Convivemos com o vírus do herpes simples. Em condições urbanas, as crianças com mais de 5 anos de idade, inevitavelmente, apresentam o vírus do herpes simples em seu corpo.
Não se deve confundir o "herpes simples" com o "zoster", que também é chamada de "herpes zoster". São doenças distintas provocadas por vírus diferentes um do outro! O zoster ocorre em pessoas idosas e ou debilitadas que, quando crianças, tiveram varicela ou catapora. As pessoas com mais de 50 anos deveriam tomar a vacina contra o zoster.
Todas as crianças com mais de cinco anos têm o vírus do herpes simples, mas apenas uma pequena minoria, menos que 10%, irão apresentar a doença Herpes Simples Primário no local onde o vírus penetrou pela primeira vez. Se for na boca a doença se chamará Gengivo-estomatite Herpética Primária, mas a penetração pode ser na região genital, olhos e pele.
Logo depois da puberdade, 50% das pessoas adultas apresentam a doença como uma manifestação recorrente ou secundária do contágio inicial que ocorreu até 5 anos de idade. De forma intrigante e por razões desconhecidas, a outra metade da população não tem a doença em qualquer parte. Nas pessoas que apresentam o Herpes Simples Recorrente, ele ocorre principalmente:
1) na boca, especialmente na pele dos lábios, no palato duro, ou céu da boca, e no dorso da língua.
2) na região genital do homem aparece com vesículas e bolhas expostas na mucosa ou na pele, enquanto na mulher pode ficar mais internamente e nem se perceber que estão aparecendo episódios com alguns dias de duração.
3) nos olhos, na forma de inflamações como conjuntivites e ou inflamações nas pálpebras.
Uma pessoa adulta que nunca teve Herpes Simples Recorrente deve tomar cuidado, pois se contatar pacientes com a manifestação clínica da doença em forma de vesículas e bolhas labiais, intrabucais e ou genitais, pode começar a ter a doença a partir deste momento. Pelo fato de ser transmitida desta forma pelo beijo e relações carinhosas e genitais, o Herpes Simples Recorrente é considerado uma doença sexualmente obtida. Se tem dois tipos de vírus do herpes simples. O tipo 1 é mais comum nos casos localizados na parte superior do corpo, enquanto o tipo 2 é mais frequente nas lesões herpéticas das partes inferiores.
QUE FAZER?
Depois dos cinco anos, onde ficam os milhões de vírus do herpes simples? Nos nervos e gânglios neurais do cérebro e medula espinhal. Ao entrar na pele e mucosas, os vírus se multiplicam muito e viajam pelos nervos como verdadeiras estradas de alta velocidade. Se saírem dos nervos, a inflamação e sistema imunológico acabam com eles. Só saem quando a pessoa está estressada, gripada ou exposta ao sol, o que os debilitam.
Todas vezes que houver manifestação nos lábios ou intrabucal, haverá uma mobilização de milhões de vírus em um movimento de vai e vem entre a pele e mucosas e os gânglios e cérebro. Qual seria o problema disto? Quando ocorre esta mobilização ocorrem significativas lesões estruturais nos nervos e no cérebro, podendo acumular ou aglomerar as proteínas anormais beta-amiloides e tau associadas ao Alzheimer.
O Alzheimer está relacionado a pessoas que tem o gene APOE4 e, se houver também o vírus do herpes simples do tipo 1, o risco será 12 vezes maior de acordo com pesquisas da neurocientista Ruth Itzhaki na Universidade de Manchester, Inglaterra. Segundo ela, há uma forte relação do vírus do herpes simples como causa da doença de Alzheimer. O uso preventivo com drogas antivirais reduziu a frequência do Alzheimer em Taiwan, na Ásia.
Existem vacinas para o Herpes Simples, mas entre nós quase ninguém toma! Quase sempre quando se tem Herpes Labial Recorrente, as pessoas usam pomadinhas ou algo no local. Tratamentos locais não resolvem, e a doença voltará. É melhor usar drogas antivirais ingerindo-as via bucal para se ter efeito sistêmico. Ao fazer isto no início de todas as manifestações, os vírus irão desaparecer. Nos tratamentos locais, mesmo com pomadas antivirais, isto não ocorre. Conclusão: O que aparentemente é um "inocente" Herpes Simples Recorrente Labial, tratá-lo adequadamente pode ser prevenção de Alzheimer!
Reflitemos!