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Escola sem partido

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das grandes observações do professor e antropólogo Darcy Ribeiro é: "A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto". Nada mais moderno do que esta afirmação. Dentre a onda conservadora que atinge inapelavelmente o Brasil, o movimento ultraobscurantista denominado "escola sem partido" segue o intuito nefasto da edificação de um Estado policial e autoritário.

O controle do pensamento e a censura sempre foram objetos dos ditadores e déspotas que se utilizam destes meios para doutrinação e amordaçamento dos seus subjugados. A lógica perversa, que segue os ritos do predomínio ideológico do conservadorismo hoje no Brasil, é a intimidação e o medo, calçados em mentiras ou meias verdades; afinal, é urgente inibir qualquer senso crítico das novas gerações.

Ignorar ou simplesmente patrulhar um ambiente que deve ser plural, democrático e crítico é insultar, é castrar a edificação de uma sociedade pautada por valores universais como direitos humanos, multiplicidade cultural, respeito de gênero, entre outros temas que o século XXI impõe ao processo civilizatório. Rasos e chulos são os argumentos desta verdadeira cruzada salvacionista que quer domesticar e cercear o debate dentro das salas de aula, ou unicamente, caçar os que pensam diferentemente de seus valores, muitos dos quais questionáveis. Desconhece que o ensino não só é transferência de conhecimento, mas também, é criar possibilidades de ter diferentes visões de sociedade, teorias e experiências, que só são possíveis por meio da comparação e do debate. E é que é isto que forma o cidadão.

Mentiroso e de profunda má-fé este movimento de fisionomias autoritárias, fascistas o tal "Escola sem Partido". Qual a ideologia destes acéfalos? Quais seus valores sociais? A própria tese desta estupidez esconde sua verdadeira ideologia, seu verdadeiro desígnio, onde inquisidores da contemporaneidade querem, sem o menor preparo, se apropriarem e corromperem a narrativa da história. Exemplo disto é associar o nazismo alemão a um movimento de esquerda; ou simplesmente negar a escravatura, dentre outras corrupções.

Oculta-se o anseio de se obter o controle social e de sufocar os conflitos de desigualdade silenciando, bestializando e anestesiando as consciências e o debate. Projeta-se um doutrinamento de senso comum, de uma sociedade crente na ordem social imposta pela natureza divina; portanto, inquestionável. Desrespeita-se os princípios constitucionais que garantem o pluralismo e tentam por meio de intimidação, impor o autoritarismo em toda sociedade.

Escola sem partido é mais um dos entulhos das bestas feras que acreditam em métodos ultrapassados de cercear a construção de uma sociedade plural.

O autor é colaborador de Opinião.

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