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Hiperinflação na Venezuela assusta


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Manaure Quintero/Reuters
Trabalhadores aprendem a reparar pneus em Caracas como forma de suprir o desabastecimento

Carlos Jasso/Reuters
Desabastecimento de alimentícios é constante e produtos só aparecem no mercado paralelo

Caracas - A inflação acumulada em 12 meses na Venezuela ultrapassou 1.000.000%, segundo cálculos divulgados nesta segunda (10) pela Assembleia Nacional, de maioria opositora. É a primeira vez que a marca é rompida desde o início da crise no país. 

Entre novembro de 2017 e de 2018 o índice foi de 1.299.724%, disse o deputado Rafael Guzmán, que integra a comissão de Finanças da Casa. No acumulado de 2018 apenas, o valor ficou em 702.521%, com um índice de 144,2% em novembro. 

De acordo com o último relatório Focus do Banco Central, a previsão de inflação para o Brasil em 2018 é de 3,71% --próximo, assim, da inflação diária na Venezuela, de 3%.  No balanço anterior, relativo a setembro, a inflação diária na Venezuela era de 4% e, a mensal, de 233%. 

Parlamentares da Assembleia Nacional, que teve seus poderes anulados pela Assembleia Constituinte chavista, se tornaram a única fonte confiável de indicadores econômicos depois que o regime do ditador Nicolás Maduro deixou de publicar dados há cerca de três anos, quando a economia do país começou a entrar em colapso. 

Ao jornal local El Universal,  Guzmán criticou o governo por não divulgar oficialmente o índice de preços e disse que a culpa da crise é da "opacidade e obscurantismo do Banco Central da Venezuela, que não apenas segue emitindo dinheiro sem valor, mas também esconde as cifras dos venezuelanos e do mundo".

"Nunca em um país da América Latina chegou a este número, nunca uma hiperinflação atingiu 1.300.000%. Estes são os registros de Nicolás Maduro: tragédia e miséria", disse o deputado. 

Os números divulgados coincidem com a estimativa do FMI (Fundo Monetário Internacional), de que a inflação em 2018 no país iria ultrapassar 1.000.000% --a previsão mais recente é que feche o ano em  1.370.000%.

Para 2019, a entidade prevê que a crise vai continuar no país e que o índice pode chegar a 10.000.000%.

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