Não vou me ater às questões políticas, eis que saturados estamos destas há mais de um mês. Mas gostaria de salientar que neste nosso país, grande país chamado Brasil, terra de cachoeiras e cascatas, ainda parodiando Martinho da Vila, "em forma de aquarela(...), com lindos coqueirais(...)", ao assistir ao programa Globo Repórter da última sexta feira (5), me deparei com questionamentos que havia deixado para trás há muito tempo.
Como ainda não haver água para todos? Como não haver estrutura para escolas e professores, àqueles que ainda anseiam por um futuro melhor? Ver crianças na mais tenra idade andando quilômetros à busca de água... ainda o assunto da água...
Dói ver tantos com tanto e querendo mais um tanto e outros tantos querendo tão pouco do pouco que ainda têm. Conforme bem salientou o colega Darcy Rodrigues: "A ignorância de um povo e seu atraso intelectual e cultural se mede pela intolerância e pelo preconceito." Não sou nacionalista, mas confesso que tenho sorte em viver num lugar em que "plantando dá", onde tenho emprego, onde posso trabalhar, andar de lá até acolá, desfrutar da natureza rica e multicor, dos aromas e dos sabores, dos mares e das matas...
Mas a impotência me paralisa, me deixa atônita, angustiada, de um tamanho que chego a sentir a dor do outro, desejando que tudo seja apenas um sonho (ou pesadelo). Se cada um fizer uma pequena parte, nem que seja dentro de casa, a mudança pode ocorrer paulatinamente e, quem sabe, o umbigo do outro será melhor observado.