Cultura

Duas vozes para a eternidade


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Gilda Mattar/AE
A cantora Ângela Maria: uma das maiores vozes do Brasil em todos os tempos; no detalhe, seu último disco, lançado no ano passado

As últimas horas estão sendo de luto na música. No sábado, o Brasil perdeu a cantora Ângela Maria. Ela tinha 89 anos. Nessa segunda-feira (1) foi a vez da imprensa francesa noticiar o falecimento do ídolo Charles Aznavour, aos 94.  

No ano passado, Ângela lançou um álbum com canções de Roberto e Erasmo Carlos e chegou a comentar:  "Vou parar só na cova mesmo! Não estou respeitando muito a minha idade".

Ângela (apelidada de Sapoti pelo então presidente Getúlio Vargas em alusão à doce fruta assim comparada com sua voz) morreu em São Paulo. O enterro ocorreu nessa segunda (1), às 16 horas, no Cemitério Congonhas. De acordo com informações da unidade do Itaim Bibi do Hospital Sancta Maggiore, onde a artista estava internada desde o final de agosto por causa de uma infecção generalizada, ela não resistiu a uma parada cardíaca.

Nascida em Conceição de Macabu, no Rio de Janeiro, Abelim Maria da Cunha assumiu o nome artístico de Ângela Maria e começou a carreira de cantora aos 19 anos, em 1947.

Gravou dezenas de sucessos (como "Babalu") e ganhou o título de "Rainha do Rádio", graças a eleição na edição de 1954 do tradicional concurso criado pela Associação Brasileira de Rádio.

A intérprete se notabilizou como representante do gênero samba-canção, que surgiu no Brasil nos anos 1930.

Ao longo da carreira, a cantora promoveu parcerias com Roberto Carlos, Gal Costa, Caetano Veloso, Agnaldo Timóteo, Alcione, Fafá de Belém, Ney Matogrosso e, principalmente, Cauby Peixoto (1931-2016).

Foi candidata a vereadora da cidade de São Paulo na eleição municipal de 2012, pelo PTB, mas não se elegeu.

ÍDOLO FRANCÊS

Mario Anzuoni/Reuters
O ídolo francês Charles Aznavour em foto de 2017 em Los Angeles (EUA); no detalhe, um de seus álbuns

Já Charles Aznavour igualmente era dono de uma carreira com números superlativos: compôs mais de mil músicas, gravou mais de 100 álbuns, vendeu 200 milhões de discos e fez mais de 60 filmes.

Chamado de "Frank Sinatra da França", o artista (também ator) de ascendência armênia nasceu numa família de artistas em 22 de maio de 1924. Aos 9 anos, já estava atuando no palco. Chamava-se, então, Shanour Vaginagh Aznavourian. Tinha uma bela voz, mas talvez não se tivesse tornado mito sem a ajuda de uma madrinha.

Na verdade, de uma amante. A lendária Edith Piaf ouviu-o cantar, sentiu-se arrebatada por sua virilidade e o integrou ao seu show, levando-o em turnê pela França, até os EUA. Rebatizado Charles Aznavour, tornou-se o cantor e compositor do amor. Poliglota, cantou - e compôs - os próprios sucessos em várias línguas. "Que c'Est Triste Venise", ou "Com'è Triste Venezia", "How Sad Venice Can Be". "Elle/She". E muitas outras.

O britânico Elvis Costello fez uma versão de "She" para a comédia romântica "Um Lugar Chamado Nothing Hill". Plácido Domingo gravou a versão de Aznavour para "Ave Maria". E cantaram com ele Fred Astaire, Bing Crosby, Ray Charles e Liza Minnelli.

Aznavour recebeu também o Leão de Ouro honorário em Veneza pela trilha de "Morrer de Amor" (de André Cayatte), um César (Oscar francês) honorário e o prêmio de carreira do Festival do Cairo. Apresentou-se diversas vezes no Brasil.

Fundador da banda Jefferson Airplane, Marty Balin morre

Reprodução
Marty Balin foi vocalista e fundador do Jefferson Airplane

Marty Balin (foto abaixo), da banda americana de rock psicodélico Jefferson Airplane, morreu aos 76 anos. A causa da morte não foi divulgada. O músico deixa esposa e quatro filhos. Ao lado de Paul Kantner, Balin fundou, em 1965, o grupo responsável por canções com "White Rabbit" e "Somebody To Love".

Quatro anos mais tarde, a banda chegou a se apresentar no festival Woodstock e se consolidou como importante nome na criação da cena musical psicodélica de São Francisco, na Califórnia. A carreira rendeu a Balin a indução ao Hall da Fama do Rock em 1996.

Em 2016, o cantor e instrumentista passou por uma cirurgia no coração e chegou a processar o hospital por negligência. 

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