizado na Pedra do Índio, em Botucatu, ficou mais fácil de ser localizado.

Em abril de 2016, o caderno regional do JC já havia divulgado um roteiro de pequenas vendas elaborado informalmente por Carlos Moreira que tinha hábito de fotografar bares e vendas nas suas andanças nas zonas urbana e rural como vendedor.

Há poucas semanas, com recursos do Programa de Ação Cultural (ProAC), Miriam Jacob, que já residiu em Bariri e atualmente mora em São Paulo, elaborou o guia da Gastronomia da Estrada de Terra que traz um roteiro de 50 estabelecimentos em 34 municípios da Bacia Tietê-Jacaré que vai de Bauru, Araraquara, São Carlos e Jaú. Ela percorreu todos os locais, fotografou e conseguiu até as coordenadas do local, via GPS, que facilita a localização no Google Maps. "A ideia era só fazer o mapa para impressão, com todas as informações compiladas, porém o projeto cresceu e há links também mapeados", conta Miriam Jacob. O material até outubro poderá ser baixado para impressão. 

Mas o Polo Cuesta também fez roteiro semelhante e já atualizou o "Sabores da Cuesta", que subiu de 25 estabelecimentos para 35, todos  mapeados e localizados em grande parte em estradas rurais de Botucatu, Pardinho, São Manuel e Bofete. 

De acordo com a assessora da Secretaria de Turismo de Botucatu, Luciana de Andrade Alho, o objetivo do guia é facilitar a ida da população às propriedades que estão trabalhando com turismo rural. Cada local no guia conta com código QRcode, onde os visitantes poderão baixar o aplicativo de leitura, fotografar e ter o itinerário até o local.

Já em Torrinha, o casal Marcel Hubner Brandão e Jackeline Voltolin Brandão criou um aplicativo para celular para o município e cidades vizinhas, incluindo roteiro turístico. Para viabilizá-lo foi incluído uma parte comercial com roteiro de estabelecimentos. 

Roteiro ‘viaja’ por estradas rurais

Mapeamento atinge cinquenta estabelecimentos localizados na zona urbana e rural em trinta e quatro municípios pertencentes à Bacia Tietê-Jacaré?

Fotos: Miriam Jacob/Gastronomia da Estrada de Terra
Comida em fogão a lenha é uma tradição em vários restaurantes rurais na região de Bauru

O roteiro da "Gastronomia da Estrada de Terra" mapeou 50 estabelecimentos localizados na zona rural em 34 municípios da Bacia Tietê Jacaré que se estende numa área com população de 1.462.855 habitantes que vai de Bauru, Araraquara, São Carlos e Jaú. A escolha do critério de bacia e não por região administrativa se dá por conta do turismo gerado em torno dos rios (como já é desenvolvida em Brotas) ou das tentativas de turismo regional do Caminhos do Tietê.

No levantamento do roteiro em vários locais há horta, como essa em Santa Isabel

À frente desse projeto está Miriam Jacob que identificou os estabelecimentos. A maior parte deles estão muitas vezes em locais escondidos, fora de sinal de telefone e internet. Ela conseguiu incluir as coordenadas de cada localidade para que o turista possa localizar via Google Maps. Mas dependendo do local é necessário pontos de referência, porque nem pelo GPS é suficiente para chegar até lá. Há locais há mais de uma estrada e se não prestar atenção pode ir para local diferente.

Miriam conta que o fogão a lenha está presente na grande maioria dos estabelecimentos visitados. Hortas também existem em quase todos os locais. É costume cultivá-las para abastecer as vendas, bares e restaurantes.

A ideia inicial do projeto seria de ter um mapa que pode ser baixado e impresso por prefeituras, hotéis e interessados para divulgar os locais. "Mais importante nesse projeto foi fortalecer a cultura campestre e as características culturais do interior e do caipira. Mostrar que o caipira não é pejorativo. O projeto, no entanto, atingiu muitas pessoas por rede social, principalmente por Facebook, então não deu para esperar pela informações e fizemos também um mapa pelo Google Maps, marcando a latitude e longitude. É possível ir até o local usando o GPS do celular", explica Miriam Jacob. Até outubro, será possível baixar em âmbito digital um mapa para impressão.

Miriam diz que o roteiro valoriza muito a gastronomia e a economia criativa. De acordo com ela, o projeto acaba gerando renda a partir de sua característica cultural. "Isso pode desenvolver muito a região, se for incentivado na região", conta.

O projeto recebe apoio do Governo do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC).

Aplicativo traz pontos turístico da região de Torrinha

Divulgação
Guia começou em Torrinha e estendeu pela região

O Guia Turístico e Comercial é um aplicativo que pode ser baixado pelo celular ou tablet no sistema Android e IOS que abrange Torrinha, Brotas, Mineiros do Tietê e Dois Córregos. O sistema funciona até se o usuário não tiver a Internet disponível no momento.

Assim que baixou no celular já é possível navegar sem dificuldades. De acordo com Jackeline Voltolin Brandão o dispositivo eletrônico surgiu de uma viagem que ela vez com o marido, Marcel Hubner Brandão, ao Sul de Minas Gerais.

Lançado em abril no aniversário de Torrinha, o dispositivo já tem informações de Dois Córregos e no entorno. Para viabilizá-lo há também lista de estabelecimentos comerciais. O roteiro turístico foi incluído. Aos poucos o projeto está sendo expandido para São Pedro, Águas de Santa Bárbara e Jaú. Até a última semana somente na plataforma Android já havia 1.200 pessoas que baixaram o aplicativo. "Estamos contente com o resultado, mas por enquanto só está para as cidades de Torrinha, Dois Córregos e Brotas", conta.

O diferencial em relação a outros roteiros são as mensagens que são emitidas com horário de funcionamento, farmácia de plantão e outras atividades direcionadas a turistas, comerciantes e ao munícipe.

Na parte do turismo ainda há pouco abrangência, segundo Jackeline, concentrada principalmente no Mosteiro Paraíso, mas há muitas informações sobre cachoeiras de Brotas e São Pedro. Também tem um site (https://www.guiacomercialeturistico.com.br)

SERVIÇO

Para quem quer conhecer todos os locais pode acionar pelo https://sites.google.com/view/gastronomiadaestradadeterra 

Facebook: https://www.facebook.com/gastronomiadaestradadeterra/

Polo Cuesta amplia roteiro culinário?

Na região de Botucatu, levantamento consta em aplicativo, site de Internet e ainda há 10 mil unidades em papel com lista de 35 estabelecimentos?

Polo Cuesta/Divulgação
Cuesta de Botucatu tem roteiro para visitar pontos turísticos localizados na zona rural da cidade

A versão de 2018 do Guias Sabores do Polo Cuesta ampliou a lista de 25 para 35 estabelecimentos localizados em grande parte na zona rural de Botucatu, Pardinho, São Manuel e Bofete. A região turística é composta de 10 cidades, mas só quatro participam desse mapeamento.

O objetivo é facilitar a ida da população às propriedades que estão trabalhando com turismo rural em Botucatu e região. A inovação é que cada local no guia tem um código QRcode, onde os turistas poderão baixar o aplicativo de leitura, fotografar e ter o itinerário até o local. 

O código QR é de barra bidimensional que pode ser facilmente escaneado usando a maioria dos telefones celulares equipados com câmera. Esse código é convertido em texto, um endereço URI, um número de telefone, uma localização georreferenciada, um e-mail, um contato ou um SMS.

O Polo Cuesta tem aplicativo, site e também tem todo o material em papel. Em caso de não funcionar eletronicamente por falta de conexão à Internet é possível ter uma versão em panfleto  com as indicações e informações dos locais.

De acordo com a assessora da Secretaria de Turismo de Botucatu, Luciana Alho, o aplicativo para celular já existe há três anos pertencente a Botucatu e o guia Sabores da Cuesta teve sua primeira edição em 2016 e voltou a ser produzido neste ano, atualizando, com capa e contracapa confeccionadas em papel ecológico, e com tiragem de 10 mil unidades.

Luciana diz que há necessidade também ter a ferramenta no site, principalmente para atingir pessoas que moram fora da região.

O levantamento dos roteiros, de acordo com a assessora, contou com a ajuda de Toninho Sanches, líder do grupo de caminhada "Papa Trilhas". "Muitos lugares que estavam distantes estão agora ganhando visibilidade. Isso ajuda muito o produtor que investe em turismo rural. É mais uma atividade econômica", conta.

A palavra Cuesta, de origem mexicana, é traduzida para o português como "degrau". O termo foi introduzido pelo francês Emmanuel de Martonne, professor da Universidade de São Paulo, a partir dos estudos realizados na Espanha, e na década de 30 do século passado, pela antiga Estrada de Ferro Sorocabana, a qual adotou a denominação "Cuesta de Botucatu", para a forma de relevo escarpado em um dos lados com suave declive em outro, encontrada na região. Para quem quer conhecer o roteiro completo pode acessar https://www.botucatuterradaaventura.com.br/guia-sabores-cuesta/

 

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