O primeiro milagre operado por Jesus aconteceu exatamente numa festa de família, ocasião em que o Senhor transformou em torno de 500 litros de água em vinho, e do bom, como se apressa a esclarecer o Evangelho.
Para os seus adversários, Jesus não passava de um «glutão e bebedor de vinho» (cf. Lc 7,34). Por sua vez, Paulo também deu um conselho inesperado ao bispo Timóteo: "Deixa de beber somente água; toma um pouco de vinho para superar tuas frequentes doenças" (1Tm 5,23).
Mas, como se sabe, a Bíblia é um mar infinito, onde cada um pesca o que quer. Nela encontramos elogios ao vinho, há inúmeros versículos que o condenam veementemente: "Não vos embriagueis com vinho, o pai da luxúria" (Ef 5,18). Aos eclesiásticos, acrescentava: "O bispo deve ser sóbrio, não dado ao vinho nem violento" (1Tm 3,3). Por fim, às mulheres (pois a embriaguez não é privilégio dos homens) pedia que "não fossem escravas da maledicência e da bebida" (Tt 2,3).
Para São Paulo, os efeitos do álcool são a luxúria, a violência e a maledicência. Se todos fossem adultos e maduros, não haveria problemas. Saberíamos quando beber e quando parar. A virtude está no equilíbrio. Há momentos e situações em que ela é necessária, em vista de um ideal superior; mas, na normalidade do dia-a-dia, Deus pede apenas que deixemos de lado o que impede o crescimento da humanidade.
Dado, porém, que a fraqueza humana é grande o próprio Jesus falou que "o espírito é forte, mas a carne é fraca" (Mt 26,41) é sempre mais prudente evitar as ocasiões, pois "quem abre um buraco, nele cairá" (Pr 26,27) e hoje é o que estamos assistindo a nível de sociedade.
Como católica praticante, rezo para que, um dia, que todas as nossas paróquias possam abolir totalmente, de suas festas, a venda de bebidas alcoólicas. Para a sustentação da Diocese e de cada comunidade, em primeiro lugar, deve-se organizar a contribuição normal e permanente dos membros da comunidade através do dízimo.
As outras promoções, como campanhas, festas, quermesses etc também têm o seu significado e importância, não apenas pelo seu rendimento econômico, mas, sobretudo, pelo seu valor de confraternização e participação das pessoas.
Obrigado a cada padre e leigo que tornaram essa realidade um presente para nossa Diocese de Bauru.