Tribuna do Leitor

Escola sem partido - os fatos

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos grandes problemas atuais do Brasil é a doutrinação política de nossos jovens nas escolas, tanto no nível médio como no nível superior. Isto deve ocorrer mais facilmente em disciplinas que envolvem conteúdos de história, interpretação de textos, literatura, estudos sociais e econômicos..., e tudo acontece tendo em vista a liberdade que o professor dispõe nas aulas.

Na doutrinação, percebe-se que predomina o viés ideológico de esquerda onde, nas aulas, os alunos são presas fáceis do todo poderoso professor especialista em Marx-Gramsci. Principalmente no ensino médio, devido à inexperiência da idade, e pela liberdade que o professor tem para definir o conteúdo das aulas, os livros de consulta, e a preparação e correção das provas. A função do professor é ensinar, lógico, mas pressupõe ensinar o que existe de fato em nosso mundo real, com todas suas virtudes e defeitos, e não ensinar o que convém ou criar um mundo fantasioso. Entretanto, ao invés de ensinar com a mesma eficiência e isenção, as vantagens e desvantagens dos vários sistemas (capitalismo, socialismo...), o professor doutrinador bate sempre na tecla que todos os males da vida são causados pelo capitalismo, pela ganância dos empresários, e pelo imperialismo dos EUA. Lógico que no capitalismo ocorrem problemas, mas este sistema tem também virtudes que o professor marxista-gramscista esconde, como a liberdade e a riqueza que gera. Já no socialismo realça o lado atrativo pra meninada, que é a busca da justiça social, mas esconde o lado negativo que é a falta de liberdade e a pobreza. Por mais que se queira, não dá pra contestar que o mundo capitalista (EUA, Japão, Alemanha, ...) é bem superior em liberdade, alternativas de vida e riqueza, que o mundo socialista (Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, ...). Mas, o poderoso professor ignora isso e critica a desigualdade capitalista afirmando que o "pobre é pobre" por culpa do ganancioso "rico", e defende a igualdade socialista como se ela fosse a própria justiça social. Apesar de tudo, existe um fato que acredito representaria uma diferença básica entre estes dois mundos, e que poderia ajudar nossos jovens a ter uma visão mais real das coisas: que na igualdade socialista cubana, qualquer "médico" ganha U$80 mensais, enquanto que na desigualdade capitalista americana é comum uma "faxineira" ter seu ganho mensal entre U$1.000 e U$3.000, conforme seu empenho e qualidade.

Estas informações são triviais para alguns, mas não são pra grande maioria da população, inclusive adultos e principalmente pra nossos jovens. Assim, como repassar tudo isto aos alunos do ensino médio, se no meio do caminho temos a predominância de professores de esquerda tendenciosos!? Proibir a doutrinação não iria adiantar nada, e trocar os professores também não é garantia de que os novos terão outro comportamento. Entretanto, vejo uma forma que ajudaria a minimizar o problema e até estabelecer um certo controle. Para o ensino médio, creio que nas disciplinas que permitem uma maior doutrinação, uma equipe isenta e sem viés ideológico prepararia "material didático" que retratasse o que de fato existe no mundo real, como as vantagens e desvantagens de todos os sistemas sociais e econômicos. Este material didático seria a referência bibliográfica para toda rede do ensino médio - inclusive para as provas do Enem -, cujo conteúdo o professor usaria como base de suas aulas, bem como na elaboração de suas provas e correções. No caso de ocorrer uma adequação satisfatória dos professores, a inovação poderia ser considerada realizada. Mas, caso se perceba formas sorrateiras de continuar a doutrinação, poderia se propor novas medidas a serem avaliadas caso a caso. Por exemplo: a prova poderia ser elaborada por outro professor, e, se for o caso, até ser corrigida por um terceiro professor.

Já no ensino superior, os mesmos procedimentos anteriores para o ensino médio, seriam mais difíceis de aplicar uma vez que o nível universitário tem uma visão mais aberta, além de que os alunos já estão numa fase mais adulta. Mas a ideia é a mesma: o professor deveria também oferecer aos alunos uma visão mais ampla das questões sociais e econômicas, indicando livros de consulta que contemplassem todas as correntes de pensamento. Entretanto, mesmo que aqueles procedimentos sejam aplicados apenas no ensino médio, creio que já seria um bom avanço, pois, se os alunos tiverem uma formação cultural mais abrangente, a tentativa de doutrinação para os que galgarem a universidade já ficaria mais difícil de se concretizar.

Obs.: É bom também dar uma boa olhada no material didático do ensino fundamental, pois é ali que pode começar a doutrinação com pequenas colocações muito sutis.

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