O jornalismo é uma das profissões mais nobres da humanidade. Todas o são! Mas o garimpeiro da informação, o pesquisador de ações sociais é um missionário do fato que merece ser destacado. Ser jornalista é se expor todo dia, ao fato, ao boato, ao risco, ao avesso. O jornalismo é, em especial, nobre porque ele expõe seus erros e acertos todos os dias em jornais, sites, redes, telas e microfones.
Qual profissão tem seu produto base, a notícia, sujeita a tais intempéries sociais, exposta a olho cru do crivo das ruas? O jornalista atravessa crises levando murros e pontapés de todo lado. Não tem jeito. Se publica a denúncia, o lado A o condena.
Se não publica, é omisso, diz o B. Ser jornalista é para gente altruista. É uma esquizofrenia diária. Em geral, são acusados de serem simpáticos a visões de "esquerda". E, regra geral, convivem com a pressão de patrões de "direita". Vixe! Nem todos! E tem coisa pior do que você ir trabalhar com esse conflito sobre a mesa?
Jornalismo é candeeiro! Dar luz à história é muito nobre! Jornalismo é, sim, ter lado: o daquele onde o texto e a imagem são as únicas "armas" para apontar mazelas, denúncias.
Quando as instituições falham, lá está o jornalista pra difundir a falência de serviços. Quando os atores sociais realizam obras humanas, lá está o jornalista para contar o retrato da sensibilidade daquele substrato. É isso não tem nada de "esquerdismo" meu camarada. É missão!
Hoje, ser jornalista tem sido um fardo mais pesado. Somos cidadãos, mas basta retratar uma denúncia que lá vem os verdugos da pós-verdade pra "bater" no jornalista. Como se o fato devesse sucumbir à torcida. Jornalista? Se gosta de vestir vermelho é comunista. Se prefere amarelo é feito a arregar. Se usa branco não é da paz, mas covarde. O trem doido!
Ah, ser jornalista virou sinônimo de esquerda porque satanizaram os extremos! Falta honestidade intelectual lá fora. Falta bom senso. Jornalistas erram, choram, cantam, votam.
Jornalista é ser oposição, o resto é secos e molhados, disse Millor. E oposição não tem face meu caro. Significa sim apertar o cerco para mostrar mazelas, tentar aprofundar crises, dar amplitude ao grito dos desesperados. Jornalismo é sim ser sentinela para que nossos erros da convivência social - simbolizados no voto irresponsável por exemplo - sejam depurados. Não confunda isso com ativismo. E nem com ignorância, alieanação ou mau caratismo. Esses "pecados" são do ser e não habitam só as redações.
Jornalistas também são bons "cozinheiros", estes de uma profissão igualmente nobre mas que foram sentenciados pela adjetivação desrespeitosa do ministro da Corte. Lembra?
Jornalistas são cozinheiros, sem terra, empresários, padeiros, economistas, cientistas... são tudo e nada ao mesmo tempo. Jornalistas são artesãos, do medo, da alegria, do caos, da flor, do arco íris e da tempestade... social. Ah, jornalismo desagrada todo dia. Não tem jeito! E essa é, ironicamente, uma função social do jornalismo, e dos filhos da p... pauta. (Sic!).
Ah, os incautos dizem que jornalismo é uma profissão em extinção! Dizem por aí que vão perder emprego para os robôs, as redes sociais. A última citação que ouvi foi de que vai acabar como aconteceu com vídeo locadoras.
Meu querido (a), o jornalismo está muito mais forte! E não é porque queremos sobreviver. É porque o ser social está mais robô do que nunca. E a tecnologia abriu muito mais portas.
Ao contrário, as redes geram maior solicitação pelos garimpeiros da notícia. A fake news é o veneno que veio para alimentar o jornalismo. Mentiras sempre existirão.
Mas a escalada da idiotice exige de corporações e atores sociais remunerar garimpeiros serenos, honestos intelectualmente, para que alguém apure, depure. O jornalismo é essencial à democracia! E a eles meu profundo respeito, em especial nessa difícil missão de atravessar a tempestade.
Enquanto houver pobres, oprimidos, haverá jornalistas. Enquanto houver larápios, ditadores, populistas, alienados, haverá jornalistas. Enquanto houver fake, haverá notícia. Enquanto houver candinha, haverá garimpeiro. Enquanto houver sociedade, haverá o ofício do candeeiro. Notícia não se armazena em nuvem. Força, jornalistas!
O autor é compositor, cozinheiro, cidadão e jornalista.