Política

Rodrigo quer diminuir privilégios

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Renan Casal
Rodrigo Agostinho, logo após entrevista concedida ao JC, no último domingo (7) à noite, no Café com Política

Com 100.179 votos, Rodrigo Agostinho (PSB) foi eleito deputado federal e recolocou Bauru na Câmara dos Deputados após 20 anos. O último deputado federal da cidade foi Tuga Angerami, que encerrou mandato em 1998. Com 80.519 votos no município, ele foi de longe o candidato mais votado da cidade.

Rodrigo ainda foi o que teve maior votação em Agudos (1.872 votos), Duartina (1.163), Arealva (602), Iacanga (388) e Avaí (412). Foi o segundo candidato mais votado em Piratininga (1.090); o terceiro em Presidente Alves (207) e Reginópolis (193); o quarto em Pederneiras (1.432), Cabrália Paulista (149), Boraceia (121), Pirajuí (529) e Fernão (55); o quinto em Paulistânia (82); sexto em Macatuba (260); e o sétimo em Lençóis Paulista (1.294), além de ter ficado entre os dez mais votados nos demais municípios em um raio de 100 quilômetros. Na Capital Paulista, Rodrigo obteve 1.016 votos. Logo após o resultado, ele esteve no Café com Política e falou sobre os desafios.

JC - Você teve, em Bauru, 80 mil dos seus 100 mil votos. É praticamente votação para eleger prefeito na cidade. Você já sentia na campanha que chegaria a esse número ou te surpreendeu?

Rodrigo Agostinho - Eu não vou dizer que esperava mais ou menos. Ter o voto de 100 mil pessoas é muita coisa. Eu só posso agradecer a todos. Eu sabia que precisaria buscar votos na região. Talvez, eu fiz um pouco menos de campanha em Bauru do que deveria, mas é um tempo muito curto, pouco mais de um mês de campanha. Eu tenho certeza que muitas pessoas sequer ficaram sabendo quem eram os candidatos. Nas ruas, não se via muita propaganda. Esse é um desafio político, sou a favor do voto distrital, pois é uma forma de o eleitor cobrar de perto.

Renan Casal
Logo após o resultado, Rodrigo Agostinho participou de uma 'live' no Café com Política, do JC; na foto, ele está ao lado do repórter Thiago Navarro e do repórter fotográfico Aceituno Jr.

JC - O seu raio de atuação acabará sendo amplo, pois, em toda a região, que inclui Bauru, Marília, Jaú, Lins, Botucatu e Ourinhos, apenas você e o Capitão Augusto foram eleitos. Assim, na prática, será um deputado de caráter distrital?

Rodrigo - Eu já pensei nisso desde a campanha. Fui a mais de 80 cidades. O Capitão Augusto conseguiu fazer uma campanha estadual, colado ao Bolsonaro. Somos, agora, os dois únicos deputados federais de toda uma grande região, e perdemos deputados estaduais, com o Pedro Tobias parando e o Celso Nascimento não se reelegendo. Alguns ficaram na suplência, como o Fábio Manfrinato, Raul Gonçalves Paula e a Suéllen Rosim. Eles podem, em algum momento, assumir, mas não é algo certo. Eu vou trabalhar muito pela região, e também em temas que eu entendo ser importante, como a política de combate à corrupção, redução de privilégios e, independente de quem for o presidente eleito, o Congresso será chamado a discutir muitas reformas e mudanças. Eu me sinto preparado para honrar cada voto que recebi. E, dependendo do presidente eleito, muda a forma como essas reformas serão conduzidas. A sociedade precisará ser consultada sempre.

JC - Com a definição das eleições, você, naturalmente, passa a ser a maior liderança política de Bauru e região. Sem um deputado estadual, você fará um pouco esse papel também na região?

Rodrigo - A nossa região se empobreceu e perdeu força política nas últimas décadas. Na época em que era prefeito, eu ia muito a Brasília e tinha ministros e secretários que não queriam me receber porque a gente não tinha deputado, a gente era mal tratado. Agora, sendo eleito, poderei fazer isso para as cidades da região. Bauru não é uma ilha. As pessoas da região vêm trabalhar, estudar e consumir em Bauru, e o inverso da mesma forma. Vamos ter que valorizar cada vez mais a região, buscar geração de emprego. Um deputado pode mandar R$ 80 milhões em emendas durante quatro anos, metade na saúde. É muita coisa. Vou ainda trabalhar com os outros deputados federais que mantêm alguma relação com Bauru, para emendas da bancada paulista ou para buscar projetos. Já conversei com alguns prefeitos e a região agora sabe que pode contar comigo.

JC - Quais devem ser as primeiras ações?

Rodrigo - Tem coisas que eu vou brigar independente da questão financeira. Um exemplo: o pátio ferroviário está totalmente abandonado. Esse é um assunto federal, não depende do governador, e ter um deputado federal ajuda muito. Outras discussões são do Aeroporto Moussa Tobias, hidrovia. E tem obras importantes, como o Instituto Federal de Educação. Nós temos demandas da Receita Federal, INSS, Ibama, Incra... vou acabar sendo um interlocutor.

JC - Você falou na campanha que pretende lutar para reduzir privilégios nos três Poderes. Em seu gabinete, pretende usar menos do que a verba que receberá?

Rodrigo - Eu acho que o País já tem muita gente com cargo eletivo. São 70 mil pessoas, de vereador a presidente. Em Bauru, poderia ter menos vereador. O Legislativo promete muito mais do que entrega, e isso incluí o cargo que vou ocupar. O parlamentar deve entender que o papel dele é promover diálogo. São muitos deputados federais, 513 é muita coisa, 81 senadores sendo três por Estado. Poderia ter só um, muita cidade pequena que não deveria ter sido emancipada. Eu não vou usar o auxílio-moradia, vou abrir mão do que eu puder, e terei uma equipe reduzida. Quando era prefeito, não usava carro e celular da prefeitura, e dá para fazer isso como deputado.

JC - Em quais comissões da Câmara dos Deputados pretende atuar?

Rodrigo - Eu vou tentar ocupar a maior parte dos espaços. Já acompanhei muitas reuniões temáticas. Agora, precisamos ver como ficaram as bancadas, o jogo de forças. Eu sei que vou ser um deputado de primeiro mandato, outros estão há muito mais tempo. Mas sei que, se eu quero lutar pela ferrovia, deverei ocupar um lugar na Comissão de Transportes. Outra é a Comissão de Meio Ambiente pela minha trajetória. E, como sou advogado, sei que posso entrar na Comissão de Constituição e Justiça.

Município ficará sem um deputado estadual

Após muito tempo, Bauru ficará sem um deputado estadual. Pedro Tobias (PSDB) não concorreu e Celso Nascimento (PSC) não se reelegeu. Os mais votados na cidade foram Fábio Manfrinato (PP) e Raul Gonçalves Paula (Podemos), ainda assim com votação insuficiente para entrarem. Manfrinato teve 47.256 votos, sendo 36.712 em Bauru. "Foi uma votação fantástica. Não fui eleito mas o trabalho vai continuar. Retorno como vereador e penso em outros projetos para o futuro. Tudo pode acontecer", afirmou, sem detalhar se pretende concorrer a prefeito, vice ou vereador em 2020. Ele será o 12.º suplente da chapa PSDB/PSD/PRB/DEM/PP, que elegeu 27 deputados, o último eleito com pouco mais de 59 mil votos.

O segundo mais bem votado entre os candidatos da cidade foi Raul Gonçalves Paula, que obteve 36.825 votos, 29.138 em Bauru, e será o segundo suplente do Podemos, legenda que fez quatro vagas, sendo o último eleito com 43 mil votos. "O meu tempo de TV, assim como o de todo o partido, foi pequeno. Além disso, a cidade teve muitos candidatos. É algo democrático, mas acaba dividindo votos. Faltou pouco para entrar. Mesmo assim, vou manter contato com os deputados federais que o nosso partido elegeu e com os estaduais também, buscando recursos para a nossa região e organizando o partido, já pensando nas eleições municipais daqui a dois anos", citou.

Uma das grandes surpresas desta eleição foi Suéllen Rosim (Patriota). Filiada por Birigui, ela mora em Bauru e chegou a 36.049 votos, 15.572 em Bauru. Ela será a primeira suplente do partido, ficando 10 mil votos atrás do único deputado eleito. "Foi minha primeira eleição. Considero que o resultado foi bom, recebi um grande carinho das pessoas. Ainda não parei para decidir sobre o futuro, mas, se me candidatar em 2020 a vereadora, será aqui em Bauru mesmo", disse.

Depois, os mais votados na cidade entre os candidatos locais, foram Telma Gobbi (SD), Caio Coube (PSDB) e Professor Cabo Helinho (PR).

DE FORA

O único deputado estadual de Bauru que buscava a reeleição era Celso Nascimento (PSC). Em 2014, quando entrou pela primeira vez, obteve mais de 70 mil votos, sendo 4 mil na cidade. Desta vez, foram 10.778 votos, sendo 1.787 em Bauru. "A cidade acabou mandando muitos votos para candidatos de fora e, infelizmente, não elegemos ninguém para deputado estadual. Foi uma eleição diferente, com muitas surpresas. Vou concluir meu trabalho até março, farei aquilo que já estava desenvolvendo. Para 2020, não pretendo concorrer a vereador, vou apoiar minha filha Yasmim Nascimento (PSC), que já está na Câmara e pode continuar", lembrou.

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