Com a confirmação do Economista Paulo Guedes para comandar o Superministério da Economia (junção dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Comércio Exterior) vem tomando vulto a discussão sobre suas ideias e sua formação. O traço mais marcante em sua formação está ligado as suas convicções liberais.
Sua formação acadêmica, a escola de Chicago, defende o liberalismo econômico, portanto, seu entendimento quanto ao funcionamento da economia preconiza um Estado menor e a prevalência da economia de mercado.
O liberalismo como concebido no século XVII não tem mais espaço nas economias modernas, cedendo espaço ao neoliberalismo, ou seja, o novo liberal. O neoliberalismo que tem sido empregado desde o fim dos anos 1980 preconiza a liberação econômica, priorizando e desestatização e as privatizações, com austeridade fiscal, livre comércio e forte desregulamentação.
Neste contexto, o Estado deve ser enxuto e eficiente, com cortes em seus gastos. O setor privado tem papel reforçado e preponderante.
O Brasil desde os anos 1990 faz experimentos na direção neoliberal. A própria Constituição brasileira de 1988 indicou o afastamento do Estado da economia quando coloca no capítulo da Ordem Econômica que somente será permitida sua atuação em empresas quando for imperativo para segurança nacional e de interesse coletivo. O governo de Fernando Henrique Cardoso promoveu uma série de privatizações, sinalizou com reformas estruturais, mas não completou o ciclo necessário para dar sustentação ao modelo em longo prazo.
Com o Partido dos Trabalhadores no poder veio o inchaço da máquina pública e hoje o País paga um preço elevado por não ser competente o suficiente para equilibrar as contas públicas. A questão se apresenta é: a população brasileira está preparada para aceitar efetivamente o modelo neoliberal? O presidente eleito, Jair Bolsonaro, dará apoio incondicional a Paulo Guedes e sua equipe para levar em frente esta nova matriz econômica? É fundamental este questionamento porque no dia a dia há posições dúbias, tanto de Bolsonaro como de parte de população.
Tomemos como exemplo a Petrobras. Há quem defenda controle de preços dos combustíveis. Controlar preços é exatamente o contrário do que o pensamento liberal preconiza. Outro ponto ainda ligado a Petrobrás: se mantém como economia mista ou privatiza totalmente? Outro ponto que não há consenso. Isso só para citar um exemplo entre tantos outros.
Na prática, ainda temos em nossa mente o Estado "paizão". Quando pensamos em benefícios individuais, queremos o Estado que tutela, interventor, contudo, quando exigimos um Estado mais eficiente, no fundo estamos imaginando um setor público mais regulador.
O que está evidenciado é que imaginar que a população terá do setor público tudo que precisa e deseja não tem mais espaço. São inúmeros os exemplos de países que "quebraram" e ficaram no século passado por adotarem politicas centralizadas.
Um País com setor privado forte, com um Estado enxuto, que possui metas de melhoria em indicadores sociais, é capaz de promover a justiça social e levar qualidade de vida a sua população.
Para que isso seja verdadeiro não é preciso unanimidade, mas sim uma convergência de propósitos, de qualquer maneira o indicativo é que neoliberalismo estará presente na vida dos brasileiros.
O tempo dirá se o governo Bolsonaro irá firme nesta direção.
O autor é economista, articulista do JC e está no Youtube através do canal Planeta Economia.